Já falamos anteriormente da ISO 45001, norma internacional para o Sistema de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional (SGSSO), e atua para auxiliar no desempenho em termos de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) dentro das empresas.
A norma, que passou por atualização em 2024, ganha força quando é aplicada juntamente com outros regramentos e conceitos, como as ISO 9001 e ISO 14001, ajudando holisticamente nas ações em SST nas operações. Em números, já contabiliza 142.073 certificados válidos em 260.989 instalações no mundo, segundo o relatório ISO Survey 2023.
Para auxiliar em sua aplicabilidade, a Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro) disponibiliza em seu aplicativo SST Fácil um material gratuito “ISO 45001 – Sistema de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional (SGSSO)” (mais informações aqui), com linguagem acessível para o entendimento de como essas diretrizes ganham relevância no contexto da Norma Regulamentadora 1 (NR-1).
De acordo com a Fundacentro, empresas certificadas podem ampliar o prazo da avaliação de riscos, que passa de dois para até três anos, “reforçando a importância do bom desempenho em Saúde e Segurança Ocupacional (SSO) como elemento central da gestão preventiva”, informa o órgão.
Auditoria ISO 45001
Por meio dessa ISO é possível identificar e mitigar riscos ocupacionais, reduzindo agravos à saúde e o absenteísmo. Também é uma forma de estimular o cumprimento de requisitos legais, diminuindo penalidades e a insegurança jurídica, além de engajar trabalhadores e fomentar a eficiência operacional, reduzindo custos e aumentando a produtividade.
Porém, um elemento importante ao adotá-la está na auditoria, que garante o cumprimento dessas regras e, consequentemente, valoriza a reputação institucional. Para Gleison Loureiro, especialista em compliance legal e CEO do software AmbLegis, um dos grandes problemas de não conformidades identificadas está relacionada à gestão documental deficiente.
Ele aponta que os requisitos mais críticos e negligenciados envolvem registros de aspectos e impactos ambientais significativos, requisitos legais atualizados, procedimentos de emergência testados e evidências de monitoramento e medição. “Auditorias seguem o princípio da evidência e da amostragem: sem documentação, não há conformidade e a amostra coletada representa o todo. É possível não recomendar para certificação uma empresa que cumpre todos os requisitos técnicos simplesmente por não conseguir evidenciar que faz”, frisa o gestor, ao Segs.
Ele acrescenta ainda que a falta de governança integrada entre as áreas jurídica, ambiental, de Recursos Humanos (RH) e de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) também é uma falha grave, haja vista que provoca duplicidade de controles, lacunas de responsabilidade, e, principalmente, um sinal que esses setores não se comunicam entre si. “A gestão de requisitos legais não é exclusiva das áreas técnicas. É um processo transversal, que precisa envolver a liderança e estar integrado à estratégia da empresa”, diz.
Boas práticas
Um bom exemplo vem da Minerva Foods, companhia global de alimentos, recebeu no final de 2025 a certificação ISO 45001 na unidade de José Bonifácio (SP), tornando-se a primeira planta frigorífica de bovinos na América do Sul a receber o reconhecimento internacional.
Para tanto, a companhia passou por rigorosa auditoria e investiu em treinamentos e comunicação, implementando controles operacionais, monitorando continuamente o desempenho por meio de inspeções e indicadores, aprimorando processos para garantir ambientes seguros e saudáveis e preparando-se em casos de riscos e emergências. “A conquista reforça os padrões de segurança adotados. Vamos seguir investindo em proporcionar o melhor ambiente de trabalho e segurança a nossos colaboradores”, destaca Raphael de Oliveira Roza, gerente global de SSO da empresa, ao Notícias Agrícolas.


