Quem trabalha no campo está sujeito a uma série de fatores que podem ocasionar acidentes, especialmente quando o assunto envolve defensivos, e o uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) é crucial para evitar e minimizar danos à saúde.
Um levantamento do Centro Paula Souza (íntegra do trabalho aqui) mostra que 60% dos acidentes de trabalho no meio rural poderiam ser evitados com o uso adequado de itens de proteção respiratória, macacões, óculos e, dependendo da atividade, protetores auditivos, por exemplo. Segundo a pesquisa, 97% dos trabalhadores entrevistados receberam treinamento e utilizam EPIs diariamente, sobretudo botas, luvas e touca árabe.
Entretanto, 30,3% afirmaram desconhecer ou não compreender completamente a Norma Regulamentadora 31 (NR-31), que estabelece critérios de saúde e segurança no meio rural, e 27,3% já presenciaram acidentes relacionados ao uso inadequado ou mesmo falta de EPIs.
Vale ressaltar que a tecnologia é uma grande aliada na proteção dos trabalhadores, com funcionalidades que incrementam a proteção e que a Norma Regulamentadora 6 (NR-6), traz especificações para a produção, a comercialização e a utilização de EPI, o que inclui os utilizados no campo.
Segundo informações da Plataforma Broto, ecossistema de agro do Banco do Brasil, é possível encontrar no mercado EPIs com sensores que monitoram e alertam sobre níveis de exposição a produtos químicos ou ruídos excessivos, como coletes e capacetes equipados com dispositivos de rastreamento, que verificam em tempo real as condições de saúde do trabalhador.
Conscientização do trabalhador agrícola
Iniciativas são promovidas para orientar e reforçar a cultura preventiva, a exemplo do Rio de Janeiro, que sancionou a Lei 11.061/25, de autoria da deputada Marina do MST (PT). O texto estipula que o governo estadual realize campanhas informativas em parcerias com os municípios, sendo realizada nas unidades de saúde e escolas públicas localizadas em territórios rurais ou de tradição agrícola ou ainda em os de alta circulação de público.
A norma faz referência à Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos (VSPEA), criada pelo Ministério da Saúde/Sistema Único de Saúde (SUS). “Os agrotóxicos são extremamente prejudiciais à saúde humana, e inúmeras são as consequências a quem é intoxicado. Conscientizar as pessoas que vivem em áreas com uso intensivo e frequente dessas substâncias sobre os riscos crônicos para saúde é um dever do estado”, salienta a deputada.
Primeiros socorros
O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) conta com conteúdo informativo online (disponível neste link) sobre uso correto de defensivos e também primeiros socorros, destacando os principais riscos envolvidos, além de outras precauções, como a identificação e instruções contidas nas embalagens.
“Mesmo com orientações adequadas, acidentes podem ocorrer. Por isso, é fundamental saber como agir em caso de intoxicação ou acidente de trabalho”, explica um dos colaboradores, Sérgio Graff, médico, mestre em Toxicologia pela Universidade de São Paulo (USP), presidente do Centro Brasileiro de Toxicologia e Saúde e CEO da Toxiclin.


