O avanço de períodos de seca e a ocorrência de eventos climáticos extremos colocam a prevenção e a resposta a incêndios no centro das discussões sobre segurança. De acordo com o sistema BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em agosto de 2026, o Brasil registrou 20.222 focos de incêndio, alta de 9,6% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram contabilizados 18.451 focos. Esses dados ajudam a dimensionar os desafios enfrentados por equipes de emergência, indústrias e comunidades em diferentes regiões do país.
Nesse cenário, entre os dias 6 e 8 de outubro, o São Paulo Expo recebe a 16ª edição da Fire Show – International Fire Fair e a 25ª edição da Fisp – Feira Internacional de Segurança e Proteção. Os eventos reúnem 800 marcas expositoras e mais de 60 mil profissionais de 48 países, em uma programação que tem a participação de fabricantes, especialistas e profissionais envolvidos na segurança contra incêndios e na atuação em situações de emergência.
Aumento de riscos climáticos
Para a Associação Brasileira das Indústrias de Equipamentos contra Incêndio e Cilindros de Alta Pressão (ABIEX), o aumento dos riscos associados às condições climáticas exige que a preparação do setor avance junto com a evolução dos próprios eventos extremos. Segundo Nércio de Souza, presidente da entidade, a indústria precisa estar preparada para responder ao aumento da demanda, mas a eficiência no combate começa antes da ocorrência.
“O aumento na frequência e intensidade de queimadas decorrentes de fenômenos como o El Niño não apenas eleva a demanda por equipamentos de combate rápido, mas exige um planejamento antecipado das indústrias. Para este ano, projetamos um crescimento expressivo na procura por sistemas de combate a incêndio florestal, brigadas industriais e sistemas de contenção em infraestruturas críticas”, afirma Nércio.
O executivo também destaca a necessidade de acompanhar a evolução das normas técnicas diante das mudanças nas condições de risco. “A emergência climática exige que as normas técnicas acompanhem a dinamicidade dos riscos. A atualização contínua das normas da ABNT e das Instruções Técnicas dos Corpos de Bombeiros deve acompanhar essas mudanças, garantindo que o dimensionamento dos sistemas considere condições meteorológicas extremas e períodos prolongados de seca”, acrescenta.
Cenários de emergência
A mudança no perfil dos riscos também leva fabricantes e fornecedores a ampliar o escopo das tecnologias apresentadas ao mercado. Na Fire Show, empresas expositoras apresentam equipamentos voltados não apenas aos incêndios industriais, mas também a ocorrências florestais, enchentes, desabamentos e operações de resgate.
Na Resgatécnica, a avaliação é de que eventos associados às condições climáticas exigem uma preparação que considere diferentes tipos de emergência. Para Edward Gontijo, diretor da empresa, o impacto não se limita ao ambiente industrial. “O El Niño não eleva apenas o risco de incêndio dentro da planta industrial. Ele intensifica um espectro maior de desastres: incêndios florestais nas proximidades de operações e comunidades, enchentes e alagamentos, e desabamentos provocados por solo encharcado ou instável”, explica.
A empresa trabalha com sistemas fixos de detecção e supressão para ambientes industriais, equipamentos de mobilidade e resgate para áreas alagadas e tecnologias de estabilização e busca por desabamentos e colapsos estruturais. Na Fire Show, entre os equipamentos apresentados estão o OmniShore, sistema de escoramento e estabilização para resgate urbano, câmeras de busca e detectores de vida, além de botes de salvamento aquático, do veículo anfíbio Sherp e de equipamentos para combate a incêndios florestais.
Segundo Gontijo, a disponibilidade dos equipamentos e a preparação das equipes são fatores decisivos em situações de emergência. “Do ponto de vista de quem fornece e dá suporte a esses equipamentos, o maior desafio técnico é garantir prontidão total: manutenção preventiva, calibração e testes periódicos que assegurem funcionamento correto no exato momento do acionamento. Em resgate, o tempo de resposta é o que diferencia um salvamento bem-sucedido de uma tragédia”, afirma.
Já a Ilumac aposta no avanço dos sistemas de detecção e alarme mais determinísticos, para reduzir o tempo entre a identificação de um alarme e a resposta das equipes. Entre as soluções apresentadas está a LYAX, sistema wireless que reduz a necessidade de infraestrutura física de cabeamento entre dispositivos e facilita a implantação em edificações existentes ou em operação.
Para Giovana Feltrin, diretora de Marketing da Ilumac, a tecnologia deve ser escolhida de acordo com as características de cada projeto. “Cada edificação possui características e riscos diferentes. Por isso, trabalhamos com diferentes tecnologias, como convencionais, endereçáveis de três e dois fios e sem fio, para que a solução seja dimensionada de acordo com a necessidade de cada aplicação”, destaca.
A empresa também apresentará o HAWK, centro de comando e monitoramento que permite centralizar as informações dos sistemas de detecção e alarme de incêndio. “A evolução do SDAI passa cada vez mais por três pilares: detecção eficiente, informação precisa e facilidade de operação. Não basta simplesmente gerar um alarme. É preciso transformar esse sinal em uma informação clara, que permita entender rapidamente o que está acontecendo e onde, porque, em uma situação real de incêndio, cada segundo importa”, afirma Giovana.
No campo dos equipamentos de proteção individual, a Brasimpex leva à Fire Show soluções voltadas especificamente aos riscos enfrentados por profissionais que atuam em incêndios florestais. A empresa destaca a necessidade de diferenciar a proteção térmica e mecânica exigida nessas operações daquela oferecida por equipamentos destinados a outros tipos de ocorrência.
Jean Pierre, CEO da empresa, explica que uma das novidades apresentadas será uma luva desenvolvida especificamente para o combate a incêndios florestais. “Uma luva destinada ao incêndio florestal deve oferecer também proteção contra os riscos térmicos característicos dessa atividade. É comum observar o emprego de luvas de vaqueta, que oferecem proteção mecânica, mas não foram concebidas para proporcionar proteção térmica adequada, ou ainda de luvas destinadas ao combate a incêndios estruturais, que podem sofrer desgaste e deterioração prematuros quando submetidas às condições específicas dos incêndios florestais”, afirma.
A luva Rostaing Protri, segundo a empresa, foi desenvolvida para combinar robustez, durabilidade, destreza e conforto, com proteção contra riscos mecânicos e térmicos. Para Pierre, a especificidade do equipamento representa uma mudança na forma de pensar a proteção dos profissionais. “Mais do que a introdução de um novo equipamento, trata-se de uma mudança de conceito: oferecer ao combatente florestal uma proteção desenvolvida especificamente para os riscos aos quais ele efetivamente está exposto”, conclui.
Serviço:
Fisp – 25ª Feira Internacional de Segurança e Proteção | Fire Show – 16ª International Fire Fair
Data: 6 a 8 de outubro de 2026
Horário da feira: das 13h às 20h
Local: São Paulo Expo (Pavilhão Play Safer – Pavilhão 8)
Endereço: Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 – Vila Água Funda, São Paulo – SP
Credenciamento e informações: feirafisp.com.br | fireshow.com.br
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