Por Sérgio Ussan
É Engenheiro Civil e Engenheiro de Segurança
EMPATIA: Capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de aprender do modo como ela aprende.
Nos artigos anteriores abordei vários aspectos inerentes aos Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho, indicando que a forma fácil de elidir parte dos riscos é atender o determinado nas Normas Regulamentadoras Brasileiras (NRs). Entretanto, alguns Riscos independem das NRs por serem oriundos de Relações Interpessoais e Estilos de Liderança. Para estes riscos a organização empregadora deve dar atenção especial e promover cursos, palestras, treinamento para seus trabalhadores com ênfase para o grupo de líderes no trato com seus subordinados.
É sabido que existem formas de comunicação entre líderes e liderados no canteiro de obras que podem parecer agressivos ou ofensivos e que delas pode surgir a caracterização de Risco Psicossocial que causará danos ao desempenho do trabalhador e sólidos argumentos em ações trabalhistas e perícias judiciais.
Neste momento, a busca de formas para elidir o “Risco” é importante, mesmo crucial, entrando em cena o desenvolvimento da Empatia entre os trabalhadores em geral.
Cabe acrescentar, à definição inicial acima, o que é falta de Empatia: incapacidade ou dificuldade de compreender, sentir e se colocar no lugar de outro, com manifestada indiferença aos sentimentos alheios levando a críticas excessivas e dificuldades de manter relações saudáveis.
Em linguagem simples, líderes que não possuem sentimento de Empatia pelos liderados possivelmente, em diversos momentos, terão comportamento ou ações agressivas que prejudicarão o desempenho do trabalhador em seu comportamento e tarefas cotidianas.
Por isso, aponto algumas medidas recomendadas para colocar em sintonia os diversos profissionais que atuam em uma obra, engenheiros, mestres, encarregados e trabalhadores em geral:
– Disponibilização de treinamento teórico e prático ministrado por Profissional Qualificado com carga horária específica;
– Acompanhamento no canteiro em busca de situações de não Empatia que possam ser levadas à palestras e reuniões de conhecimento da situação, análise dos acontecimentos e aplicações de soluções.
Pode, neste momento, o leitor exclamar: “vai levar tempo para implantar este sistema?”.
Sim, pode levar tempo, tempo este que pode ser menor se as ações determinadas pelo empregador forem rápidas e eficientes. O tempo usado para a qualificação dos trabalhadores, líderes e liderados, deve ser considerado como investimento e não custo.
Existindo Empatia no canteiro de obras certamente serão elididos outros Riscos ligados ao Tema Psicossocial, os quais podemos citar como exemplos:
– Eliminação ou sensível diminuição nas jornadas extensas;
– Fim de metas inalcançáveis ou contraditórias;
– Não mais ocorrerão conflitos entre líderes e liderados;
– Haverá reconhecimento das ações executadas, até com possibilidade de elogios públicos;
– Lideranças reconhecidas e respeitadas;
– Aceitação de áreas de descanso em situações onde ele se faz necessário;
– Atendimento ao normatizado Direito de Recusa.
Sei, por décadas de experiência profissional, que neste momento alguns leitores opinarão que o acima registrado foi o óbvio e nada acrescentou ao seu conhecimento. A estes pergunto: “quantas ações e procedimentos já realizaram visando um correto e bom ambiente de trabalho através da Empatia em canteiros de obras?”.
O que recomendo a todos é que desenvolvam e apliquem de forma real e presencial ações em busca da Empatia em suas obras e, com absoluta certeza, em pouco tempo notarão melhoras na produção e produtividade em suas obras.
Este texto é apenas um pequeno alerta para tirar da zona de conforto os profissionais que ainda não deram atenção ao que vem pela frente com a inclusão dos Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho nas NRs 1 e 17.
Como sempre, o contraditório será bem-vindo.




