Por Ivan Bongiovani Júnior
Em meio a tantas discussões recentes sobre práticas de segurança, onde nos últimos dias, temos visto reflexões importantes e preocupantes sobre a forma como a segurança do trabalho vem sendo tratada gostaria de chamar todos os “bons profissionais a reflexão!”.
Em um cenário cada vez mais dinâmico e competitivo, é comum observarmos profissionais buscando reconhecimento por meio de atitudes que aparentam coragem, ousadia ou domínio técnico. No entanto, é fundamental estabelecer uma distinção clara e inegociável: coragem não pode, em hipótese alguma, ser confundida com imprudência. Experiência não anula risco. E conhecimento não autoriza o descumprimento de normas.
Recentemente, situações foram expostas publicamente que ultrapassam o campo da opinião e entram diretamente no campo da responsabilidade técnica e ética. Mais preocupante do que a execução de práticas inadequadas é a mensagem transmitida por trás delas: a ideia de que, “se não deu errado”, então está aceitável.
Esse tipo de mentalidade é exatamente o que sustenta a cultura reativa, ou seja, aquela que se aprende apenas após o acidente.
Segurança não é opção
A segurança do trabalho, por outro lado, é fundamentada na prevenção. E prevenção não é baseada em sorte, improviso ou autoconfiança excessiva. Ela é construída sobre critérios técnicos, análise de riscos, procedimentos formais e cumprimento rigoroso de normas regulamentadoras.
Quando falamos de Espaços confinados por exemplo, não se trata apenas de entrar ou não entrar. Trata-se de cumprir integralmente os requisitos estabelecidos pela NR-33, que envolvem análise preliminar de risco, emissão de Permissão de Entrada e Trabalho (PET), monitoramento atmosférico contínuo, ventilação adequada, equipe de vigia, plano de resgate e uso correto de equipamentos certificados.
Improvisar um detector de gases, negligenciar medições ou ignorar procedimentos não é um “atalho operacional”. É uma violação grave que pode custar vidas.
Mas essa reflexão vai muito além dos espaços confinados.
No trabalho em altura, regulado pela NR-35, não basta “ter experiência” ou “já ter feito várias vezes”. É obrigatório planejamento, análise de risco, sistema de proteção contra quedas, uso correto de EPIs, ancoragens certificadas e equipe capacitada. Quedas continuam sendo uma das principais causas de acidentes fatais no trabalho e, na maioria das vezes, por negligência a requisitos básicos.
Em atividades envolvendo Líquidos e combustíveis inflamáveis, conforme a NR-20, o risco não é visível a olho nu. Vapores inflamáveis, atmosferas explosivas e fontes de ignição exigem controle rigoroso. Ignorar procedimentos, dispensar medições ou subestimar o ambiente não demonstra coragem, demonstra desconhecimento do potencial destrutivo envolvido.
No mesmo contexto de Máquinas e equipamentos, a NR-12 é clara: dispositivos de segurança não são opcionais. Proteções fixas e móveis, sistemas de parada de emergência, bloqueio e etiquetagem (LOTO), tudo isso existe para evitar amputações, esmagamentos e fatalidades. Burlar ou ignorar essas medidas é assumir um risco inaceitável.
Quando falamos de resgate técnico, seja em altura ou em espaço confinado, o nível de exigência aumenta ainda mais. Não existe improviso em resgate técnico. Planos de emergência e procedimentos devem estar previamente definidos, equipes treinadas, equipamentos adequados e prontos para uso. A ausência de planejamento transforma uma vítima em múltiplas vítimas.
Diante de tudo isso, é necessário confrontar, com responsabilidade, uma narrativa perigosa que vem sendo difundida: a de que cumprir normas “demais” atrasa processos, reduz competitividade e impacta financeiramente profissionais e empresas.
Essa visão é limitada e, no longo prazo, insustentável.
Cumprir normas não é ser excessivamente rígido.
Cumprir normas é ser tecnicamente responsável.
Cumprir normas é garantir previsibilidade operacional.
É reduzir passivos trabalhistas.
É evitar interdições, multas e, principalmente, acidentes.
É verdade que, em determinados contextos, a imprudência pode gerar ganhos imediatos, mais rapidez, menor custo aparente, maior volume de entregas. Mas essa lógica é frágil. Porque basta um único evento adverso para comprometer toda uma trajetória profissional ou empresarial.
Coragem pode até te levar a fechar contratos.
Mas é a conformidade com as normas que garante a continuidade do seu trabalho.
Coragem pode te colocar dentro de um ambiente de risco.
Mas é a gestão de segurança que garante que você saia dele.
Responsabilidade técnica
Como profissional da área de Segurança do Trabalho, minha atuação sempre foi pautada na responsabilidade técnica, no compromisso com a vida e na aplicação consistente das normas regulamentadoras. Não se trata de impedir a operação, mas de assegurar que ela ocorra dentro de parâmetros seguros, controlados e sustentáveis.

Essa é também a essência do trabalho desenvolvido pela PREVESEG-ES Serviços e Treinamentos.
Nosso propósito vai além do atendimento legal. Atuamos na construção de uma cultura de segurança sólida, onde cada procedimento tem embasamento técnico, cada medida preventiva tem propósito claro e cada decisão considera, acima de tudo, a preservação da vida.
Trabalhamos para que empresas compreendam que segurança não é custo — é investimento estratégico.
Não é burocracia, é governança operacional.
Não é obstáculo, é diferencial competitivo.
E, principalmente, segurança não é opcional.
O exemplo que damos importa. E muito.
Cada atitude, cada decisão e cada posicionamento contribui diretamente para a formação da cultura organizacional e para o comportamento de outros profissionais, especialmente aqueles que estão em desenvolvimento.
Se queremos um ambiente de trabalho mais seguro, precisamos agir de forma coerente com os princípios que defendemos mesmo que nossos concorrentes façam mais rápido, com menos exigências e com valores abaixo do mercado, reputação não se negocia.
Se queremos valorização profissional, precisamos valorizar a técnica.
Se queremos evolução na área, precisamos combater qualquer prática que banalize o risco.
No final, a discussão não é sobre quem é mais experiente, mais ousado ou mais produtivo.
A discussão é sobre responsabilidade.
Porque, no fim do dia, não é o improviso que salva vidas.
Não é a coragem que previne acidentes.
E não é a sorte que sustenta uma carreira.
É a segurança.
E isso nunca será negociável.

Ivan Bongiovani Júnior
Téc. Seg. do Trabalho
Graduando Eng. Mecânica
Sócio Diretor PREVESEG-ES
Defensor da Segurança do Trabalho e valor a vida.
(27) 99719-8463




