Um levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostra que, somente durante três meses do último ano, as perdas por conta de incêndios rurais somaram R$ 14,7 bilhões no Brasil, com destaque para o Estado de São Paulo, concentrando R$ 3 bilhões de danos, com mais de 240 mil hectares de cana-de-açúcar destruídos, além de estruturas e equipamentos.
Fazendo mais um recorte, segundo o Corpo de Bombeiros de São Paulo, das 580 mil ocorrências atendidas em 2024, 45,5 mil foram de incêndios florestais, o maior registro da história, sendo que boa parte começou nas lavouras. Já em 2025, a média chegou a 31,5 mil, queda atribuída ao clima mais ameno e à união de esforços para melhores práticas preventivas e de combate às queimadas.
Prevenção no setor agro
Corpo de Bombeiros, Polícia Ambiental e setor agro estão ampliando acordos de cooperação e tecnologia, com reuniões de planejamento, encontros locais de orientação e capacitação de pessoal. A Secretaria de Agricultura (com o programa AgroSP +) também apoiou tais mobilizações, o que inclui a interlocução com produtores, a doação de 20 caminhões-pipa para regiões críticas e o treinamento de mais de 3 mil brigadistas voluntários em 500 municípios.
Nos planos para o ano que desponta, as articulações envolvem a consolidação de dados por meio do portal Agro Clima, que reúne índices de mais de cem estações meteorológicas, para servir de base de alertas precisos no período de estiagem. “Todo incêndio começa pequeno. A integração é possível e necessária, e os dados podem acelerar muito a resposta”, afirmou a major Michele Cesar, diretora de Monitoramento da Defesa Civil, durante fórum promovido pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), divulgado pelo Valor.
Drone agrícola
Já em Minas Gerais, o Corpo de Bombeiros (CBMMG) e o Departamento de Engenharia Elétrica do CEFET-MG estudam a adaptação de drones de pulverização agrícola para combater incêndios. A proposta prevê o uso de equipamentos com tanque de 40 litros de água abastecidos pelas viaturas da corporação, que tem capacidade de até 600 litros.
Tenente Pedro Magalhães, responsável pela pesquisa, comenta, à Rádio Itatiaia, que a ação é ainda experimental e tem como foco transformar a tecnologia em solução prática para situações emergenciais, porém que ainda necessita de mais estudos e complementações.
O drone não é o primeiro a ser adaptado para tais funções. Ferramentas como o soprador e o pulverizador costal surgiram na agricultura primeiramente na agricultura. Agora, a pesquisa com drones tem também o propósito de reduzir o esforço humano e aumentar a eficiência nas ocorrências.


