Por Symone Miguez
PhD Delft University of Technology, ergonomista sênior certificada pela ABERGO, fisioterapeuta, e soma 25 anos de experiência em gestão ergonômica e consultoria empresarial
Durante anos de prática, na carreira de qualquer profissional, o corpo acumula décadas de estresse físico e mental, coincidindo com o processo natural de envelhecimento, com perda gradual de massa muscular, entre outros impactos fisiológicos.
Entre médicos cirurgiões não poderia ser diferente. Desconfortos osteomusculares nos segmentos corpóreos, coluna lombar, pescoço, ombros, punhos e mãos, são as maiores queixas destes cirurgiões, variando de acordo com o tipo e tempo de cirurgia, bem como a frequência que este cirurgião opera e se prática ou não alguma atividade física regular.
A consequência é o aumento do número de afastamentos, dores crônicas, diminuição da performance cirúrgica, aumento do risco de erros por fadiga física e ou mental, redução da longevidade na carreira e por vezes aposentadorias precoces.
Alguns ergonomistas entenderam que, apesar das limitações de intervenção em um centro cirúrgico, algo deveria ser feito. Surge então os exoesqueletos cirúrgicos, para auxiliar os cirurgiões durante os procedimentos longos. Esta é uma nova tecnologia, diferente do uso da robótica cirúrgica (sistemas Vinci ou Zeus). O foco agora é dar suporte físico direto, para o cirurgião reduzir a fadiga muscular durantes longos períodos em pé.
Estes exoesqueletos vestíveis, apareceram em 2010, sendo mais divulgado em 2015 -2016 com o dispositivo denominado Archelis, desenvolvido no Japão, para aliviar a pressão sobre os membros inferiores e coluna lombar, permitindo que o cirurgião trabalhe semissentado. Podemos categorizar estes exoesqueletos vestíveis em:
1. Passivos (sem motores; suporte postural por molas, barras e sistemas mecânicos). Geralmente usados para dar suporte ao tronco, pernas e braços;
2. Ativos ou Assistidos (com motores elétricos), sendo menos utilizados nos centros cirúrgicos, devido as questões de esterilização, peso, segurança elétrica e interferência no campo operatório. Os benefícios são imediatos, com relatos de redução e ou eliminação de fadiga muscular durante a cirurgia e redução de afastamentos.
Acredito que o uso dos exoesqueletos vestíveis, será em breve uma realidade em muitos hospitais, que se preocupam com a saúde ocupacional de seus cirurgiões e com ambientes de trabalho ergonômicos.

Foto: Adobestock




