Quando pensamos em geotecnologia, lembramos de localização de um endereço. Pois é nessa mesma lógica, mas aprimorada, que os bombeiros se beneficiam para se inteirar na dinâmica dos incêndios. Em Minas Gerais, o Corpo de Bombeiros (CBMMG) promoveu recentemente a segunda edição do Curso de Geoprocessamento Aplicado a Incêndios Florestais.
Com o objetivo de refinar a tomada de decisões, o curso abordou a utilização de ferramentas de geoprocessamento aplicadas a medidas preventivas e combate focos e chamas, por meio da análise de dados georreferenciados e apoio técnico às operações em campo. Cartografia aplicada, sistemas de informações geográficas (SIG), sensoriamento remoto, elaboração de produtos geoespaciais e aplicativos também foram apresentados no curso.
Além de militares da corporação, um militar do Corpo de Bombeiros do Tocantins (CBMTO) e um servidor do Instituto Estadual de Florestas (IEF/MG) cursaram as 40 horas/aula. “A participação do IEF reforça a relevância da atuação integrada entre os órgãos ambientais e operacionais, promovendo a troca de conhecimentos e o estreitamento institucional, com impactos diretos na qualidade do atendimento prestado à sociedade”, informa comunicado.
Mais agilidade com APPs e drones
A geolocalização enviada por vítimas também é uma ferramenta determinante. Em São Paulo, a corporação desenvolveu o aplicativo Bombeiros Emergência, e desde o lançamento, em 2022, já foram registradas 8,7 mil ocorrências. É possível por meio do sistema o envio da localização para a chegada das equipes de resgate, sendo ideal em áreas rurais ou de difícil acesso. A ideia foi apoiada pelo programa SP Sem Fogo, do Governo do Estado, sendo aprimorada pela Divisão de Tecnologia do Corpo de Bombeiros para suprir as necessidades da população. “O aplicativo trouxe agilidade nos atendimentos, pois os agentes recebem as coordenadas exatas”, explica o capitão Vitor Chaves, chefe da Seção de Desenvolvimento de Tecnologia.
Outra tecnologia empregada pelas corporações é o uso de drones (confira matéria especial em CIPA & Incêndio) na busca por desaparecidos. Na região de município de Santo Estêvão, a 40 km de Feira de Santana (BA), os bombeiros (CBMBA) usaram o dispositivo para reconhecimento aéreo da área e reforço do canil do 3º BBM, deslocado de Salvador, além do apoio de vizinhos e familiares para a procura de um homem, que foi localizado em uma área de difícil acesso, nas imediações do Rio Paraguaçu.
Digitalização de processos
A automatização de processos como o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) ou encaminhamento para regularização também estão no rol de inovações dos bombeiros. Também em Minas Gerais, a corporação conta com o Infoscip Fiscalização – versão do sistema para fiscalização de edificações contra incêndio e pânico do CBMMG atualizado pela Companhia de Tecnologia da Informação de Minas Gerais (Prodemge) – que em seis meses de utilização (iniciada em junho de 2025) já autuaram mais de 7,8 mil estabelecimentos, 4,2 mil vistorias (até janeiro deste ano) e aplicadas mais de 2 mil sanções de advertência.
“Durante as vistorias, avaliamos possibilidades de riscos, licenciamento válido e respeito às medidas de segurança, que devem estar instaladas e serem funcionais. Esses dados eram preenchidos manualmente e com a atualização, ganhamos automação, além de outros recursos como integrações externas e controles inteligentes”, explica capitão Daniel Simon, chefe da Adjuntoria de Sistemas da Diretoria de Atividades Técnicas do CBMMG.
Foto: CBMMG




