O fenômeno climático El Niño, conhecido por interferir no regime de chuvas e no padrão de temperatura e de ventos, eleva consideravelmente o risco de fogo em regiões brasileiras como o Pantanal, o que leva ao treinamento mais intensificado do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS).
Com resposta por ar e em terra, a corporação também é responsável na fase de preparação, com manejos preventivos do fogo, formação de brigadistas, além do trabalho realizado desde 2024 com instalação de bases avançadas nas localidades mais remotas (assunto tratado aqui anteriormente).
“Ao longo de todo o ano, o Corpo de Bombeiros mantém um padrão consistente de qualidade no trabalho. Com as equipes em campo, nos ciclos da operação, em diversos casos conseguimos combater os focos de incêndio antes mesmo de serem registrados pelos sistemas de monitoramento via satélite”, explica o subdiretor de Proteção Ambiental do CBMMS, major Eduardo Teixeira.
Segundo o governo sul-mato-grossense, na Operação Pantanal 2025, houve a área queimada foi de pouco mais de 202,6 mil hectares no estado, volume considerado inferior ao registrado em 2024, quando mais de 2,3 milhões de hectares foram consumidos pelas chamas.
Incertezas sobre El Niño
A influência do El Niño está também gerando incertezas: as chances de aparecer são de cerca de 40% para o mês de junho; já em setembro, essa probabilidade aumenta para 60%, segundo recente relatório da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), órgão de pesquisa ligado ao governo federal dos EUA, e replicado pela Superinteressante.
Estudos internacionais apontam que haverá um crescimento na frequência e intensidade desse evento nas próximas décadas. À CNN, o professor Bruno Conicelli, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP), e um dos autores de uma série de estudos globais sobre o tema, afirma que as queimadas na Amazônia têm origem antrópica, porém, há episódios (2016 e 2024) em que o El Niño foi mais intenso, cujas secas meteorológicas e hidrológicas tornam-se mais severas na floresta.
“Nessas condições, a vegetação depende intensamente da água subterrânea para sobreviver. As árvores menores, com raízes menos profundas, são as primeiras a sofrer com a falta de água”, arremata Conicelli.
Fazendo um paralelo, os incêndios entre as regiões amazônicas que correspondem aos estados do Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia, entre os meses março de 2023 e fevereiro de 2024, foram impulsionados por secas prolongadas ligadas ao El Niño. “Aliadas às condições meteorológicas, as secas explicaram 68% desses incêndios, seguida da influência de ações antrópicas, como desmatamento, agricultura e fragmentação de paisagens naturais”, alerta a matéria.




