Por Symone Miguez
PhD Delft University of Technology, ergonomista sênior certificada pela ABERGO, fisioterapeuta, e soma 25 anos de experiência em gestão ergonômica e consultoria empresarial
As agendas frenéticas, recheadas de reuniões, compromissos, metas, por vezes impossíveis, nem cogitam que um dia tudo isto irá passar, pois você está envelhecendo e terá que encarar seu maior desafio, a aposentadoria, que no Brasil varia por idade, gênero, tempo de contribuição e regras específicas. O envelhecimento da população é um fenômeno mundial. No Brasil, com base nos dados do censo de 2022, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas com 65 anos ou mais cresceu 57,4% em doze anos. A população com 60 anos ou mais chegou a 32,1 milhões de pessoas, 15,8% da população do país. O aumento é de 56% em relação a 2010, quando era de 20,5 milhões (10,8%). A idade mediana da população brasileira aumentou seis anos desde 2010 e passou de 29 para os 35 anos em 2022, demonstrando a necessidade de políticas públicas para combater a violência e desigualdade.
Este cenário de envelhecimento, diferentemente das últimas décadas, conta com um outro fenômeno, o da longevidade humana de forma saudável, impactando positivamente na vida pessoal e profissional destas pessoas. Resumidamente, quero dizer que o perfil do trabalhador mudou, as empresas estão percebendo que existe uma mão de obra qualificada, experiente e ativa, os nossos profissionais 50+ anos, disponíveis no mercado. Mas, o que sua empresa tem feito para garantir ambientes de trabalho adequados para estes trabalhadores maduros? E você ergonomista, tem se preocupado em atuar neste cenário? Cabe, então, falarmos da Ergonomia do Envelhecimento, que é o ramo da ergonomia que analisa as mudanças físicas, cognitivas e psicossociais decorrentes do envelhecimento e propõe soluções para que o trabalho, os sistemas e produtos sejam compatíveis com essas transformações, favorecendo a permanência produtiva e saudável das pessoas no trabalho. É um olhar holístico da interface entre ergonomia, envelhecimento humano e design do trabalho.
Os objetivos principais são:
1. Prolongar a vida laboral com qualidade e dignidade;
2. Minimizar e ou eliminar riscos de fadiga e adoecimento;
3.Valorizar a experiência e o conhecimento dos trabalhadores maduros;
4.Promover transição geracional equilibrada nas empresas.
A Ergonomia do envelhecimento juntamente com uma equipe multiprofissional, considera aspectos como:
1.Mudanças fisiológicas do trabalhador (diminuição de força muscular, flexibilidade, acuidade visual e auditiva);
2.Mudanças cognitivas (alterações na memória operacional, atenção, e tempo de resposta);
3.Fatores psicossociais (experiência acumulada, motivação, sentimento de pertencimento, medo da exclusão ou da obsolescência profissional);
4.Adaptação organizacional (ajustes nas demandas físicas e cognitivas, pausas, ergonomia participativa, redesign de postos e ferramentas);
5.Ambientes inclusivos (acessibilidade, iluminação, ruído, contrastes visuais, interfaces amigáveis).
Sabemos que muitas são as variáveis que levam esses trabalhadores a permanecerem no mercado de trabalho, portanto, cabe a nós, ergonomistas, contribuir com nosso conhecimento para ambientes de trabalho inclusivos.


