Por Rogério Balbinot
A evolução da Segurança e Saúde do Trabalho no Brasil passa, inevitavelmente, pela qualidade da formação dos profissionais que atuam na área. Ao longo das últimas décadas, avançamos de forma significativa em legislação, tecnologia e governança. A digitalização dos processos, a integração de dados e o uso de sistemas capazes de cruzar informações trabalhistas, previdenciárias e ocupacionais ampliaram a capacidade das organizações de monitorar riscos e apoiar decisões. Ainda assim, a maturidade da prevenção depende, sobretudo, da capacidade de formar especialistas preparados para lidar com a complexidade real das organizações e transformar tecnologia em gestão efetiva de riscos.
Nesse contexto, a live realizada pela ANDEST do Brasil no dia 19 de fevereiro marcou o lançamento do Edital do Selo de Excelência 2026–2027 e a apresentação do Programa de Capacitação da entidade. A transmissão contou com a participação da presidente da ANDEST, Elizabeth Cox, e do instrutor Washington Barbosa, responsável pela capacitação “Prevenir Tragédias através da Engenharia de Segurança Proativa”, programada para 7 de março.
Mais do que um anúncio institucional, trata-se de um movimento importante de amadurecimento da Engenharia de Segurança do Trabalho no país.
Excelência além da obrigação legal
Os cursos de pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho já são avaliados por órgãos competentes e seguem requisitos legais definidos. O Selo de Excelência propõe algo diferente: estabelecer critérios que vão além da conformidade mínima.
Essa mudança de perspectiva é fundamental. Quando falamos em prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, cumprir a legislação é apenas o ponto de partida, não o objetivo final.
A proposta do selo cria um ambiente de avaliação baseado em requisitos de excelência, com classificação por níveis Bronze, Prata e Ouro, reforçando a importância da qualidade acadêmica, da estrutura e da qualificação técnica dos programas de formação. Trata-se de um passo relevante para elevar o padrão da formação e, consequentemente, o nível técnico dos profissionais que chegam ao mercado.
O papel institucional da ANDEST
A ANDEST do Brasil tem como missão congregar docentes e promover o aperfeiçoamento contínuo da Engenharia de Segurança do Trabalho no âmbito educacional brasileiro. Iniciativas como o Selo de Excelência reforçam esse propósito ao incentivar padrões mais elevados de qualidade na formação dos especialistas que atuarão diretamente na prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.
O rigor do edital, que exige organização documental, comprovação de qualificação e responsabilidade técnica, reforça um princípio essencial: excelência não se constrói de forma improvisada. Ela exige método, estrutura e compromisso com a qualidade.
Capacitação com foco na prática e na prevenção de tragédias
A apresentação da capacitação “Prevenir Tragédias através da Engenharia de Segurança Proativa”, conduzida por Washington Barbosa, complementa essa iniciativa ao aproximar a formação da realidade das organizações.
O próprio nome da capacitação revela um ponto central. A prevenção efetiva não se constrói apenas no campo conceitual. Ela exige métodos, ferramentas e capacidade de transformar conhecimento em ação.
Tecnologia como aliada da prevenção
A transformação digital vem alterando profundamente a forma como a SST é gerida. Informações que antes estavam dispersas hoje podem ser integradas, analisadas e transformadas em indicadores que orientam decisões estratégicas. O uso de dados, automação e sistemas de gestão amplia a capacidade de identificar padrões, antecipar riscos e fortalecer a governança.
Entretanto, tecnologia não substitui a competência técnica. Ela potencializa o trabalho do profissional preparado para interpretar informações, compreender contextos organizacionais e transformar dados em ações preventivas consistentes.
O futuro da Engenharia de Segurança
À medida que as organizações se tornam mais complexas e os riscos mais interdependentes, cresce a necessidade de profissionais preparados para atuar de forma sistêmica, integrada e proativa. A combinação entre formação sólida, prática profissional e uso inteligente da tecnologia tende a definir o novo padrão da área.
Iniciativas como o Selo de Excelência e programas de capacitação direcionados à prática contribuem diretamente para esse avanço. Elas reforçam a ideia de que a prevenção de tragédias não depende apenas de normas ou ferramentas, mas da qualidade da formação e da atuação dos profissionais responsáveis por aplicá-las.
Um movimento de maturidade da área
O lançamento dessas iniciativas representa mais do que uma agenda institucional. Ele simboliza um movimento de maturidade da Engenharia de Segurança no Brasil: a busca por elevar padrões, fortalecer a formação e consolidar a prevenção como valor estruturante das organizações.
Avançar nessa direção é essencial para que a área continue evoluindo e cumpra seu propósito maior: proteger vidas por meio da técnica, da gestão e do conhecimento.

Foto: RSData
Rogério Luiz Balbinot
CEO da RSData, Engenheiro de Segurança do Trabalho – CREA/RS 53.399 – MTE 18.460; membro dos Grupos de Trabalho do eSocial (GT-Confederativo e GT-FENACON); coordenador do Grupo de SST das Empresas Piloto no eSocial; conselheiro do GEAT (CONTRAB/FIERGS)




