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Iluminação de emergência eficaz exige atendimento aos riscos e equipamentos adequados

Decisiva para a evacuação segura, iluminação de emergência orienta ocupantes, bombeiros e evita o pânico. Com mercado aquecido, especialistas alertam sobre falhas críticas como dimensionamento incorreto, falta de autonomia e manutenção negligente. A certificação dos equipamentos e a adesão às normas são fundamentais, pois a falta de luz aumenta o tempo de abandono em mais de 50%

Por Luciana Sampaio Moreira

 

Quando se fala em projeto de prevenção e combate a incêndio e pânico (PPCIP), cada sistema embarcado tem a sua função. A iluminação de emergência tem várias. Além de indicar a rota de fuga segura para os ocupantes em caso de sinistro – quando a energia elétrica é desligada – fornece o trajeto para a entrada de bombeiros/brigadistas que farão o trabalho de combate às chamas e  mostra a localização exata de equipamentos como sprinklers, hidrantes e extintores. 

De acordo com a engenheira e especialista em Projetos de Prevenção Contra Incêndio, Elaine Gonçalves, de forma específica, o sistema também cumpre a importante função de orientar, direcionar e dar segurança psicológica às pessoas em situações críticas. “Em um incêndio, a fumaça reduz drasticamente a visibilidade. Sem iluminação de emergência, as pessoas perdem a referência de saída, se desorientam e o pânico se instala. Isso aumenta o risco de quedas, aglomerações em locais inadequados e até mortes por asfixia. Ressalto que a falta de luz aumenta o tempo de abandono em mais de 50%. No fogo, minutos são decisivos, e a iluminação de emergência pode ser a diferença entre evacuar em segurança ou não”, ressalta.

Elaine Gonçalves, engenheira e especialista em Projetos de Prevenção Contra Incêndio – Foto: arquivo pessoal

 

Diversidade e exigências normativas

Cada unidade da federação tem suas regras e exigências específicas para a elaboração e execução do PPCIP. No caso de sistemas complexos, o maior desafio enfrentado pelos profissionais que atuam na área é conciliar a diversidade de ocupações e fluxos de pessoas com as exigências normativas. Em hospitais, shoppings ou indústrias, cada ambiente exige um nível de desempenho diferente. Assim, garantir a autonomia adequada, evitar pontos cegos e integrar o sistema com outras medidas de segurança (como sinalização e alarme) são primordiais. 

Mesmo assim, há falhas que se repetem muito. Segundo Elaine Gonçalves, o dimensionamento incorreto dos equipamentos – o que pode resultar em áreas de sombra nas rotas de fuga – e, na outra ponta, o excesso de iluminação e o risco de confundir o usuário no momento da saída são situações que precisam ser observadas.

Outro ponto é a subestimação da autonomia em sistemas que não atendem ao tempo mínimo exigido pela norma (geralmente 1 hora). “Lembrando que deve ser instalado em circuito independente”, frisa. Outras falhas do sistema são a existência de luminárias queimadas, baterias descarregadas e falta de testes periódicos dos equipamentos demonstram um desprezo pela manutenção, o que pode resultar em grandes problemas, no caso de uma situação de incêndio ou pânico que demande a saída rápida das pessoas. Nesse sentido, o projeto pode estar aprovado, mas se a execução e a manutenção não acompanharem, a segurança estará comprometida.

Para ter um PPCIP eficiente, Elaine Gonçalves recomenda:

– Projetar de acordo com a Instrução Técnica do Corpo de Bombeiros de cada Estado, sobre a Iluminação de Emergência e a NBR 10898, respeitando níveis mínimos de iluminância e autonomia e observar com cuidado as trocas de rotas de saída, para não hiperdimensionar o projeto e trazer confusão. Vale, ainda, dimensionar a uniformidade para evitar áreas de sombra;

– Integrar a iluminação com a sinalização de saída, para reforçar a orientação visual. Pensar na localização da sinalização em conjunto com a iluminação, inclusive usando iluminação tipo balizamento em algumas áreas; 

– Facilitar a manutenção, prevendo acesso simples para troca de baterias e realização de teste. É importante ter um plano de manutenção programada.w

O ponto de partida para o PPCIP – projeto que inclui a iluminação de emergência – são as Instruções Técnicas (IT) dos Corpos de Bombeiros Estaduais. No caso de São Paulo, a IT-18 e as Normas Técnicas trazem exigências locais para aprovação do projeto e instalação. Na sequência, a principal referência nacional é a ABNT NBR 10898 – Sistema de Iluminação de Emergência, apoiada por normas elétricas como a NBR 5410 (instalações de baixa tensão).

Para projetos com maior grau de complexidade ou que sigam um padrão internacional, a NFPA 101 – Life Safety Code, seção 7.9, é a base que define iluminância mínima, autonomia e testes do sistema. Além delas, há a NBR IEC 60598-2-22, outra norma técnica brasileira que especifica os requisitos para luminárias de emergência e adapta a norma internacional IEC 60598-2-22 para o contexto nacional, por meio da ABNT.

De acordo com a especialista, não adianta um projeto perfeito se a instalação prioriza o custo para a aquisição dos equipamentos. “A certificação é o que garante que o equipamento instalado é o mesmo que a norma exige. Equipamentos certificados passam por ensaios de desempenho, autonomia e segurança elétrica. Isso evita riscos como baterias que descarregam antes do tempo, luminárias que não atingem o fluxo luminoso necessário ou até falhas de isolamento elétrico”, avalia Eliane Gonçalves.

 

Inspeção e manutenção

Doutora em Engenharia de Segurança ao Incêndio pela Universidade de Coimbra e especialista em análise de projetos de incêndio, combate a incêndio urbano e perícia de incêndio pelo CBMDF, a tenente-coronel da reserva, Dra. Bernadete Minervino ressalta que as normas técnicas sobre o tema recomendam um nível mínimo de proteção. 

“Isso significa que, ao cumprir todos os requisitos previstos na norma, uma edificação terá o nível mínimo considerado de segurança contra incêndio. Mas o nível mínimo não é, necessariamente, o ideal. Tudo vai depender do quão importante é proteger as pessoas ou os bens dessa edificação, lembrando que o não cumprimento desses requisitos mínimos é fator impeditivo para o funcionamento de um empreendimento”, frisa.

Dra. Bernadete Minervino, tenente-coronel da reserva, engenheira e especialista em perícia de incêndio pelo CBMDF – Foto: Arquivo pessoal

Ela explica que, no caso da iluminação de emergência, os critérios avaliados em vistorias técnicas dos Corpos de Bombeiros incluem a instalação fidedigna do projeto aprovado para esse sistema, a presença das luzes em todo o percurso da rota de fuga da edificação, a autonomia mínima de 1 hora após o corte da energia elétrica e a alimentação de energia, com voltagem máxima de volts. “Isso impede que os bombeiros sofram choques ao trabalhar com água durante uma emergência”, frisa. E, para completar, todos os equipamentos de proteção contra incêndio devem ser iluminados.

Dra. Bernadete Minervino ressalta, ainda, que a manutenção é essencial para garantir a eficiência dos equipamentos de emergência. “Os sistemas de proteção contra incêndio, passivos e ativos, são instalados como prevenção. Isso significa que, em situação ideal e se tudo acontecer perfeitamente, eles não serão utilizados. Por isso a inspeção, os testes e a manutenção são fundamentais. Assim, as edificações devem ter um plano de emergência que deixe claro como devem acontecer as inspeções (quem deve fazer, com que frequência e o que deve ser observado) e que toda falha identificada seja prontamente corrigida. Em uma edificação que tenha brigada de incêndio exclusiva, essas inspeções devem ser feitas diariamente”, recomenda.

A especialista tem três orientações importantes. São elas:

1) para os projetistas: deixar claro em notas do projeto que todos os equipamentos utilizados na execução devem ser certificados pelo INMETRO ou por um órgão credenciado pelo mesmo, seguindo todas as especificações previstas nas todas técnicas do Corpo de Bombeiros Estadual e, no que essas forem omissas, pelas normas da ABNT. Além disso, devem sempre fornecer a ART de projeto para o cliente arquivar.

2) para os executores de projeto (empresas de instalação e manutenção): fiscalizar constantemente se os equipamentos adquiridos têm o selo do Inmetro. O ideal é testar por amostragem antes da instalação e entregar aos clientes um manual com as datas de manutenção e troca de cada item, bem como uma descrição de alterações que exijam uma manutenção imediata (por exemplo, se um extintor cair e amassar, deve ser substituído imediatamente). Além disso, devem sempre fornecer a ART de execução para o cliente arquivar.

3) para os proprietários e/ou administradores das edificações: exigir das empresas um manual do usuário com informações sobre a iluminação de emergência e em quais casos é necessário fazer manutenção. Contratar um serviço de Plano de Emergência, elaborado por um profissional qualificado, que seja feito especificamente para cada edificação, prevendo a brigada de incêndio, os procedimentos de inspeção e manutenção e os exercícios simulados de evacuação. 

 

Segurança planejada

Estudos sobre comportamento humano em incêndios mostram que o pânico é um mito frequente que geralmente não ocorre durante o incêndio em si, mas quando as pessoas percebem que não há saída possível. “A ausência de iluminação de emergência aumenta essa sensação de desorientação, elevando o risco de pânico, porque transmite a ideia de que não há uma rota de fuga segura”, aponta o fundador da Academia de Segurança Contra Incêndio (ASCI) e diretor técnico do Guia SEGCI, portal que disponibiliza a legislação de segurança contra incêndio do Estado de São Paulo de forma simplificada e prática, Victor Moraes.

Esse sistema tem outras atribuições, como evidenciar equipamentos perigosos como máquinas rotativas ou que operam em alta velocidade ou em alta velocidade, e que podem representar um risco adicional em meio a uma situação crítica.

“Projetar um sistema de iluminação de emergência não segue uma ‘receita de bolo’. Aspectos como refletância de piso, paredes e teto, além do intervalo de manutenção e limpeza das luminárias, podem alterar significativamente a potência necessária em lúmens. Ambientes industriais com presença de pó, por exemplo, exigem manutenção mais frequente que escritórios, enquanto locais com cores escuras demandam luminárias mais potentes para garantir o mesmo nível de iluminância”, ressalta.

Victor Moraes, diretor técnico do Guia SEGCI e fundador da Academia de Segurança Contra Incêndio (ASCI) – Foto: Arquivo pessoal

Para ele, o erro mais comum é o dimensionamento inadequado das luminárias. “Modelos com cerca de 30 LEDs e apenas 150 lúmens, quando instalados a 2,5 m de altura, tornam-se praticamente ineficazes, embora sejam amplamente utilizados. Outro equívoco recorrente é calcular a iluminação considerando a luminária com o feixe voltado para o piso, mas instalá-la na parede, com o feixe paralelo ao solo, situação que provoca grande perda de iluminância”, exemplifica.

 

Produtos

Equipamentos para iluminação de emergência atendem a diversas especificidades do projeto

A indústria brasileira de prevenção e combate a incêndios tem condições técnicas, operacionais e tecnológicas para atender a demanda do mercado brasileiro com equipamentos de qualidade para sistemas de iluminação de emergência. A Associação Brasileira das Indústrias de Prevenção e Combate a Incêndio (ABIPCI) ressalta a importância da certificação dos produtos, processo que pode ser conduzido nacionalmente a partir da norma técnica da ABNT NBR IEC 60598-2-22 permite que esse processo seja conduzido nacionalmente.

INTELBRAS

Foto: Intelbras/Divulgação

A Intelbras está há 49 anos no mercado brasileiro e tem presença em 98% dos municípios do país, com portfólio completo de produtos e equipamentos que podem ser usados em projetos de todos os portes. Segundo a analista de Produtos e Negócios, Gabrielle Vargas, a empresa tem soluções completas em iluminação de emergência, com opções para áreas internas e externas, atendendo desde ambientes residenciais com necessidade de 100 Lúmens até grandes estabelecimentos comerciais com necessidade de 3.000 Lúmens. “Nossa linha foi desenvolvida em conformidade com a norma NBR 10898, assegurando alto padrão de qualidade, segurança e confiabilidade aos usuários”, destaca.

Para o próximo ano, a empresa está programando uma série de lançamentos, a começar pelo Bloco de Iluminação de Emergência Compact, seguido da Luminária de Emergência de Embutir de 300 Lúmens, que combina design moderno, desempenho eficiente com entrega real de luminosidade, e um excelente custo-benefício.

“O principal diferencial da nossa linha de iluminação de emergência está na confiabilidade e segurança que proporciona aos usuários, resultado de um rigoroso processo de desenvolvimento aliado a um portfólio completo, preparado para atender com eficiência os mais diversos tipos de ambientes”, enfatiza Gabrielle Vargas.

Todos os itens de iluminação de emergência possuem garantia de 12 (doze) meses contra defeitos de fabricação. Além disso, as luminárias incluem o benefício do serviço de troca expressa, garantindo maior agilidade no caso de necessidade de substituição por problemas cobertos pela garantia. 

“Anualmente, investimos cerca de 3% da receita operacional líquida em Pesquisa & Desenvolvimento, contando com o trabalho de mais de 650 profissionais dedicados em uma infraestrutura de laboratórios que ultrapassa 3,2 mil m². Em 2024, tivemos lançamento de 296 novos produtos e a captação de R$ 200 milhões junto ao BNDES para a formulação de um plano de inovação”, comenta.

A área de projetos da Intelbras também desenvolve soluções em parceria com os clientes e realiza regularmente provas de conceito (POCs) e pilotos previstos nos processos internos, o que acelera a validação e a entrega de resultados concretos ao mercado.

 

AUREON

Foto: Aureon/Divulgação

A Aureon é uma empresa brasileira presente no mercado desde 1990, com uma linha completa de equipamentos para iluminação de emergência que atendem exigências técnicas e/ou estéticas. Segundo o diretor comercial, Odair Cazemiro, a companhia busca a excelência em seus produtos por meio do investimento em tecnologia e desenvolvimento, e também em profissionais capacitados e conscientes da responsabilidade que exercem. “Temos um rígido padrão de qualidade que respeita as normas técnicas vigentes como a ABNT-NBR 10898 para criar soluções e equipamentos confiáveis e de longa vida útil.

Entre os lançamentos, a Aureon anuncia a linha de luminárias herméticas AUREON – BSA que une performance, segurança e inovação. Indicada para ambientes grau de proteção IP-66, podem ser usadas também soluções integradas com módulos de LEDS ou lâmpadas TUBOLEDS para funcionamento normal ou em emergência. 

“Todas as linhas de luminárias e blocos autônomos da AUREON tem certificações que atestam resultados satisfatórios nos testes de grau de proteção, impacto, temperatura, autonomia, além de disponibilizar as curvas fotométricas IES de seus produtos para auxiliar no desenvolvimento dos projetos luminotécnicos. Todos ensaios são realizados em laboratórios externos, idôneos e regulamentados como IPT-USP-SP. LABELLO-PUC-RS, LENCO-SP”, comenta.

Odair Cazemiro, diretor comercial da Aureon – Foto: arquivo pessoal

Entre os diferenciais, a linha de produtos Aureon tem garantia de dois anos contra defeitos de fabricação (material posto fábrica – SP) e, após esse período, a empresa disponibiliza atendimento via SAC / Assistência Técnica para solucionar eventuais problemas nos equipamentos.

 

GEVI GAMMA

Foto: Gevi Gamma/divulgação

Referência em iluminação de emergência e alarmes de incêndio, a Gevi Gamma tem 44 anos de mercado e a missão de desenvolver e fornecer equipamentos eletrônicos confiáveis e de alta performance, sempre focados em segurança, qualidade e inovação. Um dos destaques do seu portfólio são as luminárias de emergência autônomas e centralizadas.

O coordenador de marketing da empresa, José Rodrigues Neto, destaca que os diferenciais da empresa são assistência técnica especializada com suporte direto da fábrica e profissionais treinados para orientar o cliente em todos os estágios do projeto e agilidade na solução de dúvidas e problemas por meio de telefone e whatsapp.

“Nossa garantia é de 1 a 2 anos, dependendo do modelo, o que reforça o nosso compromisso com a durabilidade e a qualidade dos materiais. Nossa produção é nacional, com rigorosos testes de conformidade e controle de qualidade em cada etapa do processo produtivo”, frisa. A empresa também tem um sistema ágil para fornecimento de peças de reposição.

José Rodrigues Neto, coordenador de Marketing
da Gevi Gamma – Foto: arquivo pessoal

A variedade dos modelos também é outro diferencial. A linha inclui luminárias pra sobrepor, embutir, balizadoras, sinalização de rota de fuga, entre outros, bem como, soluções para ambientes residenciais, comerciais, industriais e institucionais.

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