Estamos no Janeiro Branco, mês de conscientização sobre a saúde mental, e neste ano está com um diferencial: a aplicação, a partir de 26 de maio, da nova Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que define diretrizes gerais à segurança e saúde no trabalho e o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), o que engloba questões sensíveis e desafios para empresas e massa trabalhadora, como estresse, depressão e Síndrome de Burnout, sendo esta, aliás, já considerada uma doença ocupacional pela Justiça do Trabalho.
E o assunto é de extrema urgência: dados do Ministério da Previdência Social revelam que os afastamentos por transtornos mentais cresceram 67% entre 2023 e 2024, sendo que apenas em 2024, mais de 440 mil trabalhadores brasileiros precisaram se afastar por comprometimento da saúde mental.
Para a psicóloga Adriana Fellippelli, a NR-1 torna-se um termômetro para mensurar e mapear os riscos psicossociais. A orientação, a especialista explica, ao SBT News, é colocar em prática essas determinações identificando comportamentos como exaustão emocional, fatores agravantes, assédio moral e excesso de tarefas no ambiente de trabalho e na jornada laboral em si, o que inclui acolher e escutar quem atua remotamente.
Nova NR-1: programas de prevenção
Um dos pontos fundamentais na nova NR-1 está na aplicabilidade de programas de prevenção e discussão sobre saúde mental. Contudo, essa inciativa é ainda perene e desigual: de acordo com um levantamento do Centro de Referência Einstein em Saúde Mental e Bem-Estar (CRESM-Einstein) com líderes de RH e saúde corporativa, 60% dos entrevistados afirmaram sentir segurança psicológica para se expressar, porém 39% admitiram não contar com suporte adequado da gestão para lidar com estresse.
Luiz Zoldan, gerente médico do Espaço Einstein de Bem-Estar e Saúde Mental, ao Brazil Health, é enfático ao afirmar que sem uma virada célere e coordenada entre empresas, governo e serviços de saúde, esses indicadores podem piorar e, consequentemente, tornarem-se um custo alto a trabalhadores, organizações e economia do país. “A saúde mental precisa ser um pilar estratégico e não apenas um acessório, com participação ativa da alta gestão”, defende.
Já Leandro Oliveira, diretor da Humand no Brasil, ao Você RH, elenca algumas estratégias que podem auxiliar nesse mapeamento, como o uso da tecnologia, mas com uma rotina estruturada e de critérios claros, indo além do campo dos inventários e documentos, bem como uma visão mais séria sobre os riscos psicossociais, ou seja, sem amenizar o tema e engajando os times para o entendimento e busca por soluções.
Oliveira conclui que a NR-1 deve ser considerada uma espinha dorsal para mitigar esse cenário, com foco, principalmente, na prevenção e no gerenciamento proativo.


