Por Elaine Gonçalves
Engenheira de Segurança do Trabalho, especialista contra incêndio, Higienista Ocupacional e professora universitária
Participei recentemente do Talk Show da Engenharia, realizado em São Luís do Maranhão, uma iniciativa do CREA-MA com o objetivo de ampliar a visão dos profissionais sobre os caminhos possíveis da engenharia no cenário atual. O evento reuniu engenheiros de diferentes áreas para discutir técnica, mercado e, principalmente, o papel do profissional diante das transformações que a engenharia vem passando.
Foi um encontro marcado por trocas, reencontros com alunos e reflexões importantes sobre o futuro da profissão, um futuro que exige mais do que domínio técnico.
Engenharia além do cálculo
Durante as discussões, ficou evidente que o mercado tem demandado um perfil de engenheiro mais estratégico. A base técnica continua sendo essencial, mas, sozinha, já não garante crescimento profissional. Hoje, o engenheiro precisa compreender o contexto do cliente, as necessidades do mercado e a forma como seu conhecimento pode se transformar em solução prática e viável.
A engenharia deixou de ser apenas execução de projetos e passou a ser também posicionamento, comunicação e tomada de decisão. Saber projetar é fundamental. Saber aplicar, vender e sustentar esse projeto no mercado é o que diferencia os profissionais que avançam.
Empreender como extensão da engenharia
Outro ponto central abordado no Talk Show foi o empreendedorismo. Ainda existe a percepção equivocada de que empreender significa se afastar da engenharia técnica. Na prática, ocorre exatamente o contrário: empreender exige mais responsabilidade, mais domínio normativo e maior visão sistêmica.
Na área de segurança contra incêndio, por exemplo, o engenheiro não entrega apenas um projeto, mas atua diretamente na preservação de vidas, na continuidade operacional das empresas e no atendimento às exigências legais. Isso eleva o nível de responsabilidade e reforça a importância de uma atuação técnica sólida aliada à visão de negócio.
Multidisciplinaridade como diferencial
O mercado atual também valoriza profissionais capazes de integrar conhecimentos. A multidisciplinaridade deixou de ser um diferencial opcional e passou a ser uma necessidade. Projetos mais complexos exigem diálogo entre disciplinas, entendimento de interfaces e capacidade de oferecer soluções completas.
O engenheiro que compreende o todo, e não apenas sua especialidade isolada, se torna mais competitivo e mais relevante no mercado.
Tecnologia e inteligência artificial na engenharia
A tecnologia, especialmente a Inteligência Artificial, também foi tema de debate. Longe de substituir o engenheiro, essas ferramentas vêm para apoiar processos, otimizar rotinas e reduzir erros operacionais. O diferencial continuará sendo a capacidade humana de análise crítica, responsabilidade técnica e tomada de decisão. Ignorar essas tecnologias não é uma forma de preservação da profissão, mas um risco de obsolescência.
Minha visão
O Talk Show da Engenharia reforçou algo que tenho observado ao longo dos anos: o engenheiro brasileiro é tecnicamente capacitado, mas muitas vezes carece de direcionamento estratégico. As oportunidades existem, mas exigem preparo, visão e disposição para sair do modelo exclusivamente operacional.
O futuro da engenharia pertence aos profissionais que unem técnica e estratégia, conhecimento e posicionamento, responsabilidade e visão de mercado. É essa combinação que transforma o exercício da engenharia em impacto real para a sociedade.
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