Impulsionado durante a pandemia e revertido ao modelo híbrido atualmente, o trabalho remoto ainda rende muito assunto, especialmente no se refere às condições físicas e de saúde mental de quem trabalha nessa modalidade, atendendo a Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que estabelece os riscos psicossociais.
Uma pesquisa feita pela HUG, empresa especializada na curadoria e alocação de profissionais de comunicação, revela que 67,7% dos profissionais em 2025 afirmaram que o home office melhorou a qualidade de vida, mas para 23,1% houve efeitos mistos e apenas 9,2% avaliaram impactos predominantemente negativos.
Saúde mental em foco
Outro achado do levantamento mostrou que 83,6% dos profissionais relataram ao menos um sintoma psicológico no último ano, sendo a ansiedade a mais mencionada, com 51,5% da fatia, seguida por dificuldade de concentração (47%) e sensação de exaustão ou Burnout (39,6%).
Se lidar com o tema já é uma dificuldade, buscar um apoio também é um agravante: a pesquisa constatou que metade dos profissionais paga por acompanhamento psicológico do próprio bolso, enquanto apenas 11,9% contam com o benefício oferecido pela empresa.
Raquel Nunes, especialista em Recursos Humanos na consultoria, disse à Exame, que divulgou a pesquisa, que muito embora o modelo trouxe benefícios à vida dos trabalhadores, há um gap quando o assunto é suporte emocional, pois as organizações não desenvolveram estruturas adequadas para esse novo formato.
Para ela, flexibilidade sem esse apoio gera profissionais mais solitários, exaustos, com a sensação de isolamento e pior, sem produtividade. “Cuidar da saúde mental não é custo, mas investimento estratégico”, destaca a gestora.
Retenção de talentos
Outro estudo, este da consultoria global de gestão organizacional Korn Ferry, mostra que 52% das empresas brasileiras não identifica aumento nos índices de demissão voluntária como consequência da redução dos dias de trabalho remoto ou da adoção do modelo 100% presencial. Já quando se refere a atração e retenção de talentos, isso muda de figura.
Para 52% das empresas, a ampliação da presença física ou totalmente presencial têm dificultado a aquisição de novos profissionais, e o modelo híbrido segue associado a ganhos em resultados e retenção, sobretudo em áreas mais emergentes e de grande relevância, como as de tecnologia.
“O principal desafio está no equilíbrio entre modelos distintos. Quando as regras variam por área, a cultura se fragmenta e para evitar esse efeito, a presença física precisa ter um propósito claro, critérios consistentes e governança bem definida”, esclarece, ao TI Inside, Aline Riccio, vice-presidente de Projetos de Aquisição de Talentos da consultoria, concordando com Nunes e acrescentando, que ter flexibilidade não é mais um benefício, mas uma estratégia de negócio.




