Home SST - Revista CIPA Conheça os benefícios da boa alimentação na saúde osteomuscular

Conheça os benefícios da boa alimentação na saúde osteomuscular

As consequências de patologias decorrentes de riscos ergonômicos podem ser agravadas devido à hiperglicemia e desencadear decisões judiciais desfavoráveis à empresa

Iniciamos este artigo com alguns questionamentos sobre nossas convicções: até onde estamos conscientes da importância da alimentação no contexto geral da saúde do trabalhador? Será que ela realmente pode interferir de forma direta na recuperação de lesões e contribuir para o bom condicionamento orgânico, oferecendo o aporte nutricional, para que músculos, tendões e cartilagens tenham uma boa funcionalidade?

E a resposta para esses questionamentos é, certamente! Uma boa nutrição fornece os elementos necessários na quantidade ideal, como proteínas (atuam na regeneração muscular), vitaminas e minerais (como cálcio e vitamina D3, essenciais para os ossos e articulações), além de antioxidantes, que combatem inflamações. Nutrientes como carboidratos, lipídeos e fibras também complementam as necessidades diárias de cada indivíduo, promovendo um equilíbrio integral de funcionalidade orgânica.

Compreender e atender às necessidades nutricionais individuais, adaptadas às funções específicas dos trabalhadores, é, sem dúvida, um aspecto essencial que pode ser potencializado pela atuação do nutricionista. Uma alimentação ajustada às necessidades de cada trabalhador não apenas atua como suporte ativo para a prevenção de lesões e recuperação muscular, mas também abre espaço para um acompanhamento especializado.

Ademais, o nutricionista possui competência técnica para mitigar as possíveis causas de absenteísmo ocupacional e nas doenças metabólicas. Sua atuação pode promover uma melhora na saúde dos funcionários, abrangendo aspectos físicos, cognitivos e de funcionalidade orgânica como um todo. Por meio de acompanhamento contínuo, será possível agir sobre os resultados ao longo do tempo, avaliar a efetividade das intervenções e adaptar as estratégias conforme as demandas e necessidades.

A seguir apresento três motivos que buscam embasar e justificar a recomendação de ter o nutricionista com foco na saúde ocupacional, inserido no Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) das empresas:

 1 – Afastamento das atividades laborais e o impacto no passivo ocupacional

Ao longo dos anos de atuação na prevenção, correção e manutenção de medidas em prol da segurança e saúde no trabalho, buscando neutralizar ou minimizar os riscos ergonômicos, foi possível contribuir para a recuperação da saúde dos trabalhadores afetados. No entanto, dependendo das circunstâncias, mesmo após tratamento médico e fisioterapêutico, às vezes nos deparávamos com a necessidade de afastar o trabalhador de suas funções habituais, atribuindo-lhe atividades que exigissem menor esforço físico e/ou estresse dentro de patamares normais.

Embora o quadro de saúde frequentemente apresentasse melhora com as medidas convencionais, em alguns casos, o funcionário não atingia uma reabilitação plena, sendo, muitas vezes levado à aposentadoria por invalidez. Isso implicava na necessidade contínua de anti-inflamatórios e fisioterapia, o que, devido aos efeitos colaterais dessas medicações, ainda resultava em impactos negativos à saúde.

Contudo, hábitos alimentares inadequados que favorecem a hiperglicemia, aliados a um estilo de vida incompatível com a saúde metabólica, podem desencadear ou intensificar a resistência à insulina, o pré-diabetes e o diabetes. Esses fatores dificultam o controle do peso corporal e podem levar à obesidade, além de causar alterações metabólicas que também afetam indivíduos cujo IMC (Índice de Massa Corporal) encontra-se dentro da faixa de normalidade (18,5 a 24,9 kg/m²). Nesse contexto, a composição corporal — especialmente o equilíbrio entre massa muscular e tecido adiposo — é um fator essencial para promover qualidade de vida.

2 – A hiperglicemia está associada à dificuldade na regeneração de tecidos ósseos, musculares e tendinosos

A hiperglicemia, é caracterizada pelo aumento irregular dos níveis de glicose no sangue, está frequentemente associada a deficiências metabólicas, como resistência à insulina, pré-diabetes e diabetes mellitus tipo 2. Esse quadro pode gerar acúmulo de produtos finais de glicação avançada (AGEs), com impregnação de açúcares nos tecidos. Esses desajustes metabólicos prejudicam a função imunológica, retardam a cicatrização de feridas e comprometem a regeneração de tecidos.

Além disso, a alteração glicêmica compromete a funcionalidade do colágeno, proteína essencial para a saúde óssea, muscular, tendinosa e cartilaginosa. Destacando-se por seu papel estrutural.O colágeno contribui para a resistência óssea, promove a elasticidade e flexibilidade de músculos e tendões, além de preservar a suavidade das cartilagens. Dessa forma, auxilia no amortecimento das articulações e garante um funcionamento eficiente durante os movimentos, minimizando possíveis impactos articulares.

3 – Decisões judiciais desfavoráveis à empresa em razão das doenças ocupacionais, como bursites, tendinopatias e capsulite adesiva

Os riscos ergonômicos abrangem posturas inadequadas, sobrecarga física e cognitiva, e devem ser identificados e mitigados por meio da Análise Ergonômica do Trabalho (AET), em conformidade com a norma regulamentadora NR-17. O objetivo da AET é definir medidas que visem prevenir doenças ocupacionais, como Lesões por Esforço Repetitivo (LER), Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) e doenças psicossomáticas, como a síndrome de burnout.

Foto: ShutterStock

Adicionalmente, a AET garante às empresas o cumprimento das legislações vigentes, desempenhando um papel fundamental tanto na identificação de riscos quanto na conscientização sobre possíveis ações judiciais que podem impactar os custos processuais. Essas ações envolvem tanto o dever de indenizar trabalhadores afetados por infortúnios no exercício de suas funções quanto a obrigação de ressarcir os cofres públicos pelos gastos com a reabilitação do trabalhador, por meio da ação regressiva do INSS. Para melhor orientação do leitor, reunimos uma compilação de leis (quadro 1).

Arquivo cedido pela autora

Apesar dos avanços normativos, as doenças ocupacionais, continuam sendo frequentemente objeto de decisões judiciais. Isso se deve, principalmente, à negligência de algumas empresas não adotarem medidas preventivas adequadas, o que as expõe a processos desfavoráveis. Quando é comprovado o nexo entre condições de trabalho inadequadas e o surgimento ou agravamento de doenças nos trabalhadores, como bursites, tendinites e capsulite adesiva, as consequências legais tornam-se inevitáveis mediante nexo de causalidade e/ou concausalidade.

No Quadro 2, apresentamos exemplos de ações regressivas do INSS, em que ocorreram nexo de causalidade — relação direta entre o dano e o trabalho — como no caso da tendinite, e concausalidade, que representa fatores que, embora não sejam a causa única, contribuem para o surgimento ou agravamento do dano, como observado na capsulite adesiva.

Arquivo cedido pela autora

Essa última condição, também conhecida como ‘ombro congelado’, está associada à mobilidade reduzida do membro afetado e/ou à hiperglicemia, frequentemente presente em indivíduos com alterações metabólicas. Tais condições evidenciam a importância de ações integradas para lidar com fatores que influenciam a saúde ocupacional e consolidam a missão estratégica do nutricionista nesse campo de atuação.

No contexto das considerações finais, se quisermos aprimorar as metas gerenciais estabelecidas, há apenas um caminho viável: inovar constantemente. A inserção do nutricionista na gestão de saúde e segurança do trabalho, com foco na saúde ocupacional, configura não apenas uma inovação, mas também um diferencial estratégico altamente relevante para as organizações.

Essa importância se justifica pelo fato de que as atividades realizadas pelos trabalhadores — mesmo com o apoio de máquinas e equipamentos — ainda dependem diretamente de seu bom estado de saúde, conhecimento técnico e conscientização quanto à prevenção de acidentes e doenças ocupacionais. Nessa perspectiva, a promoção de uma alimentação adequada, de um estilo de vida saudável e de um acesso contínuo a informações sobre boas práticas de autocuidado, sempre respeitando a realidade financeira de cada trabalhador, tornam-se pilares fundamentais da atuação do nutricionista voltado para a saúde ocupacional, diante da possibilidade de as doenças metabólicas interferirem no agravamento de lesões de origem ocupacional.

Dessa forma, evidencia-se a necessidade de uma gestão estratégica em saúde ocupacional que, ao mesmo tempo em que protege a integridade física e mental dos trabalhadores, contribui para a sustentabilidade das empresas, reduzindo custos com ações judiciais e atenuando impactos financeiros decorrentes de afastamentos e indenizações.

Foto: arquivo da autora

Conceição Freitas Med
Nutricionista pós-graduada – Emagrecimento e Obesidade; Nutrição Funcional / Fisioterapeuta pós-graduada – Ergonomia; Saúde da Mulher e Dermato Funcional; idealizadora e gestora do Programa Saúde: Diferencial competitivo pessoal; profissional e empresarial; idealizadora e gestora da Ação Social Educacional – Comida de Verdade para instituições de ensino; escritora; pedagoga; bacharel em Direito e palestrante; professora de graduação e pós-graduação.

 

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