Os modelos meteorológicos auxiliam a vida das pessoas, desde o tempo de plantio e colheitas até uma simples decisão de levar ou não o guarda-chuva, mas também podem se aliar na previsibilidade de incêndios. Eis que temos o Risco de Fogo (RF), desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que tem como base a probabilidade de ocorrência de um incêndio devido a fatores ambientais como tempo seco, vento e presença de vegetação.
Em Santa Catarina, uma parceria entre INPE e com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina/Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia do estado (Epagri/Ciram) para disponibilizar o RF customizado para as condições locais.
Gestão do risco de fogo
Classificado em cinco níveis de intensidade: mínimo, baixo, médio, alto e crítico, o RF, em geral, tem as variáveis consideradas como precipitação, temperatura máxima do ar e umidade relativa mínima do ar, e usa prognósticos do modelo numérico Global Forecast System (GFS), com resolução espacial aproximada de 25Km, incorporando condições iniciais derivadas do RF observado, sendo estimados a partir do histórico de precipitação acumulada nos últimos 120 dias.
A versão adaptada ao estado permite ainda uma representação mais adequada da variabilidade regional de riscos de chamas, contribuindo para planejamento operacional, tomada de decisão e adoção de medidas preventivas, em especial nos períodos de maior suscetibilidade. Traçando um panorama, o período considerado mais vulnerável em Santa Catarina vai de julho a outubro, e em 2025, apresentou mais de 1,4 mil focos ativos, de acordo com plataforma de dados do Programa Queimadas do INPE.
Felipe Marques de Andrade, pesquisador meteorologista da Epagri/Ciram, explica que o sistema é também capaz de analisar o tipo de vegetação, a altitude, a latitude e os registros de focos. “A disponibilização do RF representa um importante avanço para órgãos de monitoramento ambiental, Defesa Civil, setor florestal, agricultura e gestão pública, além de pesquisadores e demais usuários que necessitam acompanhar as condições favoráveis à ocorrência e propagação de fogo”, afirma o pesquisador.
Perspectivas climáticas
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) se reuniu em março com mais de 80 técnicos e representantes de órgãos federais, estaduais e municipais, além da sociedade civil e instituições de pesquisa para alinhar estratégias sobre risco de incêndios florestais em todos os biomas brasileiros e perspectivas climáticas no país em 2026.
Uma das grandes preocupações está nas expectativas do próximo El Niño no segundo semestre (confira matéria em CIPA & Incêndio sobre o assunto), que tende a intensificar o risco de fogo, principalmente entre os meses de outubro e novembro, período historicamente mais crítico nas regiões que abarcam o Pantanal, Cerrado e leste da Amazônia.
Por meio de dados e articulações, MMA e unidades vinculadas entre estados e municípios brasileiros estão implementando de ações de prevenção. “Avançamos com instrumentos importantes, como a recente aprovação da Estratégia Nacional de Brigadas Voluntárias e também estamos organizando uma base institucional mais robusta, fortalecendo iniciativas nos territórios, com foco na preparação, organização e resiliência das comunidades, ampliando a capacidade de resposta”, salientou o secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, André Lima, durante a reunião.




