Assunto recorrente em CIPA & Incêndio, os planos de contingência para evitar danos causados por incêndios, especialmente com a formação de super El Niño, proporcionam a oportunidade de ampliar estratégias nas comunidades indígenas, o que vai do conhecimento ancestral ao uso tecnológico.
Na Terra Indígena São Marcos, em Boa Vista (RR), moradores reduziram as queimadas nas roças e estão participando de treinamentos para evitar que a má utilização da chamada queima prescrita se transforme em incêndios de grandes proporções.
Tais capacitações são capitaneadas pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com destaque para intensificação no período de estiagem, que em Roraima vai de outubro a março.
“As comunidades tradicionais que usam o fogo nas queimas controladas, no rebrote de pastagem. Elas precisam estar cientes de que esse fogo colocado num período errado pode se tornar um grande incêndio florestal”, contou, ao g1, o supervisor estadual das Brigadas do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), Bruno Eduardo Wapichana.
“Fogo amigo”
Como visto, o Manejo Integrado do Fogo (MIF) é parte essencial para o combate aos incêndios florestais, porém esse “fogo amigo” precisa ser utilizado de maneira correta. Graças a um treinamento do Prevfogo/Ibama, a comunidade indígena Xerente, localizada em Tocantínia (TO), informações técnicas e conhecimentos tradicionais são combinados, inclusive com as trocas entre os anciãos da comunidade e indígenas brigadistas.
“Sempre ouvimos as lideranças das nossas comunidades, que são os anciãos, e fazemos uma consulta antes de decidirmos fazer qualquer tipo de queima”, comentou, ao Globo Rural, o brigadista indígena Adiel Xerente, que apresentou aos habitantes mais antigos locais o planos de queima prescrita deste ano, com o foco em amenizar eventuais incêndios que costumam ocorrer anualmente, entre meados de agosto e setembro.
Intensificação de conhecimentos
Também no Tocantins, a Prefeitura de Xambioá realizou em parceria com Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros Militar (CBMTO), um curso de brigadista, com o propósito de treinar a comunidade para tais ocorrências que possam ameaçar áreas ambientais, propriedades rurais e a segurança da população.
“Os incêndios florestais podem causar danos a vegetação, fauna e recursos naturais, além de oferecer riscos às comunidades próximas às áreas atingidas. Nesse contexto, ações de prevenção, orientação e preparação de equipes capacitadas são instrumentos importantes para reduzir riscos e melhorar a resposta às ocorrências”, destacou o secretário de Meio Ambiente, Sávio Carvalho.
Já em Rondonópolis (MT), a Prefeitura segue intensificando a atuação no combate às queimadas com a ampliação na contratação de brigadistas, a exemplo da recente contratação de seis brigadistas indígenas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Pecuária (Semmaap), que passaram por treinamento realizado por bombeiros militares do 3º Batalhão Bombeiros Militar do Estado.
“O trabalho dos brigadistas indígenas é tão importante quanto a realização das ações preventivas na terra indígena, como a execução de aceiros. Essa resposta rápida de atuação é crucial para o não avanço das chamas ou até para conter o incêndio”, explica secretário de Meio Ambiente, Agricultura e Pecuária da cidade, Álvaro Fachim.


