O Ceará está em evidência com o desenvolvimento de pesquisa e inovação para condições de trabalho dignas e saudáveis. E tais iniciativas são essenciais diante de um contexto desafiador: apenas em 2024, o estado contabilizou 9.296 acidentes de trabalho, dos quais 62 foram fatais, de acordo as Comunicações de Acidente de Trabalho (CATs) registradas.
Aprofundando os índices (mais informações), a média ficou em 11.700 casos nos últimos 12 anos, com saldo de 675 óbitos e 50.358 afastamentos previdenciários nesse período, figurando-o como o 11º estado com mais registros de acidentes de trabalho no país.
Com as atenções voltadas principalmente para a nova Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que lançou luz sobre os riscos psicossociais, uma equipe multidisciplinar, formada por pesquisadores universitários e do setor corporativo, lançou a Lucis Saúde (conheça), plataforma que tem em seu escopo mapear possíveis danos à saúde mental e apresentar insights de planos e práticas relacionados à prevenção.
Trabalho organizado, profissional saudável
O sistema tem como referência o Protocolo de Avaliação dos Riscos Psicossociais no Trabalho (PROART) e conceitos da Psicodinâmica do Trabalho, utilizando questionários e análise de dados para identificar casos que possam impactar a atividade profissional e saúde mental, como a própria organização do trabalho.
“Quando falamos em riscos psicossociais, estamos olhando para situações presentes na própria organização do trabalho que podem afetar a saúde e o bem-estar das pessoas. Sobrecarga, relações conflituosas, falta de reconhecimento e modelos inadequados de gestão, quando persistentes, podem gerar impactos importantes”, explica a psicóloga e mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Adriana Maria Gurgel Gomes, ao O Estado CE.
A plataforma contou com apoio do Sebrae por meio do Catalisa ICT, programa de aproximação entre pesquisas acadêmicas e o mercado. Na seleção em que o projeto participou, 858 propostas foram apresentadas e 316 aprovadas.
Educação financeira
Outro problema envolve o uso consciente do dinheiro e o Mapa da Inadimplência e Renegociações de Dívidas do Serasa, que avalia mensalmente os cenários de endividamento no Brasil, mostrou um fato relevante em relação ao Ceará.
De janeiro a agosto deste ano, teve o maior nível de pessoas endividadas com 52,59% da fatia no Nordeste, segundo o relatório, o que impacta profundamente não só o bolso, mas a mente dos trabalhadores.
Para lidar com esse desafio, o Sindicato das Indústrias de Calçados de Fortaleza (Sindcalf), com apoio da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e do Sebrae Ceará, realizou em outubro, a capacitação intitulada “O Impacto do Endividamento na Saúde, na Segurança e na Permanência do Trabalhador”.
Elisa Miranda, CEO da Qualité MT Medicina e Segurança do Trabalho e ministrante do encontro, explicou a empresários e profissionais do setor como tais reflexos no ambiente empresarial podem ser impactados e como levar a educação financeira aos times que já integram seus quadros.
Um ponto interessante discutido foi sobre os trabalhadores que caem na informalidade por conta das dívidas. “Temos acompanhado casos em empresas com colaboradores que pedem demissão para ter acesso às verbas rescisórias e pagar dívidas. Outros ainda saem do emprego formal buscando renda sem os descontos em folha dos empréstimos consignados”, alertou a gestora.


