As fortes chuvas que alagaram o túnel do Vale do Anhangabaú, na região central da capital paulista, em 14 de outubro, deixaram veículos alagados e pessoas ilhadas, mas também mostraram o quão são necessárias ações imediatas e antecipatórias em meio a uma emergência climática que já se descortina não apenas no Estado, mas no país.
Para tanto, os bombeiros se mobilizam, desde o monitoramento, até práticas céleres para salvaguardar vidas e prevenir desastres. Essas articulações envolvem as corporações com as polícias, Defesa Civil, comunidade e administração pública, em especial nesse cenário desafiador de El Niño (confira matérias especiais em CIPA & Incêndio).
O Governo do Estado, inclusive, anunciou a estratégia de reunir 181 iniciativas integradas do Plano Estadual de Resiliência às Mudanças Climáticas (PEARC), com investimentos de R$ 29 bilhões, além da ação a São Paulo Sempre Alerta – Operação El Niño 2026/2027.
A tática substitui a Operação Chuvas e fortalece o trabalho de um novo Gabinete Especial, com níveis de alerta para os municípios e a emissão de boletins diários para orientar a atuação do poder público diante dos riscos de tempestades e ondas de calor (mais informações).
Já por parte da Defesa Civil, há uma extensa e intensiva programação de treinamentos, sobretudo para antecipação e combate aos eventos climáticos extremos. “Isso exige adaptação e preparação antecipada. Estamos atuando em conjunto com os municípios, para que as equipes tenham condições de responder de forma coordenada e eficiente”, salienta o Secretário-Chefe da Casa Militar e Coordenador Estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel PM Rinaldo de Araujo Monteiro.
Risco geológico-geotécnico
Um dos assuntos mais comentados é o chamado risco geológico-geotécnico, sublinhado nos alertas enviados à população pela Defesa Civil. Basicamente, trata-se do acúmulo pluviométrico no solo, com o risco de movimento de massas, e, consequentemente, deslizamentos de solo, quedas de barreiras, tombamentos, afundamento e rolamento de detritos.
“Com o acúmulo de água da chuva no solo, a terra fica cada vez mais pesada e menos resistente, o que aumenta o risco de deslizamentos nas regiões afetadas”, destaca matéria da Rádio Itatiaia.
Para se ter uma ideia, Minas Gerais é o estado com mais áreas de risco, com mais de 3,5 mil regiões mapeadas e em torno de 583 mil pessoas afetadas, segundo Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), do Ministério de Minas e Energia.
Capacitações sobre o tema
Com histórico de fortes chuvas e desastres de grandes proporções, o Rio Grande do Sul também se prepara. Recentemente, o Corpo de Bombeiros (CBMRS) em parceria com o Serviço Geológico do Brasil, capacitou os militares para a Percepção e Mapeamento de Áreas de Risco Geológico-Geotécnico.
O foco foi uma imersão na geologia e geomorfologia do Estado, com aulas práticas e teóricas, abrangendo processos hidrológicos e erosivos, movimentos de massa, cartografia e gerenciamento de áreas de risco, além de monitoramento hidrológico e sistemas de alerta, ampliando a capacidade de identificação, avaliação e gerenciamento de áreas de risco, informa comunicado da corporação.


