Home SST - Gestão de Riscos Acidentes com vazamento e contaminação de amônia expõem a urgência da manutenção de maquinários

Acidentes com vazamento e contaminação de amônia expõem a urgência da manutenção de maquinários

Vazamentos de amônia crescem e acendem alerta ambiental e trabalhista; empresas investem em automação para garantir a segurança

A amônia (NH3) é um gás volátil comumente utilizado para a refrigeração em frigoríficos e laticínios, muito requisitado por seu desempenho energético e por conta do banimento dos CFCs. No entanto, apesar das benesses, o produto, conhecido por fluido R-717, é altamente tóxico para a vida humana e ambiental.

Segundo dados do Observatório de Saúde, Trabalho e Ambiente no Agronegócio (ObAgro), divulgados pela Revista do Frio, somente em 2025 foram contabilizados 15 acidentes com vazamento no país, além de um caso envolvendo uma empresa brasileira no Paraguai. O volume equivale a média de um acidente a cada seis dias no período analisado.

Em Ribeirão Preto (SP) um descarte irregular do composto próximo ao Rio Pardo acendeu o alerta para os danos ambientais. Além de contaminar, a substância prejudica peixes, organismos aquáticos, micro-organismos essenciais para o equilíbrio do solo e no ar. No caso, a concentração do gás no ar foi alta o suficiente para causar irritações severas imediatas em moradores do retorno, com danos nos olhos e nariz. “O gás se dissipa rapidamente no ar em áreas abertas. Entretanto, o perigo é considerado muito maior quando a substância atinge o ecossistema local”, endossa a engenheira ambiental Caroline Guerra, em entrevista à CBN.

 

Ocorrências com amônia

Outro caso ocorreu em Cacoal (RO), em janeiro, em um frigorífero no bairro Industrial. Segundo o site Tribuna Popular, funcionários precisaram ser encaminhados para unidades de saúde, as causas não foram informadas e o vazamento foi contido pela própria empresa.

Em nota, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Estado de Rondônia (SINTRA-INTRA) exigiu o banimento da empresa e foi atendido pela Justiça do Trabalho, que determinou a interdição imediata das operações. “Foi uma medida fundamental para proteger a vida, a saúde e a segurança dos trabalhadores, que não podem ser expostos a riscos por negligência ou falta de estrutura adequada. Ambiente de trabalho seguro não é favor; é direito”, reforçou comunicado.

Esse é o segundo caso em frigoríficos rondonienses em menos de dois meses: em novembro, outro vazamento aconteceu na cidade de Pimenta Bueno, intoxicando 27 funcionários. De acordo com uma inspeção feita pelo Ministério Público do Trabalho da região, o problema foi provocado pelo desabamento da estrutura metálica responsável por sustentar os evaporadores do sistema de refrigeração.

“A perícia judicial é uma etapa fundamental para esclarecer as causas do acidente e assegurar que medidas corretivas sejam adotadas de forma definitiva. O MPT continuará atuando para garantir que a empresa implemente padrões rigorosos de segurança, prevenindo novos riscos e preservando a saúde dos trabalhadores”, afirmou, à época, a procuradora responsável pelo caso, Jéssica Alves Resende Freitas.

Vale ressaltar outro acidente de notória repercussão (confira outros casos aqui) ocorrido em novembro de 2024 no município de Inhumas (GO), que vitimou Jeferson Luís dos Santos, de 35 anos, após um mês internado. Segundo matéria do g1, Santos faleceu em decorrência de septicemia, pneumonia e queimaduras de 2º e 3º graus extensos.

Na ocasião do acidente, o Corpo de Bombeiros informou que o trabalhador apresentava sinais de intoxicação e queimaduras no pescoço, no tronco e nos braços, a o frigorífero alegou em nota ao g1 que houve um rompimento de uma das tubulações durante uma manutenção e que todos usavam os equipamentos de proteção necessários.

 

Medidas preventivas

De acordo com a Norma Regulamentadora 15 (NR-15; sobre operações insalubres), são toleráveis até 20 partes por milhão (ppm) como limite máximo de exposição ocupacional, enquanto concentrações superiores a 300 ppm de amônia representam risco de morte a pessoa trabalhadora.

As principais razões para acidentes permeiam a carência de uma manutenção preventiva, a ausência de sensores de detecção e a inexistência ou inadequação de planos de evacuação em tais casos.  Muito embora o Brasil seja guarnecido de regramentos importantes, como a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981) e a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), entidades sindicais e especialistas alertam que os índices de 2025 reforçam a falta da aplicabilidade dessas normas, conforme cita a matéria da Revista do Frio.

 

Modernização para evitar acidentes

 Para solucionar tal demanda, empresas estão investindo na redução de perdas e prevenção de acidentes, a exemplo da Rivelli Alimentos, produtora de proteína animal, que modernizou o purgador de gases incondensáveis de sua planta, em parceria com a Engkcal Engenharia e utilizando tecnologia da multinacional dinamarquesa Danfoss.

Antes disso, o sistema operava com um equipamento antigo, que realizava descargas manuais e liberava altos volumes de amônia, o que trazia riscos operacionais e aumentava a exposição dos profissionais a um ambiente crítico.

Foram instalados dois purgadores inteligentes, que passaram a atender 13 pontos de purga da planta, de forma automática e controlada, integrando sensores inteligentes, monitoramento contínuo de pressão diferencial e ciclos precisos, liberando apenas gases incondensáveis e resultando na redução de até 39% no consumo de amônia.

“Nosso objetivo era reduzir drasticamente o desperdício de amônia e aumentar a segurança do time. Encontramos na solução adotada um avanço relevante, que elevou nossos padrões operacionais e trouxe mais confiabilidade ao processo de refrigeração”, frisa Leonardo Campos, diretor de operações da Rivelli.

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