Seja como entregador por aplicativo, seja para chegar mais rápido ao trabalho, o uso de motocicletas já é um meio de transporte popular em diversos pontos do Brasil, porém também contabiliza casos mais lesivos. Apenas na cidade de São Paulo, o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP; Infosiga) registrou 286 óbitos de 10.543 acidentes com motos somente em 2026, representando 43% do total de sinistros ocorridos na capital paulista.
Já no Brasil, o Atlas da Violência destacou que em 2023, atingiu-se a marca de 6,3 mortes por 100 mil habitantes, alta de 12,5% ante 2022 e, desde 2020, a taxa era mantida em 5,6 para esse tipo de modal. Para piorar, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados pelo g1, mostram que o país tem 475 mil profissionais entregadores como atividade principal, sendo 350 mil na informalidade.
O debate é acalorado no momento, a exemplo, da Convenção 193 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), aprovada em 12 de junho. Nela, endossa a importância do vínculo de emprego entre trabalhadores e plataformas digitais, assunto esse em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), cujo julgamento está previsto para o fim de agosto, informa o ConJur.
EPI para motociclistas
Por conta dessa carência de vínculo empregatício e demais fatores, o que inclui o poder de compra, o uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI) – ou mesmo o estímulo para utilização correta – é por muitas vezes negligenciado, se resumindo a itens obrigatórios como o capacete, segundo o Código de Trânsito Brasileiro, e o colete refletivo – Portaria 251/2007, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Para o instrutor Pablo Berardi, em entrevista ao AutoPapo, vestimentas não podem se resumir a jeans e jaqueta, mas equipamentos completos, como o uso de roupas reforçadas que cubram todo o corpo e bem ajustadas, principalmente o capacete, que precisa ser certificado para atestar a eficiência em caso de uma ocorrência danosa.
Berardi frisa ainda considerar o investimento em calças de proteção, luvas e botas. “Recomendo fortemente os coletes refletivos, para que o condutor seja visto facilmente em qualquer condição”, endossa o especialista.
Bom exemplo
Em Goiânia, a EntreGô Águas Claras, responsável pela logística ligada à plataforma iFood, fez recentemente a premiação da ação Entregador Equipado, em que entregadores parceiros vencedores da dinâmica receberam dez motocicletas, e itens como capacetes, celulares, carregadores portáteis e bags, distribuídos no decorrer da campanha.
Murilo Campos Botelho, CEO da EntreGô Águas Claras, explica que a promoção teve como propósito o reconhecimento da categoria. “É uma classe que ainda é muito desassistida, apesar de ser extremamente importante. São eles que, faça sol ou faça chuva, estão todos os dias nas ruas movimentando a economia e levando conveniência para milhões de pessoas”, afirma o executivo, ao Jornal Opção.
Foto: senivpetro; Magnific





