O Brasil vive um cenário preocupante em relação à saúde mental: em 2025, mais de meio milhão de licenças foram concedidas por transtornos mentais a trabalhadores, ou 4 milhões de notificações, com destaque para um aumento em 15% em afastamentos por ansiedade e depressão, segundo um levantamento do g1 com base em informações do Ministério da Previdência Social.
Eis que se descortina a urgência – e importância – de regramentos como a Norma Regulamentadora 1 (NR-1) e também o treinamento a atender tais casos de crises. Para tanto, entidades como o Corpo de Bombeiros realiza capacitações, simulados, discussões e, principalmente, a pauta da resiliência e escuta a vítimas e os seus familiares.
No Mato Grosso do Sul, a corporação (CBMMS) realizou um curso inédito na preparação de integrantes das forças de segurança pública e de outros órgãos estaduais e de outras unidades federativas para atuação nessas ocorrências, aprimorando a abordagem segura, o diálogo estratégico e o manejo de risco.
E no estado, os números merecem atenção: 10% do total de atendimentos mensais do CBMMS envolvem saúde mental e apenas em dezembro de 2025, foram 270 ocorrências dessa natureza em Campo Grande. “Precisamos levar para dentro de nossas instituições a compreensão de que existem pessoas com necessidades específicas, que exigem acolhimento e uma escuta especializada. Olhar o outro como ele precisa, e não como achamos que deve ser”, observa o comandante-geral, coronel Frederico Reis Pouso Salas.
Já em Santa Catarina, os Bombeiros Voluntários de Presidente Getúlio realizaram simulados presenciais e aulas online para o aprimoramento técnico e humanizado. Segundo matéria do site RBA, o treinamento presencial ocupou áreas em que foi necessária a intervenção temporária no trânsito.
“O curso contou ainda com a participação de bombeiros voluntários e alunos do município, além de integrantes de outras corporações, representantes de diferentes entidades e profissionais da assistência social, fortalecendo a integração entre os serviços e a qualificação do atendimento à comunidade”, frisa comunicado.
Saúde mental do profissional bombeiro
Para o salvamento em geral do público é também crucial a integridade física e mental desse trabalhador bombeiro (confira conteúdo especial aqui), uma pessoa que tem suas dores, frustrações, problemas que podem extrapolar o tolerável e afetar a vida e rotinas. O investimento em departamentos e vivências em prol do bem-estar fazem parte das atividades desses profissionais.
Em Alagoas, o Núcleo de Qualidade de Vida da Secretaria de Estado da Segurança Pública (rede QualiVida da SSP) realizou ações de conscientização, cuidados e combate a preconceitos relacionados ao adoecimento emocional, além de visitas nas sedes operacionais das forças de segurança pública, incluindo os bombeiros (CBMAL). “É importante que a Segurança Pública priorize o cuidado com a saúde dos seus servidores, para que estejam bem e preparados para atender a população. Buscamos acabar com estigmas, mostrar que o adoecimento mental é real e reforçar a importância do autocuidado”, destaca a chefe do setor, sargento Ana Rafaela Meneses.
Já no Rio de Janeiro, a corporação (CBMERJ) fez uma parceria com o Hospital São Francisco na Providência de Deus (HSF), com o objetivo de alinhar a criação de protocolos de atendimento psicológico e psiquiátrico voltado aos bombeiros militares e seus dependentes.
“Cuidar da saúde mental dos nossos bombeiros é uma prioridade institucional. Parcerias como essa fortalecem nossa rede de apoio e garantem que esses profissionais, que diariamente cuidam da população, também recebam acolhimento, atenção especializada e qualidade de vida”, conclui o secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-geral do CBMERJ, coronel Tarciso Salles.




