A saúde mental no trabalho é um tema cada vez mais discutido no Brasil, principalmente após as mudanças na NR-1, que incluíram os riscos psicossociais como obrigatórios no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) das empresas. A Bracol, indústria referência em calçados de segurança e EPIS, se antecipou ao criar, no ano passado, um serviço de acompanhamento psicológico gratuito para os colaboradores, reforçando a preocupação com o bem-estar no ambiente ocupacional. Após enfrentar desafios com o preconceito que existia em relação às questões psicológicas, hoje o atendimento tem fila de espera.
A iniciativa foi implementada em março de 2025 e já beneficiou 91 colaboradores, a maior parte em Lins (SP), além de registros na unidade de Castanhal (PA). O objetivo é oferecer um espaço para falar sobre questões pessoais ou relacionadas ao trabalho, com o intuito de prevenir o agravamento de problemas emocionais, melhorando a qualidade de vida e fortalecendo um ambiente mais saudável, acolhedor e humanizado. O programa tem como principal reflexo a melhora no bem-estar e no engajamento das equipes.
Para Thiago Honório, gerente de Recursos Humanos da Bracol, o maior desafio no início do projeto foi o preconceito em relação aos cuidados com a saúde mental, principalmente no ambiente industrial. “Muitos colaboradores viam o acompanhamento psicológico com certa desconfiança e receio de exposição. Com um trabalho de conscientização, mostrando que o espaço é seguro, confidencial e voltado para o bem-estar, essa barreira foi caindo. Do ano passado pra cá, percebemos uma evolução muito positiva na adesão. Hoje vemos que o preconceito deu lugar a uma busca espontânea por apoio”, afirma Honório.
Terapia gratuita para colaboradores
Atualmente, são realizadas em média 120 sessões mensais com duração de até 50 minutos, presenciais ou online. O atendimento é conduzido por duas psicólogas e está disponível para todas as unidades, distribuídas nos estados de São Paulo, Pará, Paraná e Mato Grosso do Sul, conforme a demanda. A procura pelo serviço envolve assuntos relacionados a problemas de saúde, relações pessoais e ambiente de trabalho, entre outros.
A adesão ao programa varia entre as unidades, principalmente por conta de fatores culturais. O desafio é estreitar a comunicação e demonstrar o valor prático das sessões na rotina de cada colaborador. A companhia já tem planos para consolidar e expandir essa cultura de cuidado com a saúde mental dentro da empresa. “Queremos aprimorar as iniciativas já existentes e continuar quebrando barreiras, ampliando o alcance do projeto para garantir que cada vez mais colaboradores tenham acesso facilitado a esse suporte emocional”, conclui Thiago Honório.
A empresa também mantém outras ações de promoção da saúde mental, como campanhas relacionadas ao Setembro Amarelo e Janeiro Branco, além de palestras sobre temas como assédio moral e sexual, violência contra a mulher e respeito às minorias. As lideranças também estão envolvidas, com participação dos gestores em treinamentos e orientações relacionadas à identificação de possíveis sinais de sofrimento psicológico entre os colaboradores.




