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Calor extremo exige repensar sistemas de ventilação e condições de EPIs no trabalho

O aumento da mudança climática reflete no calor e para que as jornadas em fábricas, escritórios e demais edificações tenham aumento da temperatura e impliquem em medidas de maior cuidado com as condições dos trabalhadores

Noticiamos recentemente o lançamento do guia “Mudança do clima: calor e saúde do trabalhador”, que trata sobre os impactos do calor a quem atua em ambientes externos. Vale ressaltar que isso também reverbera aos que cumprem jornadas em fábricas, escritórios e demais edificações, e que precisam se atentar aos sistemas de refrigeração e outros itens, como os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), que não deixam de funcionar como isolantes térmicos.

Os impactos ambientais também estão em pauta, tanto que o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) está elaborando um Plano Nacional de Ação pelo Resfriamento (PNAR Brasil) em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Uma das ações enfoca justamente os equipamentos de refrigeração para a redução de emissões diretas, associadas aos gases refrigerantes usados em tais sistemas (confira matéria especial sobre os riscos de vazamento de amônia), e indiretas, decorrentes do consumo de energia elétrica desses equipamentos, incluindo soluções em ventilação natural, sombreamento e projetos arquitetônicos bioclimáticos.

“Na raiz do problema, estão os esforços para mitigar e, obviamente, isso requer recursos. Mas também exige que avancemos na agenda de adaptação, já que estamos vivendo sob os efeitos das mudanças do clima e agora estamos no espaço da implementação e da mobilização de recursos à execução dos acordos estabelecidos”, endossou a ministrada pasta, Marina Silva, durante o lançamento do PNAR, em Brasília, em março.

 

Normas Regulamentadoras no combate ao calor

A Norma Regulamentadora 17 (NR-17) estabelece critérios às organizações para providenciar condições de conforto térmico aos trabalhadores nesses locais internos, destacando desde “controle da temperatura, da velocidade do ar e da umidade” (item 17.8.4.2) até “controle da ventilação ambiental para minimizar a ocorrência de correntes de ar” diretas sobre os colaborares (item 17.8.4.2.1).

Para Jairo Cardoso, gerente de marketing da Soler & Palau, em entrevista ao Portal Engenharia e Arquitetura, um ambiente fabril com salubridade térmica precisa estar em consonância com o indicador o IBUTG (Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo), presente em outra norma, a NR-15 (Atividades e Operações Insalubres, Anexo 3). Trata-se de uma equação que considera a temperatura do ar, a umidade e a radiação térmica (levando em conta a carga solar direta e indireta), sendo amplamente utilizada para avaliar ambientes de calor intenso.

Segundo documento da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), os critérios para avaliação têm por base esse Índice relacionado à Taxa Metabólica (M), ou seja,  a média ponderada no tempo de diversos valores de IBUTG obtidos em um intervalo de uma hora (60 minutos), envolvendo a taxa M, que é a quantidade de energia por unidade de tempo produzida no interior do corpo humano correspondente à atividade exercida.

Condições térmicas em ambientes ocupacionais variados

O calor excessivo em ambientes industriais é um desafio crescente para empresas de diversos setores e uma das soluções clássicas é a utilização do ar-condicionado, o que pode gerar despesas não apenas na conta, mas também um prejuízo à sustentabilidade, especialmente quando estas estão na jornada ESG.

Segundo estimativas do setor elétrico, o equipamento pode responder por até 40% do consumo residencial nos meses mais quentes, o que pode ser ainda mais proeminente nas empresas. O emprego de soluções mais ambientalmente responsáveis é essencial para evitar tal demanda; Marina Silva, aliás, destacou que controlar a elevação da temperatura global deve ir além da ampliação do uso de equipamentos de climatização, mas na incorporação de novos padrões de construção, o que inclui as empresas.

É preciso ter mente que as condições de um escritório, em que os sistemas de ar-condicionado mantêm temperaturas homogêneas e controladas, são totalmente diferentes de um chão de fábrica, que exige soluções específicas e energeticamente inteligentes para combater fontes de calor intensas e pontuais.

Na visão de Carlos Santos Junior, engenheiro de aplicação da Sicflux, também ao Engenharia e Arquitetura, além da busca está no equilíbrio de alcançar esse conforto entre a quantidade de calor perdida para o ambiente é igual à quantidade de calor gerada pelo metabolismo humano, como dito anteriormente, considera-se também variáveis, como o nível de esforço físico dos colaboradores e o impacto das vestimentas e EPIs.

Santos Junior recorre à Física para explicar que, a partir de “colocar na balança” esses fatores e variáveis, define-se os valores de temperatura e umidade para eficiência em retirar o calor corpóreo, considerando assim a transferência térmica pela vestimenta usada pelo trabalhador. A velocidade do ar, por exemplo, tem grandes impactos na sensação de conforto, já que o “elemento de convecção acelera a perda de calor do corpo”, conclui o especialista.

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