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CISSP no serviço público: o desafio não está na criação, mas no funcionamento  

Neste artigo, o eng. Rogério Balbinot aborda a Portaria MGI nº 3.410/2026, que estabelece diretrizes para a nova comissão no Sipec. Entenda os desafios para garantir que a Comissão Interna de Saúde e Segurança do Trabalho do Servidor Público (CISSP) transcenda a formalidade e promova a saúde dos servidores

 

Por Rogério Balbinot

 

 

Introdução

A publicação da Portaria MGI nº 3.410/2026 no Diário Oficial da União, em abril de 2026, marca a instituição da Comissão Interna de Saúde e Segurança do Trabalho do Servidor Público (CISSP) no âmbito da administração pública federal, aplicável aos órgãos e entidades integrantes do Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal (Sipec).

A criação de uma nova estrutura de saúde e segurança no trabalho costuma ser vista como um avanço imediato. No entanto, a experiência prática demonstra que o principal desafio não está na instituição da comissão, mas na sua capacidade de funcionar de forma contínua e organizada.

 

O que a portaria estabelece

A portaria determina que os órgãos e entidades integrantes do Sipec devem instituir a CISSP com caráter permanente.

A comissão tem como finalidade a promoção da saúde, a prevenção de riscos e a melhoria das condições de trabalho dos servidores públicos. Para isso, a norma define competências, regras de composição, funcionamento e prazos para implementação.

Entre os principais pontos, destacam-se a obrigatoriedade de composição paritária entre representantes da administração e dos servidores, a realização de reuniões periódicas e a necessidade de registros formais das atividades.

 

O funcionamento como ponto crítico

A criação formal da CISSP atende à exigência normativa. O desafio, no entanto, começa após a sua instituição.

A própria portaria estabelece que a comissão deve atuar de forma contínua, acompanhando a identificação de riscos, verificando as condições de trabalho, propondo ações e acompanhando sua execução.

Isso exige mais do que formalização. Exige rotina, organização e acompanhamento.

Na prática, a ausência desses elementos tende a transformar a comissão em uma estrutura que existe no papel, mas não cumpre plenamente sua finalidade.

 

O que a CISSP precisa sustentar na prática

A atuação da comissão envolve um conjunto de atividades que precisam ser organizadas ao longo do tempo.

Dimensão Exigência prática
Reuniões Realização periódica e registro em atas
Planejamento Elaboração e acompanhamento de planos de ação
Riscos Acompanhamento da identificação e avaliação
Ambiente Verificação das condições de trabalho
Ações Promoção de campanhas e iniciativas preventivas
Ocorrências Acompanhamento de acidentes e agravos à saúde

Esse conjunto evidencia que a efetividade da CISSP está diretamente ligada à capacidade de estruturar e acompanhar essas informações de forma contínua.

 

Integração com outras estruturas

A portaria prevê a possibilidade de atuação integrada da CISSP com outras estruturas existentes, como a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA).

Embora possuam bases legais e públicos distintos, essa integração permite alinhar ações e fortalecer a gestão de saúde e segurança no trabalho dentro dos órgãos públicos.

 

O risco da formalidade

A experiência em saúde e segurança do trabalho demonstra que a existência de uma estrutura formal não garante, por si só, a efetividade das ações.

Sem organização das reuniões, ausência de registros e falta de acompanhamento das decisões, a comissão tende a perder sua capacidade de atuação.

Por outro lado, quando existe estrutura, rotina e registro das atividades, a comissão passa a atuar de forma consistente, contribuindo efetivamente para a melhoria das condições de trabalho.

 

Mais do que instituir, é preciso sustentar

A Portaria MGI nº 3.410/2026 estabelece um modelo de atuação que exige continuidade.

A CISSP não é uma ação pontual, mas uma estrutura permanente que depende da participação dos servidores, da organização das atividades e do acompanhamento das ações ao longo do tempo.

O desafio, portanto, não está apenas em criar a comissão, mas em garantir que ela funcione de forma estruturada e alinhada às suas finalidades.

 

Conclusão

A criação da CISSP representa um avanço importante na organização da saúde e segurança no trabalho no serviço público federal.

O ponto central, no entanto, está na forma como essa estrutura será operacionalizada no dia a dia, especialmente na organização das reuniões, registros e acompanhamento das ações.

Para uma análise técnica mais detalhada sobre a implementação da CISSP na prática e os pontos que exigem maior atenção na gestão, o tema pode ser aprofundado em conteúdo específico que detalha o que muda com a CISSP no dia a dia da gestão de SST.

Foto: RSData/Divulgação

Rogério Luiz Balbinot
Engenheiro de Segurança do Trabalho, membro dos Grupos de Trabalho do eSocial (GT-Confederativo e GT-Fenacon), diretor da RSData (https://www.rsdata.com.br).

 

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