A atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1) entrou em vigor no último dia 26 de maio e impulsiona a cultura preventiva com mais proeminência, indo além do caráter punitivo e reativo, mas observando os riscos psicossociais como uma realidade a ser discutida e com resiliência.
Na opinião Natalia Alves, vice-presidente global de Estratégia e Experiência de Talentos do Wellhub, à EXAME, a questão não se restringe ao indivíduo, mas também na maneira em como o trabalho e o ambiente estão organizados, o que transforma a saúde mental em uma ação conjunta entre gestão, liderança e continuidade operacional.
Já na visão de Alexandre Oliveira Tricta Haruno, advogado e sócio-fundador da THLAW Consultoria Estratégica, em artigo ao Migalhas, não se trata somente de uma atualização técnica, mas a redefinição do papel das empresas e órgãos públicos na proteção da saúde mental, colocando o Brasil em consonância com boas práticas globais.
“As organizações que se atentarem ao tema terão menor risco jurídico, maior engajamento, redução de turnover e ambientes mais saudáveis e produtivos. já as que ignorarem, enfrentarão um cenário de maior exposição, fiscalização e desgaste reputacional. A pergunta agora não é mais ‘se’ devemos tratar riscos psicossociais, mas ‘como’ vamos fazer isso de forma estruturada, ética e sustentável”, destaca em seu artigo.
NR-1 e respeito ao trabalhador
De acordo com os especialistas, a versão da NR-1 vai exigir um diagnóstico menos empírico e mais estruturado, mantendo atualizado o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR; saiba mais em CIPA & Incêndio), com envolvimento de equipes multidisciplinares e, principalmente, a segurança psicológica e escuta às pessoas trabalhadoras.
Para se ter um panorama, de acordo com um levantamento da Ticket, marca de Benefícios e Engajamento da Edenred, com mais de 4 mil trabalhadores do país, 69% afirmaram que um ambiente respeitoso é importante para uma jornada saudável, superando aspectos como alimentação de qualidade (60%), pausas (38%) e equilíbrio entre vida pessoal e profissional (30%).
Tatiana Romero, diretora de Recursos Humanos e Sustentabilidade da companhia, comenta que a produtividade está cada vez mais associada a multifatores, em um ambiente laboral respeitoso essencial para o bem-estar. “Isso inclui lideranças mais facilitadoras – e menos controladoras –, alinhamento adequado das demandas de trabalho, relacionamentos saudáveis e comunicação entre pares e líderes”, frisa a gestora ao RH Pra Você.




