Impulsionado pelas discussões sobre a Norma Regulamentadora 1 (NR-1), um tópico novo se descortina: a importância de ambientes de trabalho saudáveis, respeitosos, com equipamentos e espaços adequados e, quando necessário, adaptados conforme as condições das pessoas trabalhadoras.
Segundo uma pesquisa da gigante do mercado imobiliário JLL (confira a íntegra), mais do que salários e benefícios, os profissionais buscam o reconhecimento genuíno, a conexão com o propósito organizacional, a flexibilidade e o cuidado com o bem-estar físico e emocional durante as atividades, uma fórmula que une gestão, cultura e experiências positivas.
Para tanto, esses espaços precisam estar alinhados com o bem-estar individual e coletivo, sem deixar de lado a tecnologia e a ergonomia, aponta o estudo. O desafio está em entender profundamente o perfil dos usuários dos espaços, explica Dante Righetto, gerente comercial de Serviços de Portfólio da JLL.
“Não existe uma solução única, contudo. É fundamental ouvir as pessoas e desenhar estratégias que façam sentido para cada público, considerando diferentes momentos da jornada do colaborador”, arremata.
E esse termômetro pode ser sentido em números: segundo o relatório Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026, divulgado pela Rádio Itatiaia, para 86% dos colaboradores entrevistados, o bem-estar tão importante quanto o salário, enquanto 85% afirmam que deixariam uma empresa que não prioriza esse tema. Na outra ponta, apenas 17% concordam plenamente que o bem-estar faz parte da cultura de suas organizações.
Cultura do cuidado desde o estágio
A Renapsi, Organização da Sociedade Civil (OSC) que atua na criação de oportunidades de trabalho para jovens, realizou no Tocantins o Fórum Cultura do Cuidado: Relações Saudáveis no Trabalho, reunindo profissionais do Direito, da Psicologia e da Gestão de Pessoas, educadores, jovens aprendizes e representantes de instituições parceiras para discutir temas sensíveis, como o assédio moral e a construção de ambientes de trabalho mais seguros, especialmente a quem está no início da carreira.
Esse, aliás, foi um dos assuntos mais notórios durante o evento, com a palestra sobre assédio moral a aprendizes, abordando relações hierárquicas, direitos, mecanismos de denúncia e redes de acolhimento.
“Como os jovens chegam com pouca bagagem, é importante tomarem conhecimento da cultura do cuidado para terem no início da sua jornada esse saber e conseguirem colocar os devidos limites e o entendimento correto do tema”, explicou Aline Ferreira, diretora da Demà, ecossistema que integra educação, cultura e tecnologia, e uma das palestrantes.
Ergonomia do Ambiente Construído
A Ergonomia do Ambiente Construído é uma área que investiga as relações entre pessoas e espaços arquitetônicos e urbanos, propondo ambientes mais inclusivos e centrados nas necessidades humanas.
Um dos mais recentes estudos vem da professora da Thaise Sampaio, docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que juntamente com a professora italiana Erminia Attaianese, da Universidade de Nápoles Federico II (Unina), escreveram a obra Ergonomics of the Built Environment (Ergonomia do Ambiente Construído, editora Springer Nature).
Resultado de mais de uma década de pesquisas e dividido em seis capítulos, o livro (mais informações aqui) aborda como os projetos arquitetônicos e urbanos devem considerar não apenas aspectos dimensionais, mas também a diversidade humana, o que inclui fundamentos da ergonomia aplicada às cidades e edificações.
“Entre os princípios discutidos estão o envolvimento dos usuários durante o processo de projeto, a valorização da diversidade, o combate a estereótipos e a adoção de soluções capazes de promover acessibilidade, conforto, inclusão e melhor desempenho humano nos ambientes construídos”, frisa Sampaio.





