A ação indiscriminada humana e o cenário de emergência climática enfrentados no planeta não só estampam as manchetes, mas fazem parte de planejamentos e estratégicas das corporações, especialmente no Brasil. Em números, um levantamento da Rede Mundial de Atribuição (WWA), divulgado pelo Observatório do Clima, destaca que mais de 150 milhões de hectares de vegetação foram queimados no mundo todo entre janeiro e abril de 2026, número cerca de 50% maior do que a média recente (2012-2025) e o dobro do mesmo período em 2024, ano mais quente da história até o momento.
Em São Paulo, a Colombo Agroindústria encabeça a companha “Unidos contra o Fogo”, em que são intensificados treinamentos com as equipes de brigadistas da empresa, palestras em escolas técnicas, carreatas de conscientização e uma edição do programa Colombo na Escola, com a ação Brigadistas Mirins.
Nesse caso, a empresa entende que a conscientização precisa estar presente desde cedo, com iniciativas de educar jovens e crianças no enfrentamento e evitando incêndios, bem como o apoio de prefeituras municipais, das Defesas Civis, da Polícia Militar e da Polícia Militar Ambiental, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo a mobilização regional em torno do tema.
Para Luís Marcelo Spadotto, CEO da empresa, a prevenção é uma responsabilidade coletiva. “Além de preparar nossas equipes para agir com rapidez e eficiência, fazemos questão de levar esse conhecimento para as novas gerações”, frisa.
No que se refere aos treinamentos das brigadas, a companhia as realiza periodicamente, com intensificação no período de estiagem, envolvendo um simulado de incêndio em campo, para execução de procedimentos relacionados ao tempo de resposta, avaliação das condições ambientais, direção do vento, deslocamento das equipes e estratégias de contenção das chamas.
“Cada brigadista treinado e cada criança conscientizada representam mais pessoas comprometidas com a proteção do meio ambiente e das comunidades onde estamos presentes”, arremata o executivo, ao Jornal Cana.
Maior risco climático e financeiro
Com 180 mil hectares de floresta espalhadas pelo Brasil, a Dexco (antiga Duratex) é considerada a maior produtora de painéis de madeira industrializada (MDF/MDP) do Brasil.
Para frear possíveis problemas como secas, calor extremo, estresse hídrico e demais consequências de focos de chamas, a companhia conta com um robusto programa preventivo e de enfrentamento.
Somente em uma das plantas da empresa, em São Paulo, depende de concessionária para fornecimento de água. A marca recorre, portanto, a caminhões-pipa em situações emergenciais e capta 30% do volume hídrico utilizado internamente, por meio de reúso.
Guilherme Setubal, diretor de Relações com Investidores, Institucionais e ESG da Dexco, à Exame, salienta que um dos principais desafios está em quantificar financeiramente os impactos que os eventos extremos provocam. Em relação ao estresse hídrico, o termo não abrange apenas a falta do recurso, mas a capacidade em não depender de uma fonte externa para fornecer esse bem essencial, destaca o executivo.
Mais equipamentos
Já a Zeus do Brasil, ecossistema de soluções para prevenção e combate a incêndios, com sede em Blumenau (SC), ampliou o seu portifólio de serviços, indo além do fornecimento de equipamentos, atendendo clientes industriais, hospitais, aeroportos, centros logísticos, shoppings, empreendimentos imobiliários e obras de infraestrutura.
A companhia conta com uma equipe de engenharia especializada para o desenvolvimento de projetos nesse quesito. “Antes, a prevenção era vista principalmente como uma exigência regulatória. Hoje, passou a ser reconhecida como uma estratégia de gestão de riscos, continuidade operacional e preservação de ativos. A proteção de vidas sempre será o principal objetivo de qualquer sistema, mas existe também uma dimensão econômica e patrimonial extremamente relevante”, observa Fábio Hoepers, diretor executivo da empresa.





