Por Erlon Torres |
É Especialista em EHS, com 14 anos de experiência. Defensor de uma Segurança do Trabalho mais atualizada e atrativa. CEO do “A Fábrica Podcast” e um amante das tecnologias
Vivemos a era dos algoritmos, mas esquecemos a arte do olhar.
As máquinas aprenderam a medir produtividade, prever falhas e até “mapear emoções”.
Mas ainda não aprenderam a escutar o silêncio de quem sofre.
Em muitas empresas, há uma crença perigosa: a de que números são suficientes para entender pessoas.
Mas dados sem empatia são apenas estatísticas frias sobre corações cansados.
A inteligência artificial pode identificar comportamentos, mas não compreende sentimentos. Ela pode sugerir ações, mas não entende abraços.
Pode dizer quem está sobrecarregado, mas não percebe quem desaba por dentro.
A saúde mental pede algo que máquina nenhuma entrega: presença humana.
Porque o sofrimento não se revela em gráficos, e sim em pausas longas demais.
Em olhares que desviam.
Em vozes que tremem ao dizer “tá tudo bem”.
Há gestores que cuidam de todos, menos de si.
São heróis invisíveis, lideranças que sorriem enquanto se partem em silêncio.
São tão fortes para os outros que se esquecem de ser frágeis para si mesmos.
Mas cuidar é mais do que monitorar.
É estar. É ouvir. É perguntar sem planilha:
“Você está bem de verdade?”
A IA pode apontar tendências, mas só o olhar humano identifica a dor.
E quando substituímos o cuidado pela automação, perdemos o que há de mais essencial na gestão: a capacidade de sentir.
Não há problema em usar tecnologia — o erro está em esquecer o afeto.
O dado ajuda a prevenir. Mas é o cuidado que salva.
O futuro do trabalho não será feito apenas de inteligência artificial, mas de inteligência emocional. De líderes que compreendem que produtividade sem propósito é exaustão com planilha. E que segurança sem empatia é apenas protocolo sem alma.
Porque no fim, chefe, não é o dado que humaniza o trabalho.
É o cuidado.
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