Home SST - Indicadores Impactos ao trabalhador da área de granito expõem a importância de cumprir a SST

Impactos ao trabalhador da área de granito expõem a importância de cumprir a SST

Estudo da Fundacentro destaca a relevância das NRs 11, 15 e 17 para mitigar acidentes, ruídos e riscos ergonômicos no beneficiamento de granito

O Brasil conta com uma das maiores reservas de rochas ornamentais do planeta, exportando para regiões como os Estados Unidos, Europa e da Ásia, com jazidas presentes no Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia e Ceará, e abastecendo diretamente a construção civil, no acabamento de pisos materiais para cozinhas, banheiros e outras estruturas. Em números, as exportações brasileiras movimentaram US$ 720,8 mi entre janeiro e julho de 2024, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais (Abirochas).

Na outra ponta, um contingente de trabalhadores expostos a riscos, como esmagamentos, ruídos, ausência de Equipamentos de Proteção adequados (EPI), cortes e contusões, além de um agravante que é a presença de poeira na forma cristalina após a operação de beneficiamento, fato este que o Ministério do Trabalho e Emprego estabeleceu por meio da Portaria 43/2008 (mais neste link) a obrigatoriedade do trabalho a úmido para sanar tal dano que não se restringe a quem está no ambiente ocupacional, mas também a comunidade no entorno dessa atividade.

Fazendo um panorama, somente no Espírito Santo registrou seis mortes no setor até agosto de 2025, segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Mármore e Granito (Sindimármore) e durante todo o ano de 2024, a entidade registrou dez óbitos no estado.

 

Exposição a danos ambientais e à saúde são tema de estudos

 

Um estudo da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), replicado pelo site Terra, revelou que entre 25% e 30% do volume dos blocos extraídos se transforma em resíduos durante o corte, o polimento e o acabamento das rochas. Quando descartados de maneira inadequada, podem causar assoreamento de rios, contaminação do solo e outros danos ambientais, além de prejudicar a saúde dos trabalhadores, quando não estão adequadamente equipados.

Outro levantamento mostrou a realidade desse trabalho e a pneumoconiose, doença pulmonar causada pela inalação prolongada de poeiras minerais, como a sílica e o pó de granito, sendo um dos principais riscos ocupacionais para trabalhadores do setor, apresentado na 5ª Mostra de Experiências Bem-Sucedidas em Vigilância em Saúde do Espírito Santo (ExpovigES).

Intitulado “Pneumoconiose em Barra de São Francisco: impactos da extração de granito na saúde do trabalhador”, o trabalho científico investigou os impactos dessa atividade na saúde da população trabalhadora na região também do Espírito Santo, considerando sua importância para a economia local e a promoção de medidas preventivas.

O trabalho, que no evento foi exposto em formato poster, foi desenvolvido pelas servidoras Josiane da Fraga Januário Felicíssimo e Márcia Lamera Bitencourtt, que atuam na Secretaria Municipal de Saúde e na Vigilância em Saúde do Trabalhador do município, contando com o apoio do secretário municipal de Saúde, Wanderson Melgaço.

“A extração de granito é uma atividade econômica fundamental para a região, mas precisamos estar atentos aos riscos ocupacionais e garantir que os trabalhadores tenham acompanhamento e prevenção”, afirma o secretário.

 

Normas Regulamentadoras

 

O artigo intitulado “O beneficiamento de mármores e granitos e seus desafios sob a ótica da prevenção” (confira a íntegra) aborda os riscos e as legislações a serem seguidas no âmbito da segurança e saúde no trabalho (SST) a quem atua e emprega nesse setor.

Entre os cumprimentos das Normas Regulamentadoras, os autores destacam as NR-17 (ergonomia), NR-11 (transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais) e a NR-15 (atividades e operações insalubres), especialmente no que se refere ao pó gerado durante o beneficiamento de granito.

“Medidas como a adoção de trabalho a úmido, gestão correta de resíduos e a adoção de  máquinas e equipamentos modernos podem colaborar para a redução desse impacto com consequente melhoria nas condições de trabalho”, reforça o artigo assinado pelos tecnologistas da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro) Flavio Maldonado Bentes, Maria de Fátima Torres Faria Viegas e Antonio Lincoln Colucci (aposentado), e analista em ciência e tecnologia Emerson Moraes Teixeira.

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