A Norma Regulamentadora 35 (NR 35), estabelece protocolos detalhados sobre o trabalho em altura, porém outra norma, a NR-7, frisa as diretrizes do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), essencial para realização de exames periódicos para aptidão dos trabalhadores em tal atividade.
Um exemplo vem de Minas Gerais, em que um trabalhador de 60 anos passou mal enquanto realizava serviços de construção civil em uma torre de telefonia, de cerca de 15 metros de altura, no bairro Bom Retiro, em Uberaba. Segundo o Corpo de Bombeiros, ao JM Online, equipes foram acionadas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) para prestar apoio.
Por conta da altura elevada e dificuldade de acesso, uma ação conjunta foi necessária para garantir a segurança de todos, especialmente da vítima, na operação. “No local, o trabalhador recobrou a consciência, foi avaliado por médico do SAMU e, em seguida, encaminhado a uma unidade hospitalar para melhor avaliação”, informa a reportagem.
Importância de um check-up
Como citado, quem atua em ambientes elevados precisa além de equipamentos de proteção (EPI) e segurança nesse cenário, da saúde em dia para que não ocorra um acidente. E isso não é à toa: de acordo com dados do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, divulgados pelo site O Dia, de 2012 até 2024 foram notificados mais de 8,8 milhões de acidentes laborais no país, resultando em quase 32 mil mortes.
Fazendo um recorte, as quedas com diferença de nível correspondem, anualmente, a 14% a 15% dos óbitos e acidentes graves, alerta o levantamento. Para se ter uma ideia, uma tontura leve pode ser fatal a 10 metros de altura.
“Exames de saúde para quem vai trabalhar em altura não são só exigência legal, mas amparo direto à vida. Imagine alguém que não sabe que tem arritmia ou tendência à hipoglicemia?”, reforça Dr. José Cláudio Rangel Tavares, médico do trabalho, da MA Consultoria e Treinamentos, ao site UAI.
Exames recomendados
O especialista elenca que os exames periódicos recomendados são anamnese detalhada, histórico, pressão arterial, ausculta, verificação de sinais neurológicos; glicemia em jejum; avaliação de acuidade visual; eletrocardiograma; e avaliação psicossocial, essa, inclusive verifica se a pessoa pode ter uma fobia de altura. Em casos mais específicos, uma audiometria, ideal para ambientes ruidosos que podem causar uma crise de zumbido; espirometria (função pulmonar) e exames toxicológicos são realizados.
“O médico do trabalho não escolhe exames ao acaso, ele avalia o perfil do trabalhador e os riscos do posto. Existem exames ocupacionais e avaliações que, na rotina, são requisitados em praticamente todos os cenários de trabalho em altura. Isso evita essa exposição de acidente em altura, que pode ser agravada por saúde debilitada”, salienta Tavares.




