Home SST - Indicadores Quase metade dos trabalhadores brasileiros atua sob insegurança psicológica, revela novo estudo técnico

Quase metade dos trabalhadores brasileiros atua sob insegurança psicológica, revela novo estudo técnico

Censo de Saúde Mental 2025 da Vittude coletou respostas de mais de 174 mil pessoas e mostra também que 17% relataram ter sofrido ou presenciado assédio no trabalho

De acordo com o Censo de Saúde Mental 2025, anuário realizado pela Vittude, referência no desenvolvimento e gestão estratégica de programas de saúde mental para empresas, 45% das pessoas atuam em ambientes de baixa segurança psicológica, indicador com maior correlação com os demais fatores de saúde mental e um elemento central para a eficácia organizacional.

Os dados mostram uma evidência consistente: ambientes com alta segurança psicológica apresentam níveis praticamente inexistentes de burnout, mas, principalmente, maior capacidade de inovação, aprendizado e evolução contínua, uma vez que as pessoas se sentem seguras para propor ideias, questionar decisões, oferecer feedbacks francos e sinalizar riscos ou erros. O estudo reuniu dados coletados ao longo do ano-calendário de 2025, com 174.475 respondentes de 35 empresas de grande porte, de todas as regiões do Brasil, abrangendo diferentes funções, níveis hierárquicos e contextos organizacionais.

Além disso, 17% das pessoas avaliadas relataram ter sofrido ou presenciado situações de assédio no ambiente de trabalho, sendo 72% dos casos por assédio moral e 28% por assédio sexual. “Mesmo considerando o impacto desses números, é fundamental reconhecer que o assédio é um fenômeno amplamente subnotificado, e a prevalência real tende a ser ainda maior. É quando percebemos a dimensão da cultura do silêncio que permeia esses casos. Entre 78% e 84% das pessoas que presenciaram ou sofreram assédio optaram por não denunciar, e esse número, por si só, revela um risco psicossocial profundo. O silêncio não nasce apenas do medo, mas também da descrença na efetividade dos canais de denúncia, da percepção de fragilidade institucional, da normalização de comportamentos abusivos e da inexistência de uma segurança psicológica mínima que permita às pessoas se posicionarem sem receio de retaliação”, afirma Tatiana Pimenta, CEO e cofundadora da Vittude.

Censo destaca insegurança psicológica

Para sintetizar os resultados, o Censo utiliza o IVSM – Índice Vittude de Saúde Mental, um indicador integrado que consolida fatores de risco psicossocial, indicadores de saúde mental dos indivíduos e métricas de impacto no negócio em um único número, como sofrimento psíquico, burnout, segurança psicológica, ergonomia cognitiva, percepção de assédio e presenteísmo. A escala de interpretação possui 4 níveis: Zona crítica (0–65); Zona de atenção (66–75); Zona de aperfeiçoamento (76–85); e Zona de excelência (86–100). Em 2025, o IVSM médio das empresas participantes foi de 74, posicionando o conjunto avaliado na zona de atenção, e representando uma leve piora em relação a 2024, quando o valor foi 76.

Outro ponto de destaque é a avaliação da ergonomia cognitiva, baseada em dois modelos clássicos da psicologia do trabalho, Demand–Control–Support (Karasek) e Effort–Reward Imbalance (Siegrist), que analisam a relação entre demanda e autonomia, bem como entre esforço e recompensa no trabalho. Em uma escala que varia de -1 (crítico) a +1 (excelente), o índice agregado foi de 0,13. Do ponto de vista teórico, esse resultado é considerado positivo, indicando a presença de um equilíbrio funcional entre as demandas do trabalho e os níveis de autonomia, assim como entre o esforço despendido e as recompensas percebidas.

“Ainda assim, o resultado aponta oportunidades relevantes de aprimoramento, sobretudo nos fatores que mais influenciam a experiência cotidiana de trabalho. Destacam-se, em especial, ações voltadas à gestão da demanda, com foco na redução de sobrecargas, e ao fortalecimento do controle, ampliando a autonomia para negociação de prazos, definição de prioridades e maior liberdade na decisão sobre como e quando executar as tarefas”, complementa Tatiana

O presenteísmo, quando o colaborador está fisicamente presente no trabalho, mas com capacidade reduzida de executar suas atividades devido a sintomas físicos, emocionais ou cognitivos, também chamou atenção: o índice foi de 32%. Do ponto de vista financeiro, isso revela que as empresas desperdiçam, em média, 32% da folha de pagamento em capacidade produtiva não utilizada. Ou seja, para cada R$100 investidos em salários, R$32 deixam de retornar em forma de trabalho efetivamente realizado, um impacto silencioso, porém profundo, na eficiência operacional.

Saúde mental é prioridade

Para a CEO da Vittude, os achados reforçam a necessidade de tratar a saúde mental como prioridade estratégica. “Observamos que o problema não é individual, é estrutural. Ao consolidar essas informações no Censo, buscamos oferecer ao mercado mais do que estatísticas. Entregamos um instrumento prevencionista, alinhado aos requisitos da NR-1, que permite às organizações identificar pontos críticos, orientar medidas de controle e estruturar programas realmente efetivos de promoção da saúde mental. É um chamado à ação, fundamentado em números, para que líderes compreendam o impacto de suas decisões e adotem práticas que protejam as pessoas e fortaleçam seus negócios”, completa.

Sobre a amostra: O Censo de Saúde Mental reuniu dados coletados ao longo do ano-calendário de 2025, com 174.475 respondentes de 35 empresas de grande porte, de todas as regiões do Brasil, abrangendo diferentes funções, níveis hierárquicos e contextos organizacionais. O relatório completo está disponível gratuitamente em formato de e-book pelo link: https://empresas.vittude.com/anuario-censo-saude-mental/

 

 

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