Se você pensa que as dores na coluna apenas atingem trabalhadores em funções mais braçais, como estoques e carregamento de produtos, engana-se: com o boom das funções mais tecnológicas, com o uso de celulares e notebooks como ferramentas, por exemplo, os profissionais estão indo cada vez mais às consultas de fisioterapia e ortopedia, especialmente os mais jovens e quem está no home office.
Segundo uma pesquisa divulgada pelo g1, nos últimos cinco anos, os atendimentos hospitalares no Sistema Único de Saúde (SUS) para esse problema cresceram 37,5%, já os ambulatoriais cresceram 27%, sendo que a maioria dos pacientes tinha entre 20 e 59 anos de idade. Vale lembrar que houve alta no número de atendimentos em todas as faixas etárias, mas principalmente em pacientes muito jovens, de até 19 anos, reforça o estudo.
O ortopedista Raphael Marcon, chefe do grupo de coluna do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica, ao g1, que esse aumento se deve por conta dessas mudanças nos hábitos de vida, como o sedentarismo, sendo a atividade física uma das principais recomendações médicas.
Afinal, músculos fortes no abdômen e nas costas dão estabilidade e ajudam a reduzir as dores. É o que defende Fernanda Maria Cercal Eduardo, fisioterapeuta e doutora em Tecnologia em saúde – Bioengenharia, salientando que a coluna vertebral é o eixo central do corpo humano, e toda a mobilidade de braços e pernas dependem dela.
“Ao mesmo tempo em que ela fornece estabilidade ao corpo, a coluna deve ser flexível o suficiente para uma variedade de movimentos, que recorrem a outras estruturas como ligamentos e músculos. Quando essa musculatura é negligenciada, aumentam os riscos de lesões e dores crônicas”, descreve.
Mobiliário adequado auxilia na prevenção às dores nas costas
Adaptar o ambiente laboral é mandatório, inclusive quem tem a casa como estação de trabalho. A ausência de mobiliário ajustável é um dos maiores vilões, como o uso de sofás ou camas como suporte, acelerando o processo de degeneração das articulações vertebrais.
Cadeiras sem apoio lombar e monitores abaixo da linha dos olhos, por exemplo, tendem a forçar a curvatura natural da coluna e criar uma tensão na região cervical. “Ajustes simples podem transformar a realidade do trabalhador, como manter os pés totalmente apoiados no chão e os joelhos em um ângulo de 90 graus, e o topo do monitor deve estar alinhado à visão para evitar a inclinação constante do pescoço”, frisa conteúdo do site Atlântida.
A fisioterapeuta Fernanda Maria Cercal Eduardo acrescenta ainda que práticas que empregam força muscular e flexibilidade, como pilates, yoga ou treinamento funcional também devem fazer parte do pacote, bem como a aplicação da ergonomia e de descansar do excesso de telas. “Ajustar cadeiras, mesas e telas à altura adequada são importantes, mas as pausas controladas durante as atividades também são fundamentais, bem como controlar o estresse e buscar momentos de desconexão”, conclui.




