A brigada de incêndio em edifícios é essencial não apenas para a prevenção e combate a incêndios, mas também para fomentar a cultura de segurança, salvaguardar esses locais de forte presença de aglomerações e seus públicos, bem como estar antenada com as fiscalizações, atualizações e instruções técnicas por parte dos bombeiros, como no recente regramento para recarga de veículos elétricos em São Paulo.
O governo do Estado sancionou em fevereiro a Lei 18.403, que assegura aos moradores de condomínio o direito de instalar estação de recarga individual para veículos elétricos em vagas de garagem privativas de edifícios residenciais e comerciais. De acordo com a norma, a instalação deve observar a compatibilidade com a carga elétrica, conformidade com as regras da distribuidora de energia e da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), além de execução por profissional habilitado, com emissão de Anotação ou Registro de Responsabilidade Técnica (ART ou RRT).
Para o engenheiro mecânico Valdemir Antunes, coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Mecânica e Metalúrgica do Crea-PR, os condomínios devem investir na manutenção estrutural preventiva e também alerta que caso aconteça um incêndio, os procedimentos são específicos. “É importante ainda não manter produtos inflamáveis próximos aos carregadores e acionar imediatamente a brigada ou bombeiros ao menor sinal de fumaça”, salienta o especialista.
Vale ressaltar que extintores tipo ABC são ideais para focos iniciais nos materiais ao redor das chamas, e que a fuga térmica da bateria (thermal runaway) nos veículos elétricos exige resfriamento intenso com água, trabalho realizado somente por pessoal capacitado, ou seja, ao Corpo de Bombeiros.
Treinamento em condomínios
Os treinamentos nos condomínios devem ser feitos por instrutores credenciados e a brigada deve ser e se manter regulamentada pela Instrução Técnica do Corpo de Bombeiros do estado em que o condomínio está localizado, bem como seguir as normas da NBR 14276, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e a Norma Regulamentadora 23 (NR-23).
Além disso, as administradoras devem tomar nota da renovação do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), que para tal renovação, devem apresentar o certificado da brigada de incêndio consolidada e treinada, informa matéria do SíndicoNet.
Em Mato Grosso do Sul, o Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação do Estado (Seac/MS) realizou um curso de brigada, com simulação prática de combate a incêndios. Segundo o sindicato, a área de serviços de facilities em condomínios da Capital registrou aumento nessa demanda, sendo uma exigência das empresas especializadas em terceirização de mão de obra qualificada nas áreas de portaria, asseio e conservação.
“Quanto mais pessoas preparadas a gente tiver em um condomínio, melhor, até mesmo para saber como acionar o Corpo de Bombeiros, saber acionar o Samu, para poder fazer um atendimento especializado. Muita gente não tem nem essa noção”, afirma, ao Midiamax, o instrutor do curso, o engenheiro de segurança do trabalho Alberto Almeida.
Brigadas em estabelecimentos públicos
Nas edificações públicas, como estabelecimentos de ensino e de saúde, a presença das brigadas é a ponte entre a saída segura de pessoas, localização e extinção de focos de fogo e demais ações antes da chegada dos bombeiros.
Na cidade de Gurupi (TO), o 3º Batalhão de Bombeiros Militar e a Secretaria Municipal de Saúde fizeram uma parceira para capacitar servidores nas unidades de saúde e faz parte das exigências para a regularização do alvará do Corpo de Bombeiros. O curso totalizou 16 horas, com conteúdo teórico disponibilizado no ambiente virtual de aprendizagem da corporação e quatro horas presenciais para treinamento prático.
“A brigada predial é importante para garantir segurança na evacuação de áreas em situação de sinistro e para o atendimento inicial de primeiros socorros aos usuários de prédios públicos ou privados. Caso ocorra algum sinistro, esses servidores estarão capacitados para sair de forma segura e prestar os primeiros socorros às possíveis vítimas”, detalhou o tenente Silvio Silveira, do Corpo de Bombeiros do batalhão, onde ocorreu o curso.




