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5ª PrevWeekend debate soluções técnicas para tirar prevenção de incêndio do papel com eficácia

Com 16 palestras, evento debate desde o comportamento químico do fogo até gestão de emergências, normas técnicas e novas tecnologias

O PrevWeekend chegou à sua 5ª edição em 28 de agosto de 2026, reunindo engenheiros, técnicos de segurança do trabalho, bombeiros, projetistas, instaladores e fabricantes do setor de prevenção e combate a incêndio para dois dias de conteúdo técnico, estudos de caso e discussão sobre o que realmente separa um projeto no papel de um sistema que funciona quando o incêndio acontece de verdade.

O evento nasceu na PrevWorld, iniciativa que fundei para elevar o nível técnico da prevenção contra incêndio no Brasil, e cresceu edição após edição com a contribuição de instrutores independentes, engenheiras e engenheiros, oficiais do Corpo de Bombeiros, presidentes de associações técnicas e fabricantes nacionais, todos dividindo o mesmo palco, sem hierarquia entre quem projeta, quem executa e quem comanda a resposta operacional.

Nesta edição, as 16 apresentações passearam por quatro frentes: o comportamento físico e químico do fogo, o projeto e a execução técnica de sistemas de combate a incêndio, a gestão de pessoas e de planos de emergência, e o que já está mudando, de robôs quadrúpedes apagando incêndio na China a inteligência artificial lendo instrução técnica e apontando divergência de projeto em minutos.

“Prevenção contra incêndio não é só um projetinho. É um movimento.”

— Renata Dal Molin

  1. O COMPORTAMENTO DO FOGO

Do fogo ao projeto

Renata Dal Molin · PrevWorld

A aula abriu com uma provocação direta: quantos projetistas já assinaram um sistema sem entender de verdade como o fogo se comporta ali dentro? A partir do triângulo do fogo (calor, combustível e comburente, os três precisam estar presentes ao mesmo tempo, e toda a lógica de prevenção nasce de atacar um deles), a turma trabalhou uma quebra de percepção central: o fogo não é um fenômeno único, é uma lógica que muda conforme o ambiente. Em compartimento fechado, a lógica é de acúmulo de calor e gases; na indústria, de energia armazenada em vasos pressurizados; em área aberta, florestas, tanques, de vento e topografia. Só depois dessa base a turma revisou os sete fenômenos que todo projetista deveria reconhecer antes de assinar um projeto: flashover, backdraft, BLEVE, fire whirl (o firenado), rollover (ou flameover), boilover e crown fire.

Backdraft: o que é, como identificar e como evitar

Matheus

Treinamento operacional sobre o backdraft como deflagração explosiva causada pela entrada de ar em um ambiente quente, confinado e pobre em oxigênio. A sequência é direta: falta oxigênio, sobram gases não queimados, entra ar pela abertura, a mistura deflagra e a fumaça, nesse cenário, deixa de ser só “visibilidade ruim” para virar combustível. A aula listou os sinais de alerta antes de abrir qualquer porta (fumaça densa sob pressão, pulsando ou saindo por frestas, calor elevado, pouca ou nenhuma chama visível, ruído de aspiração, movimento de ar sendo puxado para dentro) e ensinou a técnica P.O.R.T.A. de abertura controlada em seis passos: controle físico da porta, entreabrir sem se expor ao vão, observar a reação de fumaça e calor, resfriar os gases com jato de 2 segundos, fechar e reavaliar se instável, e só progredir com condição operacional confirmada. Durante a abertura, qualquer sinal crítico, aspiração violenta de ar, fumaça saindo sob pressão, calor subindo rápido, ignição na camada superior ou perda de comunicação com a equipe, significa fechar, resfriar e reavaliar antes de qualquer entrada. A aula também separou backdraft de flashover: no primeiro, o ambiente está pobre em oxigênio e a abertura fornece o comburente que faltava; no segundo, é uma elevação térmica generalizada do ambiente inteiro. Fechamento da aula: no combate a incêndio, controlar o ar é tão importante quanto combater o fogo, abrir não é entrar.

Química e Fogo: normas que precisam caminhar juntas

Galante

Por que um projeto de combate a incêndio que ignora os produtos químicos presentes na edificação protege apenas parte do risco. A aula cruzou as normas NFPA de incêndio (NFPA 1, 13, 72, 101) com as normas de produtos perigosos (NFPA 30, 58, 400, 55) e apresentou o diamante NFPA 704, o símbolo que mapeia simultaneamente inflamabilidade, saúde, reatividade e riscos especiais. Um caso real de São Paulo (2019) mostrou por que isso importa na prática: em um incêndio num depósito industrial, o diamante indicava o símbolo W (reativo à água), e essa sinalização evitou que a brigada usasse hidrantes com água, o que teria causado uma explosão química severa durante a resposta. A aula revisitou ainda o desastre de Feyzin, na França (1966) vazamento de propano, BLEVE numa esfera de armazenamento, 18 mortos (11 bombeiros) e 84 feridos graves, origem dos protocolos modernos de distanciamento de segurança da NFPA 58. Sobre a amônia anidra, usada em sistemas de refrigeração industrial e câmaras frias, Galante destacou o risco duplo de toxicidade e inflamabilidade em ambientes fechados: a NFPA 15/55 exige lavadores de gases, exaustão mecânica de emergência e resfriamento por água nebulizada, além de intertravamento automático que pare compressores e isole linhas assim que o alarme de incêndio dispara. O recado final foi para quem projeta: o risco químico não tem tamanho único está tanto em plantas industriais com HAZOP e QRA quanto num botijão de GLP na cozinha de uma lanchonete, frequentemente subestimado pela escala aparentemente pequena. Fechamento: segurança contra incêndio de excelência começa por enxergar todos os riscos da edificação.

Só se previne o que se compreende

Coronel BM Scharlyston Martins de Paiva · com Ignes Solutions

Uma reflexão direta do comando operacional sobre por que a compreensão técnica real do comportamento do fogo e não apenas o cumprimento formal da norma, é a base de qualquer prevenção eficaz. O Coronel Paiva trouxe para o palco a perspectiva de quem comanda, na prática, a resposta a incêndios reais: a norma diz o mínimo que precisa ser feito, mas quem entende por que aquele mínimo existe consegue tomar decisões corretas exatamente nos casos que a norma não previu.

  1. PROJETO, DIMENSIONAMENTO E EXECUÇÃO

O passo a passo do dimensionamento e cálculo de hidrantes

Elaine Gonçalves

Aula prática de dimensionamento de sistema de hidrantes construída em cima de um projeto real: uma indústria de pescados de 2.255 m², com produção, câmaras frias, armazenamento, expedição e administrativo — o primeiro desafio foi decidir qual ocupação realmente representava o risco predominante do conjunto. Antes de lançar qualquer traço, a turma revisou os componentes que formam o sistema hidráulico preventivo: RTI (reserva técnica de incêndio), trecho de sucção, BCI (bomba de combate a incêndio), trecho de recalque, abrigos e hidrantes, o hidrante de recalque do Corpo de Bombeiros e os instrumentos de automação. O percurso seguiu dez passos — classificar a edificação e sua carga de incêndio, consultar o regulamento estadual e a IT/NT aplicável, definir tipo e RTI do sistema, lançar os hidrantes na planta respeitando rotas de fuga e caminhamento real da mangueira, transformar a planta em isométrico, identificar os dois hidrantes mais desfavoráveis (H-A e H-B), calcular perdas de carga e velocidades, respeitando os limites normativos de 5 m/s na rede geral, 3 m/s na sucção positiva e 2 m/s na sucção negativa, determinar a vazão total e a AMT, selecionar a bomba de combate a incêndio adequada e, por fim, organizar memorial e planilha de forma auditável.

O que é esqueminha?

Eliel · @eliel.ensina

A aula mais dura tecnicamente da edição. Começou com duas não conformidades reais de obra: uma rede de sprinklers sustentada por fita perfurada e cabo de aço onde o projeto exigia tirante rígido com barra roscada (fita não tem carga admissível declarada e cabo de aço trabalha só à tração, permitindo balanço lateral); e porta-paletes inteiros, cinco níveis, sem nenhum bico de sprinkler in-rack instalado, de um total de 4.750 previstos em projeto. Na sequência, Eliel apresentou um levantamento próprio de 18 grandes sinistros ocorridos no Brasil entre outubro de 2025 e agosto de 2026: 9 só em São Paulo, R$ 1 bilhão de prejuízo isolado no centro logístico de Viana (ES) e 10 mortes confirmadas em apenas 4 dos 18 casos. Entre os destaques: o Icebar de Gramado (RS), destruído na fase final de obra com SPCI ainda não comissionado; o Shopping Tijuca (RJ), onde hidrante sem água e detecção falha custaram a vida de uma bombeira civil e de um supervisor de segurança; e um alojamento rural em Vila Valério (ES), sem qualquer sistema de proteção, que matou 4 trabalhadores. Conclusão: em quase todos os casos com laudo público, a falha não estava no projeto estava na manutenção, na brigada e na documentação.

Sistemas de montagem para tubulações de SPCI

Luis Fillipe de Lima Santos · Dinamica Materiais Hidráulicos

Panorama da evolução dos sistemas de tubulação para hidrantes e sprinklers, dos tubos de ferro fundido com juntas de chumbo do século XIX, passando pela consolidação do aço carbono soldado e das normas NFPA no século XX, até a era grooved e CPVC, focada em velocidade de montagem, redução de peso e absorção de vibração sísmica. A aula comparou os quatro meios de ligação normalizados, solda (junta estruturalmente contínua, com qualificação obrigatória de soldador e inspeção 100% dos cordões), flange (união desmontável para pontos de manutenção como bombas e válvulas, com aperto em três passes cruzados), rosca (para diâmetros pequenos, com risco de vazamento sem vedante adequado) e ranhurado/grooved (montagem rápida com junta elastomérica) — e alertou para um detalhe que confunde muita gente em campo: os diâmetros externos dos tubos NBR 5580 e NBR 5590 em 2½” e 6” são diferentes entre si em cerca de 3 mm, e a troca de norma sem checar essa diferença compromete a conexão.

Principais características de uma motobomba

Famac

Aula técnica sobre os quatro parâmetros que definem uma motobomba de combate a incêndio: pressão (mca, metros de coluna de água — a força que impulsiona a água e determina altura e alcance do jato), vazão (m³/h, o volume transportado por hora), potência (cv, a capacidade mecânica do motor necessária para garantir o bombeamento) e grau de proteção IP — IP21 oferece só proteção básica contra gotejamento e serve exclusivamente para ambientes internos e cobertos, enquanto o IP55 é blindado contra poeira e jatos de água de qualquer direção, a escolha certa para instalação externa exposta ao tempo. A turma revisou os três tipos de conexão (rosca, flange e grooved) e a diferença de função entre bomba principal e bomba jockey, a jockey mantém a pressão da rede em stand-by e evita que a bomba principal ligue por qualquer pequena variação, enquanto a principal é dimensionada para o pico de demanda real do sistema. Fechamento em forma de desafio prático: usando o Dimensionador FAMAC, os grupos precisaram encontrar a motobomba ideal para três cenários que mudavam ao vivo, simulando um projeto real de adequação de sistema — vazão de 73 m³/h com AMT de 90 mca, depois a inclusão de uma bomba jockey com AMT de 60 mca, e por fim a substituição da bomba principal por uma de 50 m³/h com AMT de 60 mca, sempre pela lógica de seleção por ponto de operação.

O uso do derivante em situações de emergência

Marina Gonzales · GPM Brasil

Apresentou o derivante como um dos equipamentos mais simples e, ao mesmo tempo, mais subestimados da resposta a emergências. Sozinho, um hidrante alimenta uma única linha de mangueira; com o derivante acoplado, a mesma fonte de água passa a alimentar duas ou mais frentes de ataque simultâneas, sem precisar de um segundo ponto de captação. Na prática isso significa mais agilidade na resposta inicial, melhor aproveitamento da infraestrutura de combate a incêndio já instalada no prédio ou na planta industrial, e um ganho real de capacidade de resposta da brigada exatamente no momento em que cada minuto de atraso conta contra a vida e o patrimônio. A aula teve o apoio institucional da GPM Brasil, fabricante nacional referência em equipamentos de combate a incêndio há mais de 20 anos, com fabricação própria, produção 100% nacional e portfólio que vai da mangueira e do esguicho ao engate storz, chave de mangueira e derivante reforçando, na prática, por que conhecer bem o equipamento disponível é parte da resposta a emergência, tanto quanto o treinamento da equipe.

BIM além do 3D: conectando projeto e execução

Profa. Ms. Mariane Porto Lima

Por que tantos projetos em BIM “param na tela do computador” e viram dor de cabeça na obra? Na maioria das vezes, não é falta de tecnologia é falta de informação. Mariane separou dois conceitos que se confundem o tempo todo: LOD (nível de desenvolvimento, a representação visual do elemento) e LOI (nível de informação, os dados anexados a esse elemento) — mais detalhe geométrico não é mais informação, e modelar não é sinônimo de informar. Ela defendeu o BIM como Geometria + Informação + Relacionamento, e propôs um teste simples para todo projetista: o projeto responde onde instalar, o que instalar, qual produto, qual dimensão, qual conexão e qual fabricante — de um jeito que alguém que não participou do projeto consiga executar sozinho? A aula também apresentou o conceito de família BIM como uma “ficha técnica inteligente” (não um bloco 3D bonito), usando como exemplo o sistema LYAX da Ilumac. Fechamento: BIM não é sobre fazer o projeto parecer mais complexo, é sobre fazer a execução parecer mais simples. Mariane resumiu o papel do projetista BIM numa frase que provocou a plateia: não é aquele que sabe dimensionar, desenhar e modelar é aquele que sabe dimensionar, modelar, estruturar informação e comunicar. E deixou um recado direto aos fabricantes presentes na plateia: quando o fabricante disponibiliza famílias BIM corretamente estruturadas, todo mundo ganha o projetista ganha tempo, o fabricante ganha especificação correta, o executor ganha segurança em obra e o cliente ganha rastreabilidade do que foi realmente instalado.

  1. GESTÃO, LIDERANÇA E PLANEJAMENTO

Do capacete ao comando

Renata Dal Molin · PrevWorld

Liderança situacional aplicada à engenharia e à obra, partindo de uma pergunta incômoda: você é o mesmo líder para o estagiário e para o sócio, para o mestre de obras e para o projetista júnior? Se a resposta for sim, metade da equipe está sendo mal liderada porque o canteiro exige comando (clareza, presença, direção) e o escritório exige escuta, e quem só sabe um dos dois lidera apenas metade do time. A aula apresentou os quatro estilos de liderança situacional: direção (diz o quê, como e quando), orientação (ensina o porquê, dá feedback), apoio (escuta, envolve na decisão) e delegação (define o resultado e confia), cruzados com a maturidade de cada pessoa para cada tarefa específica. O ponto mais desconfortável da aula: quando a leitura de liderança falha, quase sempre não é o método que está no comando, é a reação emocional. A pergunta que Renata deixou para a plateia: você está em condições emocionais de escolher, ou é o piloto automático quem decide por você? A provocação inicial da aula resumiu bem o convite: liderança não é traço fixo de personalidade é leitura de pessoa, de tarefa e de momento, três variáveis que mudam junto com a equipe, e que exigem do líder técnico de PCI tanto a clareza de comando de um canteiro de obras quanto a escuta de uma reunião de escritório, no mesmo dia.

O fim do plano gaveta: plano de emergência estratégico

Douglas Mac’Arthur · CEO — GRECI (Grupo de Resgate e Contra Incêndio)

Uma crítica direta ao plano de emergência feito só para cumprir a NBR 15219 e guardado na gaveta até a próxima vistoria. Douglas apresentou o espectro da emergência da ocorrência simples (um corte ou mal-estar na recepção) à emergência de médio porte (princípio de incêndio em quadro elétrico, vazamento de GLP) até a crise e o desastre (incêndio estrutural, atirador ativo) e separou com precisão emergência (o evento operacional, com impacto imediato) de crise (o desdobramento reputacional, legal e financeiro que vem depois). Definiu o papel de quem escreve o plano como “o profissional pago para ser o pessimista da mesa”: entrevistar a operação real, não só o síndico; levantar o inventário físico e químico real, não o declarado; mapear vizinhança e riscos externos; e montar uma matriz de risco ajustada à realidade do cliente cruzando a NBR 15219/14276 brasileira com referências internacionais como a NFPA 1600/101, a alemã DIN 14096 e a europeia EN 50172. Apresentou também o checklist completo de um plano de qualidade (identificação, população, riscos, sistemas de proteção, estrutura de brigada, comunicação) e o fluxo de resposta em 8 passos alerta, análise, comunicação, socorro externo, abandono, isolamento, confinamento, combate. Pergunta final: o último plano de emergência que você assinou resiste a um simulado não avisado, com fumaça e falha de comunicação de verdade?

Simplificando o mapeamento de processos e operações

Matheus

Por que mapear processos: cada interrupção de trabalho custa caro. Quando alguém para no meio de uma tarefa para resolver um problema, o custo real não é só o tempo do problema em si  é o tempo de entender o problema, resolver o problema e depois retomar o raciocínio do que estava sendo feito antes da interrupção. Matheus defendeu que parar 4 horas para montar um manual, um playbook ou treinar alguém corretamente pode economizar um tempo muito maior ao longo do ano, principalmente em empresas de projeto e instalação de PCI, onde o mesmo fluxo comercial, técnico e de execução se repete a cada novo cliente. A aula apresentou duas ferramentas práticas de mapeamento: a pirâmide de processos, que organiza a operação em camadas do processo macro da empresa até a tarefa individual de cada colaborador e o diagrama de tartaruga, usado para estruturar cada operação a partir de seis perguntas fixas: quais são as entradas, quais são as saídas, com quais recursos, com quais métodos, com que pessoas e segundo quais critérios de qualidade. Documentar não é burocracia: é o que permite que a empresa funcione sem depender da memória de uma única pessoa.

  1. ESTUDOS DE CASO, TECNOLOGIA E O FUTURO DA PREVENÇÃO

Estudo de casos: 5 incêndios recentes

Jeff · ABPP — Associação Brasileira de Proteção Passiva contra Incêndio

Jeff trouxe ao palco uma análise de cinco grandes incêndios internacionais recentes: Wang Fuk Court (Hong Kong, 168 mortos, origem em cigarro, propagação por andaimes e telas de poliestireno), Grenfell Tower (Londres, 2017, 72 mortos, revestimento de fachada combustível), Pulse Nightclub (Macedônia, 2025, 63 mortos, forro combustível e rotas de fuga bloqueadas), Winter Cherry (Rússia, 2018, 64 mortos, alarmes desligados e rotas de fuga bloqueadas) e Le Constellation Bar (Suíça, 2026, 41 mortos, forro de poliuretano de alta propagação). O padrão se repete: origens simples, curto-circuito, pirotecnia, cigarro, agravadas por materiais de alta propagação de chamas e fumaça tóxica, número inadequado de saídas, rotas bloqueadas e sistemas de detecção falhos. Lição central: as medidas de proteção contra incêndio são o mínimo exigível para uma edificação seguir segura, e ignorá-las ou tratá-las como de baixa eficiência é, historicamente, o agravante que transforma um princípio de incêndio em tragédia.

O robô já entrou no incêndio. Você só não ficou sabendo.

Eduardo Cavalcanti · Engenheiro civil · CEO Bisnis HUB · presidente do IBIA

A pergunta de abertura — quanto tempo até um robô entrar num incêndio de verdade? — não tinha a resposta que a plateia esperava. Eduardo foi pessoalmente à China verificar: dois quadrúpedes da Unitree já estão em serviço oficial na equipe de combate a incêndio e resgate de Qingdao, com 60 m de alcance de jato, 40 L/s de vazão, capacidade de subir escada a 45° ao lado do bombeiro e transpor obstáculos de 40 cm acoplados ao hidrante, ao lado do caminhão. Em Singapura, um humanoide de resposta a incêndio está previsto para missões de alto risco em 2027 e operação autônoma por IA em 2029, num investimento de US$ 100 milhões. E não é só robô: um modelo de IA israelense (Bar-Ilan, Ariel e Tel Aviv) já prevê, com mais de 90% de acerto, onde um raio vai causar incêndio florestal, e a Overstory usa IA para monitorar árvore por árvore em redes elétricas de 6 das 10 maiores concessionárias das Américas. A parte mais prática da aula foi uma demonstração ao vivo: um agente de IA leu a instrução técnica completa, conferiu um projeto real e devolveu um laudo de conformidade item a item o que levaria dois dias de trabalho técnico, pronto em três minutos. A resposta de Eduardo para quem perguntou se isso substitui o técnico: não, quem perde não é quem usa a ferramenta, é quem ainda cobra dois dias por algo que leva três minutos. Fechamento: o futuro do combate a incêndio é um robô; o futuro da prevenção começa segunda-feira, num PDF que já está na sua mesa.

Detecção, alarme e iluminação de emergência: tecnologia nacional

Ilumac

Apresentação institucional e de portfólio da Ilumac, indústria brasileira 100% verticalizada, fundada em 1998 com três propósitos declarados: salvar vidas, proteger patrimônios e ser a marca que não deixa o cliente na mão. Verticalizada significa que a empresa desenvolve e fabrica internamente, em solo nacional, desde as centrais de detecção e alarme de incêndio convencionais e endereçáveis até a linha wireless, tecnologia que dispensa cabeamento entre detectores e central e vem ganhando espaço em retrofit de edificações antigas, onde puxar cabo novo é caro e invasivo. O portfólio apresentado no palco reuniu acionadores manuais, detectores de fumaça e temperatura, sirenes, sinalizadores e sistemas completos de iluminação de emergência, todos com certificação nacional. Um ponto de conexão direta com outra aula da edição: o sistema LYAX da Ilumac foi citado por Mariane Porto Lima, na aula de BIM, como exemplo de família BIM bem estruturada, geometria, dados técnicos e parâmetros de instalação organizados de um jeito que projetista, instalador e gestor conseguem usar a mesma informação sem reconstruir o modelo do zero. Fabricar tecnologia de detecção e alarme dentro do Brasil, segundo a apresentação, também significa suporte técnico mais próximo e prazo de resposta mais curto para projetistas e instaladores em todo o país.

Encerramento

Dezesseis olhares diferentes sobre o mesmo problema: como fazer a prevenção contra incêndio sair do papel e resistir ao teste real do fogo. De quem projeta hidrante a quem forma brigada, de quem audita esqueminha de obra a quem já testou robô apagando incêndio ao vivo — o denominador comum de toda edição do PrevWeekend continua sendo o mesmo: método, compreensão técnica e responsabilidade com quem vai depender desse sistema funcionando no pior momento possível.

Renata Dal Molin

Fundadora do PrevWorld · idealizadora do PrevWeekend

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