A justiça climática passa pelo fortalecimento das pessoas trabalhadoras, especialmente catadoras de material reciclado. É o que constatam pesquisas globais sobre o tema, frisando que a profissionalização é um ponto crucial não apenas para melhorar o processo da reciclagem (no Brasil, o índice está em 4%), mas dar dignidade a camadas sociais mais vulneráveis.
Segundo matéria divulgada pela CNN, no Brasil há mais de 800 mil profissionais ligados às cooperativas de resíduos e no mundo ultrapassam os 15 milhões. Essas pessoas, ao se capacitarem, auxiliam que a jornada laboral seja mais segura, evitando acidentes e impulsionando a cultura preventiva.
No Distrito Federal, cooperados e associações de catadores contratadas para a coleta seletiva e a triagem de recicláveis participaram de uma capacitação promovida pelo Serviço de Limpeza Urbana (SLU), com destaque para o uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e o procedimento formal de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). “Essas informações têm que ser preenchidas pela cooperativa no momento em que ocorreu o acidente e imediatamente comunicadas ao SLU”, frisa Francisco Mendes, chefe da Unidade de Sustentabilidade e Mobilização Social.
Em números, o SLU mantém 22 contratos de coleta seletiva e 31 contratos de triagem em operação no DF, cuja coleta abrange 33 regiões administrativas, informa matéria do Jornal de Brasília.
Iniciativa privada apoia trabalhadores da reciclagem
Empresas privadas também se mobilizam a favor do trabalho digno: a petroquímica Braskem também treinou recentemente cooperados da Cooper Pires, em Ribeirão Pires (SP), em parceria com a prefeitura local.
Prevenção de doenças, saúde mental e ginástica laboral foram as atividades realizadas, além da entrega de incrementos, como manutenção de equipamentos, calhas e melhorias no galpão, bem como adequações elétricas, instalação de venezianas, e reforço no uso de Equipamentos de Proteção Individual. “O reforço no uso de EPIs garantiu mais segurança e organização no dia a dia, além de melhorias estruturais que impactaram diretamente o nosso ambiente de trabalho”, afirma Michelly Freire da Silva, representante da Cooper Pires.
Já a Natura lançou um programa de benefícios à saúde de catadores e cooperados que integram seu ecossistema de fornecimento, em parceria com a AVUS Saúde, em que custos fixos são financiados pela empresa de cosméticos, permitindo que os beneficiários paguem apenas quando usar os serviços.
“Ao garantir acesso à saúde, bem-estar e cidadania para os trabalhadores da reciclagem e sua rede de afeto, geramos um impacto positivo que reverbera da cooperativa à família e, por fim, para a própria Natura”, finaliza Sergio Talocchi, gerente sênior de Cadeias Sustentáveis na Natura.
Foto: Divulgação/Braskem




