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Eventos extremos impulsionam ações do poder público e dos bombeiros para fortalecer o socorro operacional

A especialização das corporações e a reserva de vagas para profissionais habilitados são vitais no combate a tragédias

Enchentes, calor extremo, deslizamentos de terra, mudanças estruturais em áreas urbanas e rurais. Esse conjunto de casos é apenas uma amostra dos desafios que os bombeiros enfrentam para lidar com cenários de calamidades, ainda mais impulsionados com a crise climática presente no mundo, o que enaltece a necessidade de ações do poder público e da própria corporação com foco no objetivo maior: a proteção das pessoas.

Um índice, contudo, chama a atenção: segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), somente 130 dos 808 municípios ou 16% da Amazônia Legal contam com unidades do Corpo de Bombeiros. Em números, as corporações de cada estado da região contam, em média, com 1.116 militares, considerado inferior ao de outras regiões do país. No estado do Amazonas, por exemplo, a média é de um militar para cada 140 mil hectares, enquanto em São Paulo é de um para cada 2,8 mil hectares.

“A partir dos últimos anos, com incêndios florestais mais intensos e mais severos, isso vira um problema social e para a política pública”, endossa Jarlene Gomes, coordenadora de projetos em políticas públicas do Ipam, ao Brasil de Fato.

Outro dado vem da pesquisa “Mais Dados Mais Saúde – Clima e Saúde na Amazônia Legal”, com 4.037 pessoas dos estados da Amazônia Legal: a constatação é que 32% dos respondentes afirmaram já ter sido diretamente afetados pelas mudanças do clima.

“Enfrentar a crise climática na Amazônia é mais do que uma agenda ambiental — é uma questão de saúde pública e de redução de desigualdades”, alerta Thais Junqueira, superintendente-geral da Umane, uma das entidades realizadoras do levantamento (2025), à CNN.

 

Políticas públicas

Na outra ponta, a Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 2597/25, que reserva a bombeiros civis e brigadistas pelo menos 20% das vagas oferecidas nas contratações públicas por tempo determinado nos casos de calamidade pública ou de combate a emergências ambientais.

Atualmente, a Lei de Contratação Temporária de Interesse Público já prevê esse recrutamento de pessoal mediante processo seletivo simplificado. “Em muitos entes federativos, observa-se, nessas situações, a contratação de pessoas sem a devida qualificação, em detrimento de profissionais devidamente habilitados”, frisa o deputado Nicoletti (União-RR), autor da proposta que segue em tramitação, à Agência Câmara de Notícias.

 

Treinamentos para período chuvoso

Em Goiás, o Corpo de Bombeiros (CBMGO) realizou recentemente uma vivência com enfoque nas chuvas, no córrego do Ribeirão João Leite, na região metropolitana de Goiânia.

Com representantes de todos os Comandos Regionais da Corporação, a instrução estimulou os militares a situações simuladas de resgate em áreas alagadas, avaliando cenários de risco, técnicas de salvamento aquático e procedimentos de segurança para atuação em enxurradas, inundações e alagamentos.

“A capacitação esteve dentro da Operação Tempestade, voltada para o período mais chuvoso. Realizamos um alinhamento técnico operacional junto ao Comando de Defesa Civil do Estado, reforçando os principais cenários de risco que podem afetar a nossa população”, conta tenente Coronel Igor Aparecido Alves, comandante da Operação.

Já em Santa Catarina, 20 bombeiros militares e comunitários dos municípios de Brusque, Botuverá, Blumenau e Gaspar, participaram de um treinamento de busca, resgate e salvamento em ambientes alagados e de correnteza, no rio Itajaí-Mirim.

“O treinamento é muito específico para atuar naquelas situações em que se chove além da normalidade. Um dos pontos que precisam ser lembrados é a diferença entre inundação, quando há um alagamento sem correnteza, e as enxurradas, que envolve a forte velocidade da água”, explica, à RC FM, capitão Rafael de Faveri, comandante da 3ª Companhia do Corpo de Bombeiros Militar de Brusque.

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