Responsáveis pela produção de alimentos que chegam às mesas da população brasileiras, as pessoas trabalhadoras rurais são fundamentais não apenas para o abastecimento interno, mas também desempenham um papel crucial no desenvolvimento econômico e ambiental. Por outro lado, estão sujeitos a acidentes e lesões, o que demanda a promoção de inciativas em Saúde e Segurança do Trabalho (SST).
O município de Luís Eduardo Magalhães, no Oeste Baiano, foi palco do lançamento do Curso Técnico em Segurança do Trabalho no Agro, ocorrido no Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães (SPRLEM; confira mais aqui). Promovido em parceria com o Senar Bahia, o curso tem duração de dois anos e com 1.200 horas, a formação é oferecida a pessoas com Ensino Médio, na modalidade híbrida, sendo 80% das atividades realizadas a distância e 20% presencial.
“Totalmente gratuito, foi estruturado a partir de um levantamento com produtores rurais da região, que identificou a carência de profissionais capacitados para atuar na prevenção de acidentes, na aplicação correta das Normas Regulamentadoras e na promoção de ambientes de trabalho mais seguros e eficientes nas propriedades rurais”, informa comunicado do Senar.
Durante a cerimônia de lançamento do curso, inédito no polo, houve a palestra “Segurança do trabalho como indicador estratégico de qualidade e eficiência no agronegócio”, ministrada pela engenheira agrônoma e técnica em segurança do trabalho Raissa Nunes, destacando o gerenciamento de riscos na segurança dos trabalhadores do campo.
Profissão de risco no campo
Os riscos de acidentes no campo salientam a urgência na efetividade preventiva: em Sorocaba (SP), por exemplo, em 2025 foram registros 900 acidentes de trabalho, com 34 mortes, sendo quatro foram no campo, segundo levantamento do Jornal Cruzeiro do Sul com informações do chefe regional de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Ubiratan Vieira.
Segundo o especialista, a maioria envolve a operação de máquinas e equipamentos, já no comércio, são choques elétricos e quedas os mais notificados. O desafio, aliás, Vieira ressalta, está justamente na Comunicação do Acidente de Trabalho (CAT), que é obrigatória, mas muitas vezes negligenciada.
Já em São Francisco de Itabapoana (RJ), a prefeitura desenvolve o “Saúde da População Rural”, projeto piloto na região norte do estado do Rio de Janeiro e também no fomento de ações em Vigilância em Saúde das Populações Expostas a Agrotóxicos (VSPEA).
A estratégia visa qualificar a gestão e fortalecer a vigilância em saúde no território e uma das reuniões de aprofundamento teve a presença de representantes do Núcleo Descentralizado de Ações de Vigilância em Saúde da Região Norte, Centro de Referência em Saúde do Trabalhador Regional e Estadual (Cerest) e das Secretarias Municipais de Saúde, Meio Ambiente e Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
“Será oferecida assistência ao trabalhador, como análise de água, indicadores e prevenção. Esse projeto tem tudo para dar certo, porque hoje temos 100% de cobertura da Atenção Primária da Saúde, pois as equipes da Estratégia da Saúde da Família (ESF) podem ser essa ramificação, trazendo informações do campo para a vigilância epidemiológica”, frisa o coordenador da Atenção Básica, Claudiomar Alves, ao O Dia.
Um levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA Esalq/USP e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), divulgado pelo Compre Rural, revela que o agronegócio empregou 28,2 milhões de pessoas em 2024, o equivalente a 26% das ocupações formais e informais no país, aumento de 1% em relação ao ano anterior, ou a criação de 278 mil novos postos de trabalho.
O dia 25 de maio marca o Dia do Trabalhador Rural, instituído por Decreto-Lei nº 4.338, de 1º de maio de 1964, em homenagem ao político gaúcho Fernando Ferrari, defensor dos direitos dessa categoria, que se destaca principalmente pela Agricultura Familiar, respondendo por mais de 10 milhões de empregos, segundo o Anuário Estatístico da Agricultura Familiar.




