A capacitação dos bombeiros nos mais diversos cenários e adversas situações é essencial para o salvamento de vidas, e um dos mais complexos é quando envolve altura, já que também aprimora a performance e entendimento da Norma Regulamentadora 35 (NR-35), que trata do assunto. Inclusive, há eventos específicos de cooperação, a exemplo do Rope Days, promovido pela Escola Superior de Bombeiros “Cel. Paulo Marques Pereira”, instituição de Ensino do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo (CBPMESP).
A competição reuniu 19 equipes do Brasil e países da América Latina, que participaram de simulados em locais como o Sambódromo do Anhembi, e aprimoramento de técnicas de resgate, investigação de localização de vítimas, uso de equipamentos, bem como palestras e conversas sobre o tema. “Salvar vidas em altura requer técnica, preparo físico, coragem, equilíbrio, raciocínio rápido e confiança na equipe. Por isso, nossos militares seguem em constante treinamento no Rope Days 2026, o maior evento da América Latina, aprimorando conhecimentos e enfrentando simulações que aproximam cada vez mais a tropa da realidade das ocorrências. Treinar hoje é estar pronto para salvar amanhã”, salientou comunicado do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte (CBMRN), um dos participantes.
Destaques
Entre as equipes vencedoras, a Rescue Team, da Rescue Treinamentos, representante de Santa Catarina conquistou o título de campeã geral, e troféus de segundo melhor líder e o terceiro melhor atendimento pré-hospitalar, informa matéria do Agora Laguna.
Um de seus membros, Khristian Barcelos, que integrou o grupo e é bombeiro militar na cidade de Laguna (SC), foi o segundo melhor rigger (do inglês para aparelhador ou profissional responsável por ancoragens) da competição. “A conquista deste título representa muito mais do que troféus, medalhas e certificados. Ela é o reflexo de incontáveis horas de treinamento, estudo, dedicação, confiança mútua e paixão pelo resgate. Cada integrante da Rescue Team deu o seu melhor, demonstrando que grandes resultados são construídos por equipes comprometidas com um propósito comum”, frisou comunicado.
Refinamentos
Além da competição, o aprendizado constante é essencial nessas funções. Em Manaus, a corporação foi treinada em uma simulação de vítimas na Torre do Museu da Amazônia (Musa), que 43 metros de altura, o equivalente a um prédio de 14 andares.
Na oportunidade, houve a retirada de vítimas impedidas de descer pelas escadas da torre, com o foco em lidar em uma ocorrência real de médio e grande complexidade em locais de difícil acesso, utilizando itens como cordas, escaladas, rapel e com o emprego de técnicas verticais.
“A coordenação busca instalações que possam servir de locais de ocorrências reais. Aqui no Musa nós temos relatos de muitas pessoas idosas com dificuldade de locomoção e que podem, em caso de mal súbito, precisar da ajuda dos bombeiros na descida”, arrematou o tenente Daniel Araújo, coordenador do curso.
Na prática
E não importa qual vítima a ser resgatada. Em Minas Gerais, bombeiros de Pouso Alegre resgataram duas maritacas que estavam presas na beira do telhado do quarto pavimento de um edifício residencial, a cerca de 12 metros de altura, exigindo uma operação técnica e cuidadosa por parte da equipe.
Para tanto, acessaram o telhado da edificação, utilizando a ancoragem necessária para garantir a segurança durante toda a ação. Segundo matéria da Gazeta de Varginha, as aves foram encaminhadas para uma clínica veterinária e apresentavam ferimentos nas patas – o que denota a possibilidade de terem se enroscado em linhas que as mantiveram presas no local.




