Os mundos do trabalho estão passando por grandes e profundas transformações: da digitalização, passando pelas discussões do fim da escala 6X1 até as atualizações das Normas Regulamentadoras, uma das áreas que está se adaptando e alinhando a esse cenário é a Indústria.
Para tanto, uma gestão bem estruturada em Saúde e Segurança do Trabalho (SST) é o primeiro passo para uma jornada exitosa, evitando riscos, adequando-se à realidade de seus times e tornando-se um diferencial competitivo no mercado cada vez mais dinâmico, exigente e produtivo.
Muito mais que o cumprimento de regramentos, investir em SST envolve a organização, metodologia e acompanhamento contínuo, com uma visão preventiva. A tecnologia é uma grande aliada, com ferramentas de monitoramento de atividades para evitar lesões, Equipamentos de Proteção Individual (EPI) mais confortáveis e precisos, sistemas de intertravamento e gerenciamento digital de permissões de trabalho.
Entretanto, o fator humano ainda é primordial para que esses usos sejam efetivos. Equipes cientes da utilização desses itens e com espaço para obter informações é a fórmula para que a jornada e rotinas sejam seguras. “A tecnologia precisa vir acompanhada de priorização por criticidade, tratativa de desvios, manutenção e treinamento. A ferramenta não substitui a gestão, ela potencializa”, frisa Renato Canno, coordenador de Segurança do Trabalho do Sesi-SP.
Terceirização
Uma realidade presente nas fábricas é a participação de colaboradores terceirizados, que também precisam ser salvaguardados e um dos desafios está na ausência de verificação em SST a esses trabalhadores, o que pode causar fragilidades.
Canno, do Sesi-SP, ressalta a importância da padronização de processos, mas é na gestão que está a chave para que tudo seja realizado de maneira correta. “É fundamental que os terceiros estejam dentro do mesmo sistema de gestão, com capacitação, alinhamento às normas internas e acompanhamento contínuo. Já em relação aos EPIs, é preciso o controle de validade, uso adequado e rastreabilidade para garantir a efetividade dos equipamentos”, destaca.
Engajamento das lideranças
Mais que exigir o comprometimento das equipes, o exemplo precisa vir das lideranças. Quando estas estão engajadas com a cultura preventiva, se tornam multiplicadoras de conhecimentos e essa corrente é contínua. A saúde mental é um dos temas, aliás, mais discutidos no momento e, para as lideranças, o desafio está em conciliar o seu papel profissional e manterem-se íntegros em meio a doenças como Burnout, ansiedade e depressão.
Em Presidente Getúlio (SC), o Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí (Unidavi) foi palco de uma palestra para gestores industriais sobre autocuidado e desenvolvimento de competências para identificar os sinais de alerta relacionados à saúde mental.
Segundo Rúbia Pein, psicóloga com especialização em gestão de pessoas do SESI +Saúde, que ofertou a palestra, os líderes não direcionam atenção ao próprio bem-estar, o que compromete a base das organizações. “O autocuidado vem de ações simples, como atenção à alimentação, qualidade do sono e pausas no dia a dia, além da percepção de mudanças emocionais e comportamentais que indiquem a necessidade de buscar apoio”, arremata.
Alimentação e saúde mental
Por falar em alimentação, este é outro ponto que está em estudo, com a relação entre indicadores de saúde mental, ansiedade, depressão e estresse, estado nutricional e o nível de atividade física.
Pesquisadoras do curso de Nutrição da Universidade do Vale do Taquari (Univates) analisaram, entre janeiro e fevereiro de 2025, mais de 150 trabalhadores, a maioria mulheres (73,4%), de duas indústrias no interior do Rio Grande do Sul, identificando associações estatisticamente significativas entre escolaridade e depressão, idade e estresse, além de uma correlação entre índice de massa corporal (IMC) e ansiedade, sugerindo a existência de um campo complexo de interdependências entre condições físicas, fatores sociais e sofrimento psíquico.
De acordo com o levantamento (mais informações neste link), fatores fisiológicos como inflamações e alterações hormonais são coexistenciais a dimensões psicossociais, como insatisfação corporal, reforçando a hipótese de circularidade corpo-mente, ou seja, há o aumento de peso corporal associado a intensidade de sintomas ansiosos. “Quanto maior o grau de ansiedade maior tende a ser o grau do estado nutricional”, salienta o achado.




