O investimento público em ciência e tecnologia (C&T) cresceu 30% no Brasil, de 2021 a 2024, e no mesmo período, os recursos destinados em pesquisa e desenvolvimento (P&D) aumentaram 35%, conforme informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Tais incrementos, seja aqui no Brasil, seja em outros pontos do planeta, inspiram e fomentam ações que podem, por exemplo, combater os incêndios florestais, que apenas entre os meses de janeiro e abril de 2026, foram registrados no país 10.442 focos segundo o monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Um bom exemplo vem de Mariah Fraulo Cavalcante e Taciane Beatriz Ferreira, estudantes do curso de Biotecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), que desenvolveram o BIODEFENSER® (mais informações), um retardante de chamas produzido a partir de um composto natural extraído do reaproveitamento de resíduos de uma espécie cuja presença em excesso gera desequilíbrio ambiental no Brasil.
De acordo com as discentes, que o estudo se iniciou em 2024 durante o HIPUC (Health Innovation PUCPR), evento da Escola de Medicina e Ciências da Vida da Universidade. O produto, além de combater o fogo, permanece ativo após a aplicação, pois aderindo ao solo e vegetação, cria uma camada bioativa estável que prolonga a proteção da área, dificultando o surgimento de novos focos de incêndio. “Também favorece a recuperação ao enriquecer o solo e não há risco de contaminação ambiental, já que o produto não causa danos ao ecossistema e ainda economiza a água”, explica Cavalcante.
O projeto venceu a etapa nacional do Hult Prize 2026, uma das maiores competições universitárias de empreendedorismo social do mundo, e avança à fase internacional, representando o Brasil.
Inovação: da realidade virtual à torre de monitoramento
A Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) está investigando um novo sistema que simula combate a incêndios com uso de realidade virtual, voltado ao ensino, pesquisa e extensão. Os investimentos nos equipamentos adquiridos pela Udesc somam mais de R$ 1,5 milhão, e foram desenvolvidos na Austrália.
Denominado “Investigação sobre o Conhecimento Incorporado para o Design de Realidade Virtual: fundamentos e aplicação para o treinamento de Bombeiros”, o projeto é coordenado pelo professor Aníbal Alexandre Campos Bonilla, que atua no curso de Engenharia de Petróleo da Udesc Balneário Camboriú, onde também é pesquisador do Laboratório de Instrumentação e Controle (Ineco), e no Programa de Pós-Graduação em Design (PPGDesign), da Udesc Ceart.
Na prática, o sistema auxilia na simulação dos bombeiros por meio da realidade virtual com o uso de biossensores que oferecem uma experiência com sensação de calor, pressão, e manuseio de instrumentos como mangueiras e extintores. Com a mensuração de dados, permite-se visualizar informações como a quantidade de produtos utilizados, como água e espuma, o que aprimora na tomada de decisões.
Já no Cerrado, torres de monitoramento em tempo real, algoritmos de detecção de fumaça e aplicativos em modo offline estão mudando a rotina de brigadas comunitárias que combatem incêndios em unidades de conservação (UCs), graças ao Programa Copaíbas, criado para atuar também no bioma Amazônia, trabalhando em ações ligadas à redução do desmatamento e apoio a povos indígenas e populações tradicionais.
O programa é gerido pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e financiado pela Iniciativa Internacional da Noruega pelo Clima e Florestas. O destaque fica para o Parque Nacional da Serra da Bodoquena, no Mato Grosso do Sul, que conta com uma torre equipada com câmeras de alta resolução, que utiliza algoritmos capazes de identificar sinais iniciais de fumaça com grande precisão.
“O monitoramento já alcança cerca de 90% da unidade de conservação, que possui aproximadamente 76 mil hectares”, frisa Guilherme Dalponti, consultor ambiental da Fundação Neotrópica do Brasil, instituição responsável pela instalação do equipamento, à Agência Brasil.





