É impossível falar de trabalho decente e sem vinculá-lo ao cenário de emergência climática global: um levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT) revela que mais de 18.970 óbitos ocupacionais anuais em consequências do calor excessivo – como no trabalho diretamente ao ar livre, ou em um espaço fechado – e que os impactos dessas mudanças já impactam diretamente a subsistência de mais de 2,4 bilhões de pessoas trabalhadoras no mundo.
“Restaurar florestas também significa restaurar oportunidades de trabalho, fortalecer economias locais e criar perspectivas para milhões de brasileiros. Um dos desafios é multiplicar exemplos, em todos os setores e atividades econômicas, orientado pelo planejamento estratégico e sustentado pelo diálogo social capaz de construir acordos que fortalecem nossa democracia e suas instituições”, frisou Clemente Ganz Lucio é Sociólogo, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, em artigo ao site Rádio Peão, que destacou o Arco da Restauração da Amazônia, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e executado pelo BNDES para estratégias de conservação ambiental, inovação tecnológica, geração de renda e inclusão produtiva.
Outra mobilização para esse enfrentamento, vem da UNICEF, que lidera a Aliança Empregos Verdes, por meio da ação Um Milhão de Oportunidades (1MiO). Trata-se de uma iniciativa multissetorial para oportunidades de trabalho decente, no contexto da transição para uma economia de baixo carbono e tem apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e outros entes, como OIT, Ministérios da Educação (MEC) e do Trabalho e Emprego (MTE), além do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), movimentos sociais e Fórum Paraense de Juventudes.
Empregos ambientalmente responsáveis e juventudes
No Brasil, 2 milhões de adolescentes e jovens de 14 a 29 anos atuam nos chamados “empregos verdes”, ou seja, funções com o propósito do desenvolvimento sustentável (mais informações sobre adesão à iniciativa neste link). “A iniciativa nasce para conectar atores estratégicos e acelerar esse movimento, garantindo que a transição para uma economia mais sustentável também gere oportunidades para as atuais e as novas gerações”, frisa Mônica Dias Pinto, chefe de Educação do UNICEF no Brasil.
Para o representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli, as pessoas refugiadas são impactadas diretamente pela climática, e trazem contribuições relevantes também sobre o tema. “Ao investir na inclusão socioeconômica, as empresas fortalecem comunidades, impulsionam uma transição climática mais justa e demonstram que desenvolvimento sustentável e impacto social podem caminhar juntos”, comenta o gestor.
CNJ e trabalho digno
O Observatório do Trabalho Decente do Poder Judiciário (OTD), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e MTE se reuniram para discutir os planos para a elaboração da Política Nacional de Promoção do Trabalho Decente do Poder Judiciário, que está em fase de diagnóstico.
Ampliar a construção de políticas públicas, produção de diagnósticos e integração de dados para a promoção do trabalho decente no país são os focos dessas articulações entre o CNJ e a pasta são estratégicas para combater a precarização das condições de trabalho.
“Isso é fundamental para que as políticas de promoção do trabalho decente dialoguem entre si e produzam resultados concretos tanto para o desenvolvimento econômico quanto para quem trabalha no Brasil”, destaca a supervisora do OTD e do CNJ, Kátia Arruda.
Tais desdobramentos incluem um chamamento, aberto até agosto, para seleção de organizações interessadas em contribuir com subsídios técnicos para as atividades dos colegiados nesse contexto.
Mais informações neste link.





