Recentemente falamos do uso de itens de proteção a quem usa a motocicleta como meio de transporte e de trabalho. Eis que os números atualizados no Brasil engrossam ainda mais a pertinência dessas medidas de cuidado para com esses profissionais.
Segundo registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, divulgados pelo jornal O Dia, apenas entre os meses de entre janeiro e agosto deste ano foram 6.591 acidentes de trabalho entre motofretistas e mototaxistas no país.
Fazendo um recorte, a cidade de São Paulo também conta com índices preocupantes: dados do Infosiga mostram que em 2020, foram 225 notificações entre janeiro e setembro; e em 2026, o número chegou a 379, ou seja, uma alta de 68%.
Impactos previdenciários
Como sabemos, as consequências não reverberam apenas na vida das pessoas vitimadas, em especial a incapacidade temporária ou permanente, mas às famílias, à economia e, consequentemente, a todo o sistema, o que inclui a Previdência Social.
A advogada especialista em Direito Cível Kelly Coelho, ao O Dia, salienta ainda que isso eleva a demanda por benefícios, principalmente os afastamentos prolongados ou mesmo quando culmina em óbitos.
“Não é calculado apenas pelo número de acidentes. É necessário considerar quantos segurados foram atingidos, a duração dos afastamentos, os valores dos benefícios e a quantidade de casos que resultaram em incapacidade permanente ou pensão por morte”, enumera.
Vale lembrar que o Brasil chegou a marca de 2 milhões de pessoas trabalhando por aplicativos em 2025, sendo que apenas 34% possuem cobertura previdenciária, frisa estudo conjunto do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Ministério Público do Trabalho (MPT).
Capacitação no RJ
O UniFOA – Centro Universitário de Volta Redonda (RJ) foi palco do 1º Workshop do 22º Grupamento de Bombeiro Militar sobre o tema, com a participação de membros das corporações, Secretaria Municipal de Transporte e Mobilidade Urbana, Guarda Municipal, Polícia Militar, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), motociclistas de resgate e integrantes de motoclubes.
Mobilidade urbana, fiscalização do trânsito e atendimento às vítimas foram os assuntos abordados na oportunidade. Em números, a corporação estima que o ano de 2026 pode terminar com 709 ocorrências de colisões no município, crescimento de 13,4% em relação ao ano anterior.
“Já são mais de 500 ocorrências até o momento e, quando olhamos para o estado, são quase 20 mil envolvendo motocicletas, entre colisões, quedas e outras situações. Precisamos contribuir para reduzir esses números”, afirma o comandante do 22º GBM, Anderson Cardoso.


