Noticiamos que há um ano foi lançado o Manejo Integrado do Fogo (MIF), uma estratégia de monitoramento, avaliação e adaptação do uso da queima prescrita e controlada para prevenir e combater os incêndios florestais, abarcada pela Lei federal nº 14.944/2024, a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF; saiba mais).
E os resultados são promissores: segundo o a edição do Boletim do Fogo, publicação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), de 06/10, 682.542 hectares foram manejados com fogo no Brasil entre 28 de setembro a 04 outubro deste ano, com mais de 1,3 mil focos detectados e extintos nesse período no território (íntegra aqui).
Fazendo um recorte para São Paulo, nas Unidades de Conservação sob gestão da Fundação Florestal, foram contabilizadas 31 ocorrências de incêndios apenas em agosto, contra 39 no mesmo mês de 2025, uma queda de 20,5%.
A Fundação Florestal ampliou o uso do MIF como estratégia de prevenção, que em 2025 foram realizados 350 hectares de queimas prescritas e em 2026 já foram executados 600 hectares, com meta de chegar a 2 mil hectares até o fim do ano.
Ana Carolina Pessôa, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), defende que o MIF ganha ainda mais corpo com os Planos de Manejo Integrado do Fogo (PMIF), principais instrumentos dessa política, que transformam diretrizes nacionais em planejamento estratégico dentro dos territórios, junto com a escuta das comunidades.
“Os PMIFs podem ser elaborados em diferentes escalas: estaduais, regionais, municipais e territoriais. Isso permite que o planejamento tenha uma visão mais ampla, sem perder de vista as especificidades de cada território, indo além do documento”, escreve a especialista, em artigo para o JOTA.
Entidades discutem os PMIFs
Para apoiar a construção de uma política mais abrangente sobre o tema, o IPAM realiza oficinas, capacitações, reuniões técnicas e seminários para diálogo nos territórios com diferentes atores.
Recentemente, em parceria com o Instituto Ar, as entidades norteram o seminário “Política, Ciência e Territórios no Manejo Integrado do Fogo no Brasil”, realizado na sede do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), em Brasília. Uma das mesas foi justamente sobre os PMIFs, cuja expectativa é de que todos os estados e municípios tenham seus planos até março de 2027.
Segundo o IPAM, a proposta é integrar órgãos públicos, comunidades, produtores e pesquisadores, bem como a utilização da tecnologia para análise de dados para antecipar períodos e áreas de maior risco, como forma de prever antes do agravamento de incêndios, combinando conhecimento local e científico com prevenção, monitoramento e resposta.
Já o Instituto Ar realiza o Marajó sem Fumaça, projeto que conta com apoio de entidades como a umgrauemeio, no município de Ponta de Pedras, no Arquipélago do Marajó (PA), com formação da brigada comunitária Guardiões das Chamas e a instalação de um sistema de monitoramento por câmera com Inteligência Artificial (IA).
Ao todo, 15 brigadistas foram certificados e participaram de uma reciclagem com fogo real, em julho de 2026. Já na frente de educação ambiental, cerca de 2 mil exemplares da revista “Fogo: Amigo ou Perigo?” foram levados às escolas, acompanhados de um plano de aula.
“A Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo propõe agir antes que o incêndio aconteça, com prevenção, monitoramento e resposta adaptados a cada território. No Marajó, isso passa por valorizar o conhecimento das comunidades e fortalecer os brigadistas locais”, afirmou no seminário Patrícia Ferrini, coordenadora do projeto Marajó sem Fumaça.
Atuação Brasil e Alemanha
Cooperação internacional também faz parte do ecossistema do MIF. A GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit GmbH), Agência Alemã de Cooperação Internacional, realiza no Brasil projetos como Parcerias para Inovações, Ação para as Florestas (A4F) e CoRAmazonia, este último junto com a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), envolvendo os oito países amazônicos por meio da Rede Amazônica de Manejo Integrado do Fogo (RAMIF).
“Entre as iniciativas apoiadas está a ExpoMIF, conectando atores governamentais, técnicos e organizações parceiras sobre o tema. Isso ampliar a articulação entre as instituições que atuam com o MIF nos diferentes países amazônicos”, informa comunicado da GIZ.


