Uma explosão seguida de uma fumaça alaranjada assustou moradores do entorno da Usina Presidente Vargas (UPV), da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), localizada em Volta Redonda, na Região Sul-Fluminense (RJ). Relatos nas redes sociais (confira) destacaram a intensidade do estrondo, tão forte que provocou tremores em portas e janelas de prédios e casas.
O incidente ocorreu às 13h30 de 28 de outubro e, segundo informações do Corpo de Bombeiros (CBMERJ), tratou-se de uma reação química que teria provocado um deslocamento de ar durante o manejo de ferro-gusa, procedimento conhecido por cambagem.
Em nota enviada ao g1, a CSN disse que se consiste no descarregamento dessa liga metálica de um carro-torpedo no Poço de Tombamento de Escória (Kisch Pit). No caso, o contato do material em alta temperatura com o excesso de umidade no solo provocou a explosão e liberou calor e fumaça, sendo visível tanto no interior quanto no entorno da usina.
A brigada da siderúrgica atuou no combate aos focos iniciais de chamas, bem como foi realizada pelos bombeiros uma vistoria, em que não constataram danos ambientais nem houve a paralisação na produção.
“As causas do acidente estão sendo apuradas. Não houve vítimas nem registro de feridos, em qualquer grau”, salienta a nota da CSN.
Trabalho dos bombeiros
Os bombeiros foram acionados por volta das 13h40 para atender à ocorrência e, conforme citado, fizeram uma varredura no local, não encontrando mais focos de incêndio nem vítimas.
Informações repassadas pelo chefe do setor de segurança da Brigada de Incêndio à corporação frisaram que houve “uma reação química no poço de gusa, que provocou um deslocamento de ar”.
À CNN, a polícia, após o encerramento do trabalho de rescaldo do Corpo de Bombeiros, incumbiu-se de periciar e abrir investigações para entendimento das causas.
Acidente anterior
O caso acontece após um acidente em 13 de outubro, que vitimou Sinval Teixeira de Carvalho, de 63 anos, ajudante de linha férrea da terceirizada Companhia Brasileira de Serviços da Infraestrutura (CBSI).
O profissional atuava no setor de Dessulfuração de Gusa e, na ocasião, a CBSI afirmou que estavam sendo apuradas as causas, porém nenhuma atualização foi apresentada publicamente até o momento, informa o Correio da Manhã.
De acordo com dados do Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro (MPT-RJ) mostram que a empresa acumula 1.082 acidentes de trabalho ao longo entre 2020 e 2026, com oito óbitos no total, o que também levou a um audiência público em junho último para discutir o tema (saiba mais).
Simulado de emergência feito dias antes
Em 20 de outubro houve justamente um simulado de emergência química com bombeiros e equipe ambiental na UPV. Na oportunidade, o estacionamento de carretas da Gerência de Transportes Rodoviários da usina foi o cenário escolhido para aplicabilidade de procedimentos previstos nos planos de emergência da companhia e identificação de eventuais aperfeiçoamentos.
Isolamento da área, atendimento inicial e medidas destinadas a reduzir impactos ambientais foram feitos entre os profissionais e a coordenação, como contenção e protocolos de mitigação de agravamentos a serem replicados em um momento real de ocorrência, como o caso de 28 de outubro.
Em comunicado, a siderúrgica afirmou que realiza periodicamente simulados como parte das ações preventivas, buscando preparar os profissionais para diferentes cenários.
“Isso contribui para a segurança dos trabalhadores, a proteção das comunidades próximas às instalações industriais e a redução de possíveis danos ao meio ambiente. A iniciativa integra o programa contínuo da CSN de capacitação e aprimoramento dos procedimentos de segurança operacional e resposta a emergências”, finalizou a nota à época.




