A estiagem prolongada e o clima severo trazem um desafio adicional para brigadistas, produtores rurais e gestores de segurança no campo: o fenômeno do “quatro-trinta”. Trata-se de uma combinação meteorológica crítica em que quatro variáveis atingem ou ultrapassam a marca de 30, criando as condições perfeitas para que pequenas faíscas se transformem rapidamente em incêndios de grandes proporções.
Na prática, a equação reúne 30 dias sem chuvas, umidade relativa do ar abaixo de 30%, temperaturas acima de 30°C e ventos com velocidade superior a 30 km/h. Quando esses elementos coincidem, a probabilidade e a severidade do fogo aumentam de forma exponencial.
A ausência prolongada de precipitação resseca o solo, transformando pastagens, serrapilheira e restos de culturas agrícolas em biomassa seca altamente inflamável. Com o ar seco e o calor intenso, o ambiente atinge baixa resistência à ignição. O vento forte entra como acelerador: além de oxigenar as chamas, projeta fagulhas e brasas a dezenas de metros, saltando barreiras naturais e abrindo novos focos à frente da linha de combate.
Fatores de risco no quatro-trinta
Durante a vigência do quatro-trinta, práticas cotidianas que normalmente seriam de baixo impacto passam a representar perigo iminente. Entre os principais causadores de ignição involuntária estão:
- Manutenção de maquinário: o atrito de lâminas de roçadeiras contra pedras em áreas secas ou faíscas no escapamento de tratores sem manutenção podem iniciar focos imediatos.
- Margens de rodovias: bitucas de cigarro arremessadas de veículos encontram capim seco nas margens de estradas vicinais e rodovias, deflagrando queimadas que avançam para dentro das propriedades.
- Rede elétrica: galhos secos que tocam a fiação de média tensão provocam curtos-circuitos cujas centelhas caem diretamente sobre a vegetação desidratada.
Diretrizes de contingência e prevenção
Diante de boletins que apontam o fenômeno, a recomendação dos órgãos de agricultura e Defesa Civil é adotar protocolos rigorosos de prevenção:
- Suspensão de fontes de calor: paralisar qualquer queima controlada, trabalhos a quente (como soldas ao ar livre) e atividades de queima de resíduos.
- Manutenção de aceiros: garantir que faixas limpas de terra circundem lavouras, reservas florestais e divisas com rodovias para interromper a continuidade do combustível vegetal.
- Controle de circulação: limitar o acesso a áreas de turismo rural e trilhas ecológicas, além de restringir a entrada de pessoas não autorizadas em setores vulneráveis.
- Prontidão de brigadas: manter caminhões-pipa abastecidos, bombas costais revisadas e equipes de combate em regime de prontidão imediata.
Em dias de quatro-trinta, conforme divulgado no Jornal O Regional, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, na região de Catanduva, interior paulista, orienta os produtores rurais a suspender qualquer atividade que envolva fogo, avaliar a restrição da visitação para propriedades que trabalham com turismo rural, dificultar o acesso de pessoas não autorizadas às áreas mais vulneráveis, intensificar rondas de monitoramento em divisas, fragmentos florestais e proximidades de estradas, verificar se os aceiros estão limpos e se a vegetação seca está bem roçada e manter a equipe da propriedade em alerta com o plano de contingência.
Acompanhar a previsão do tempo e os índices de risco de incêndios deixa de ser rotina e passa a ser medida de segurança. Os indicadores podem ser monitorados pelos canais oficiais.




