O Manejo Integrado do Fogo (MIF) é uma estratégia que integra monitoramento, avaliação e adaptação do uso da queima prescrita e controlada, justamente para a prevenção e combate a incêndios florestais, sendo abarcada pela Lei federal nº 14.944/2024, chamada Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF).
“Considera-se que o fogo pode assumir um papel benéfico ou prejudicial a depender da maneira, da finalidade e do local onde é usado”, destaca o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
Um ano de implantação do MIF
Em 2025, o MIF completou um ano de implantação e com resultados que vão além das chamas: a área atingida por queimadas no Brasil caiu 65,8% entre janeiro e junho de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024, de acordo com o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Esse esforço envolve a Lei e também a contratação de pessoal, que em 2025 englobou o maior contingente de brigadistas federais da história, com 4.385 profissionais, sendo 2.600 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e 1.785 do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ou um aumento de 26% em relação a 2024. “A lei é um marco importante para a transformação do Brasil em um território resiliente ao fogo”, comemora André Lima, secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial da pasta.
Para Vinícius Gaburro de Zorzi, especialista em conservação na The Nature Conservancy e voluntário na Rede Nacional de Brigadas Voluntárias e OSCIP SIMBiOSE, o MIF é um grande avanço, contudo, precisa de capilaridade e transversalidade com outras agendas. Em artigo para o site ((o))eco, o especialista ressalta que a estratégia carece de aperfeiçoamentos, o que inclui a implementação de políticas e governanças em âmbito estadual e municipal, valorização das brigadas, em especial as voluntárias e comunitárias, além de investimentos em pesquisa e Soluções Baseadas na Natureza.
Zorzi destaca ainda o Sistema Nacional de Informações sobre o Fogo (SISFOGO), ferramenta usada para monitoração, como forma de promover, por meio de gestão participativa e compartilhada, a integração e a coordenação de instituições públicas, privadas e da sociedade civil na promoção do MIF.
Ações pelo país
Pelo Brasil, cidades e estados se mobilizam para o enfrentamento de queimadas, contabilizando bons resultados. Em Piracaia (SP), adotou-se o Plano de Manejo Integrado do Fogo (PMIF), com o apoio técnico da Associação Serra do Itapetinga Movimento pela Biodiversidade e Organização dos Setores Ecológicos (SIMBiOSE) e The Nature Conservancy (TNC) Brasil — organizações que trabalham em conjunto com o MIF aliado a projetos de conservação e restauração na Mata Atlântica.
Segundo o site O Atibaiense, a legislação municipal atualizou seu processo de fiscalização ao prever notificação antes da aplicação de multa, bem como ações educativas, sensibilização e conscientização, formação de brigadistas florestais, oficinas de produção de abafadores e encontros promovidos pelas entidades parceiras.
“A conversa com os produtores rurais é um dos focos do PMIF para 2026. Precisamos entender como utilizam o fogo para criar uma legislação que leve em conta a cultura rural de Piracaia. Essa realidade local, somada aos conhecimentos científicos, possibilitará uma legislação robusta, que seja de fato usada e gere resultados de prevenção que estamos buscando”, endossa Fernanda Cabral, Assessora de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura.
Já em Mato Grosso do Sul, há quatro anos há movimentos estruturados para fortalecer as unidades de conservação como polos de pesquisa aplicada ao manejo do fogo. “Cada hectare importa. Incêndio é um problema permanente: não existe mais ‘época de emergência’. Temos que estar preparados para agir e trabalhar na prevenção durante os doze meses do ano”, enfatiza secretário de Jaime Verruck, secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) do estado.
Publicação
A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em parceria com a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, lançou “Fronteiras do Fogo: um panorama do fogo na região amazônica”, considerada a mais abrangente síntese técnico-científica já produzida sobre o fogo e suas múltiplas dimensões em toda a região amazônica.
Há páginas dedicadas ao MIF, sendo apresentado como modelo estratégico para reequilibrar a relação entre sociedade, território e fogo, podendo “respostas sustentáveis, integrando saberes tradicionais, ciência e governança territorial”, informa o órgão.
A íntegra da publicação pode ser acessada neste link.


