Quem acompanha as mudanças nas Normas Regulamentadoras, já percebeu que as atualizações NR-1, que trata de riscos psicossociais (assunto falado aqui), também implicam no atendimento da NR-17, que estabelece diretrizes sobre ergonomia, com destaque para a posição em que o trabalhador se encontra nas tarefas.
Com ambientes de trabalho cada vez mais diversos, em que levamos na palma da mão os nossos compromissos, por meio de dispositivos tecnológicos, liquidando as demandas nos mais variados lugares e deslocamentos, eis que surge a dúvida: trabalhar em pé ou sentado?
A resposta recai sobre a alternância de posições. Segundo um levantamento da universidade britânica de Leicester, reduzir o tempo sentado melhora condições metabólicas e cognitivas, promovendo um aumento de gasto energético e leve ativação muscular.
Entre as estratégias apresentadas na pesquisa, divulgado pelo Olhar Digital, envolve a cada hora (30 a 60 minutos) mudar de posição, o uso de tapetes ou superfícies mais macias para redução de impactos, além de ajustes na tela de computadores e notebooks para diminuir a tensão no pescoço, e a realização de movimentos leves, como o peso de uma perna para outra, durante a jornada.
Alternância no modo de trabalhar e rodízio de pessoal
Já outro estudo, do International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, com 73 mil adultos, constatou que longos períodos sentado aumentam o risco de doenças cardiovasculares entre pessoas com baixa prática de exercícios.
Outra recomendação é fazer pausas entre as atividades: “Levantar entre dois e cinco minutos a cada 30 minutos sentado e incluir alongamentos caminhadas curtas ao longo do dia é aconselhável. Além de melhorar a circulação e reduzir dores, essas pausas aumentam a disposição e ajudam na produtividade”, informa matéria da Fast Company.
Dr. Renan Moreno, médico do trabalho e diretor da Trabt Medicina e Saúde do Trabalho, vai além: além de modificações de mobiliário, carga horária, organização e redefinição das tarefas, dependendo do tipo de função, é possível o rodízio de pessoas para evitar sobrecarga.
“Se um colaborador consegue produzir 50 peças por dia, ao atingir a 25ª peça pode começar a se cansar, aumentando o risco de acidentes. Nesse caso, o rodízio com outro trabalhador que esteja descansado, evita que ambos realizem a atividade fadigados, reduzindo significativamente a possibilidade de acidentes”, ilustra o médico, ao Saúde Digital News.
Ele ressalta ainda a implantação da Análise Ergonômica do Trabalho (AET), que identifica fatores de risco ergonômico presentes nas atividades laborais e propõe medidas corretivas. Feita por profissionais capacitados, essa análise checa as condições ambientais, verificando posturas adotadas, esforços físicos exigidos e movimentos repetitivos.
Iniciativas
No Paraná, algumas iniciativas estão surgindo em relação ao tema. Na Secretaria de Estado da Administração e da Previdência (SEAP), os servidores contam com a ginástica laboral semanal, uma pausa para alongamentos e exercícios conduzidos, o que não deixa de ser uma oportunidade de descontração e integração entre os colegas.
Já a Câmara Municipal de Curitiba estuda um projeto de lei, da vereadora Delegada Tathiana (União), para oferta de assentos para descanso durante os intervalos de trabalho. Trata-se da promoção de políticas públicas voltadas à proteção da saúde e à segurança dos trabalhadores e dos servidores públicos que ficam de pé por longos períodos.
Além disso, o texto incentiva campanhas educativas sobre a saúde ocupacional e ergonômica. “Estudos demonstram que pausas adequadas, com posturas de alívio, melhoram a oxigenação muscular, reduzem a fadiga física, favorecem a concentração e contribuem para a diminuição do absenteísmo e dos afastamentos por doenças relacionadas ao trabalho”, justifica a vereadora.




