Com a recente atualização da Norma Regulamentadora (NR-1), reverberou-se em outra, a NR-17, que trata de ergonomia, já que as empresas também precisarão se atentar ao ambiente de trabalho e condições estruturais que possam comprometer a saúde dos trabalhadores. Mas também levantou um termo que abrange as duas essências: a chamada ergonomia mental ou ergonomia cognitiva.
Afinal, a ergonomia vai além de troca de mobiliário ou redução de ruído, abarca aspectos biomecânicos, equipamentos e ferramentas, ambientais, cognitivos e psicossociais das atividades laborais. Mani Moreira e Vanessa Zomer Fenili, responsáveis pela Seção de Ergonomia no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), explicam que para fazer determinada atividade, se faz necessário o alinhamento com a ergonomia cognitiva. Ou seja, é preciso uma harmonia entre a interação homem-máquina, envolvendo confiabilidade, formação e relação entre pessoa-sistema.
As especialistas destacam que, ao ser bem aplicada, essa ergonomia mental aumenta a satisfação, memória e concentração, é benéfica na tomada de decisão, organização de ideias, relacionamento entre e com os times, bem como na redução da incidência de adoecimento e afastamentos e de quadros depressivos, cujo resultado é produtividade e bem-estar.
Cansaço é um dos alertas
Excesso de tarefas, telas e notificações, metas abusivas e inalcançáveis, falta de orientações sobre o uso de determinado equipamento, serviço ou atividade, carência de escuta ou canal de comunicação. O cansaço, por sua vez, é o primeiro sinal de que a ergonomia não está indo bem. Entretanto, recorrer a velha máxima “pare, respire, pause e alongue” também pode não surtir efeito.
Na opinião de Rosine Mello, educadora física especialista em saúde ocupacional e praticante de Hatha Yoga há mais duas décadas, o momento de pausar durante o trabalho não pode ser entendido como um protocolo, mas levar em conta a fadiga real que as pessoas acumulam, porque existe uma variabilidade biológica na maneira que cada um contesta essas demandas.
“Ritmos biológicos, cronobiologia, padrões de sono, histórico de fadiga e o tipo de exigência cognitiva do cargo tendem a influenciar diretamente a resposta de cada pessoa. Uma pausa baseada em meditação pode acalmar quem precisa desacelerar, mas aumentar desconforto em quem precisa primeiro descarregar tensão motora”, frisa Mello, em artigo ao Personare.
“Nova era”
Para Rui Brandão, fundador da plataforma de saúde emocional Zenklub, à Exame, a atualização em vigor descortinou uma “nova era”, já que tirou a saúde mental de um assunto secundário para uma prioridade nas empresas. Também lançou luz ao papel das lideranças nesse aspecto, que também precisam se adaptar.
Outro ponto é a digitalização, um processo importante na realidade das empresas, porém que precisa ser readequada, citando os perigos do excesso de informação, múltiplas plataformas, reuniões simultâneas e comunicação permanente ao longo do dia. “O problema não está apenas no volume de trabalho, mas no esforço mental necessário para alternar atenção”, alerta o especialista.




